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Polícia

Dono de bar é condenado a 29 anos por matar jovem na Rua da Lama

Vilson Luiz Ballan foi condenado pelo assassinato de Breno Rezende de Carvalho ocorrido em março de 2025


Vilson Ballan (esquerda) foi condenado pela morte de Breno Rezende (direita) Foto: Montagem/ Folha Vitória

Vilson Luiz Ballan, dono do Bar Sofá da Hebe, foi condenado a 29 anos e 9 meses de prisão pelo assassinato de Breno Rezende de Carvalho, de 25 anos. O júri popular foi finalizado no início da madrugada desta sexta-feira (28) e a sentença ainda determinou o pagamento de R$ 500 mil de indenização por danos morais aos familiares da vítima.

O jovem foi morto com uma facada no peito, na madrugada de 15 de março de 2025, durante uma discussão com o dono do bar sobre o pagamento de uma conta de R$ 16 referente a uma cerveja consumida no estabelecimento.

O júri popular foi iniciado por volta das 9 horas de quinta-feira (27) e se estendeu por cerca de 16 horas no Fórum Criminal de Vitória. Durante o julgamento, Vilson pediu perdão pelo crime no depoimento que durou 50 minutos.

Pedir desculpa, estou arrependido, não queria causar isso aí. Perdão, a família do Breno.

Após os depoimentos e as argumentações da defesa do réu e dos promotores de Justiça, os jurados votaram pela condenação de Vilson. A sentença foi proferida já após a meia-noite e condenou o dono do bar a 29 anos e 9 meses de prisão, que devem ser cumpridos, inicialmente, em regime fechado.

O promotor de Justiça Leonardo Cézar, que atuou no caso, comentou a pena aplicada e afirmou que ela ficou próxima do limite máximo previsto para o crime, de 30 anos.

Se a nossa legislação fosse mais justa, hoje seria a pena máxima de 30 anos. Porque hoje os tribunais superiores entendem que o comportamento da vítima não pode prejudicar o réu de forma alguma, de modo que a pena só não foi máxima por conta dessa benesse que a legislação brasileira dá para os criminosos.

Leonardo Cézar, promotor de Justiça

Durante a sentença, o juiz destacou a desproporção entre o motivo considerado banal e a violência empregada no crime. Segundo o magistrado, a discussão teria começado por causa de uma quantia pequena.

Outro ponto mencionado na decisão foi o fato de o acusado ter fugido do local levando a arma utilizada no crime e posteriormente ocultado a faca.

Pai diz que filho será lembrado como “um anjo”

Para a família, a condenação traz uma sensação de conforto, mas não diminui a dor da perda do jovem, que tinha sonhos e planos para o futuro.

O pai, Eduardo de Carvalho, afirmou que guarda boas lembranças do filho e destacou a personalidade tranquila do jovem.

Eu tenho lembranças boas dele. Deus mandou um anjo para mim. Desde pequeno, aquele jeito calmo dele… Ele costumava falar que só quem conseguia tirar a paciência dele era o irmão mais novo. Mas eu carrego o meu filho para o resto da minha vida no meu coração, na minha lembrança. É um anjo que Deus trouxe na minha vida!

Eduardo de Carvalho, pai de Breno de Carvalho

O que diz a defesa de Vilson?

A defesa de Vilson informou que respeita a decisão do Tribunal do Júri, mas não concorda com a condenação, e que pretende recorrer dentro do prazo previsto em lei.

A defesa respeita a sentença proferida e a manifestação do Conselho de Sentença, mas não concorda. Vai fazer o que a lei permite, que é entrar com o recurso cabível, no prazo legal, dentro das teses que entendemos, aqui em plenário, serem pertinentes e que não foram acolhidas da forma como esperávamos.

A discussão que teria culminado no homicídio do jovem aconteceu quando Breno estava com amigos no bar do acusado, o Sofá da Hebe. O grupo teria pegado uma cerveja e deixado uma segunda bebida paga.

Vilson então teria se aproximado do grupo e cobrado o valor de R$ 16 da segunda cerveja. Os jovens explicaram a ele que o valor já havia sido pago, mas o acusado não aceitou a explicação. Ele ameaçou os jovens e disse: “Vocês têm cinco minutos para resolver isso”.

Diante da ameaça, os jovens chamaram o garçom do estabelecimento, que confirmou a Vilson que a cerveja havia sido paga. O dono do bar continuou a não aceitar as explicações e passou a discutir com o próprio funcionário.

Breno e os amigos foram para um bar vizinho e a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) destaca que ele continuou encarando o jovem. Pouco depois, a vítima foi surpreendida por Vilson, que retirou uma faca da cintura e deu uma facada no peito do rapaz, que morreu ainda no local. O crime foi flagrado por uma câmera de videomonitoramento.

Após o crime, Vilson entrou em um carro e fugiu do local. A faca utilizada no crime foi encontrada na carroceria do veículo, que estava na casa do irmão dele.

Passado o período de flagrante, o acusado se apresentou à polícia e teve a prisão temporária decretada. Vilson segue preso no Centro de Detenção Provisória da Viana.

Folha Vitória

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