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Microbioma endometrial: o que vive no útero pode influenciar as chances de gravidez

Equilíbrio entre as bactérias pode influenciar a implantação do embrião e as chances de gravidez

Por Redação em 28/08/2026 às 09:00:25
Imagem: Freepik

Imagem: Freepik

Durante muito tempo, acreditou-se que o útero era um ambiente completamente estéril — um espaço vazio aguardando apenas o embrião. Essa ideia mudou. A partir de 1985, os primeiros estudos começaram a identificar microrganismos dentro da cavidade uterina, e nas últimas décadas esse campo evoluiu rapidamente.

Hoje sabemos que o útero tem seu próprio ecossistema de bactérias, chamado de microbioma endometrial, e que o equilíbrio desse ambiente pode influenciar diretamente as chances de gravidez.

O que é o microbioma endometrial?

Microbioma é o nome dado ao conjunto de microrganismos que habitam um determinado ambiente do nosso corpo. O intestino tem o seu, a pele tem a sua, e o útero também. No endométrio, o microbioma saudável é caracterizado pela predominância de bactérias do gênero Lactobacillus — as mesmas encontradas no trato genital feminino em condições normais.

Esses microrganismos não estão ali por acaso. Os Lactobacillus produzem ácido lático, que cria um ambiente favorável à receptividade endometrial e à implantação do embrião.

Estudos mostram que mulheres com microbioma endometrial dominado por Lactobacillus apresentam maiores taxas de implantação, gravidez clínica e nascidos vivos em comparação com aquelas que têm um perfil bacteriano diferente.

O que acontece quando há desequilíbrio?

Quando os Lactobacillus diminuem e outras bactérias passam a dominar o ambiente uterino — como Gardnerella, Streptococcus ou Klebsiella — ocorre o que chamamos de disbiose endometrial. Esse desequilíbrio pode gerar um estado inflamatório crônico dentro do útero, comprometendo a receptividade do endométrio e, consequentemente, as chances de implantação embrionária.

Pesquisas indicam que mulheres com falhas repetidas de implantação ou perdas gestacionais recorrentes apresentam, com maior frequência, alterações nesse equilíbrio bacteriano. Um estudo multicêntrico com 342 pacientes em tratamento de FIV mostrou que os casos de falha de implantação foram associados à presença de bactérias como Gardnerella e Streptococcus no fluido endometrial — justamente as espécies que indicam disbiose.

A disbiose endometrial também está relacionada à endometrite crônica, uma inflamação persistente do revestimento interno do útero que muitas vezes não causa sintomas perceptíveis, mas pode interferir significativamente na fertilidade.

Toda mulher precisa investigar?

Não. A avaliação do microbioma endometrial não é um exame de rotina para todas as pacientes. Ela é indicada em situações específicas: falhas repetidas de implantação em ciclos de FIV, histórico de perdas gestacionais recorrentes ou suspeita de endometrite crônica.

A investigação é feita por meio de biópsia endometrial, com análise laboratorial da composição bacteriana. Quando um desequilíbrio é identificado, o tratamento é individualizado e pode incluir antibioticoterapia direcionada ao perfil bacteriano encontrado, com acompanhamento posterior para avaliar a resposta.

Por que isso importa na prática?

Porque abre uma nova perspectiva para casos que, até pouco tempo atrás, não tinham explicação. Quando uma paciente passa por transferências de embriões de boa qualidade sem conseguir engravidar, e os fatores mais conhecidos já foram descartados, o microbioma endometrial pode ser um elemento ainda não investigado.

Não se trata de um exame para qualquer momento do tratamento, mas de uma ferramenta que, usada no contexto certo, pode revelar informações valiosas e ajudar a ajustar a estratégia para o próximo ciclo.

Se você está em investigação de infertilidade ou passou por falhas repetidas de implantação, pergunte ao seu médico se a avaliação do microbioma endometrial faz sentido para o seu caso. A medicina reprodutiva avança justamente porque continua fazendo novas perguntas sobre o que pode estar interferindo na gravidez.

Fonte: Folha Vitória

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