Porto da Imetame: projeção mostra como vai ficar terminal em Aracruz. Foto: Divulgação/Imetame
Etore Cavallieri, fundador da Imetame, aproveitou a abertura da Cachoeiro Stone Fair, na noite desta terça-feira (25), para fixar uma nova janela para a estreia do porto de Aracruz. A expectativa agora é receber o primeiro navio até março de 2027. A operação começará com carga geral e poderá incluir uma movimentação inicial de contêineres.
“Esperamos que até março do próximo ano encostemos o nosso primeiro navio lá”, afirmou Etore. A declaração transforma uma previsão ampla em uma meta que o mercado poderá acompanhar. A primeira atracação também marcará a passagem definitiva da fase de construção para a operação comercial.
Etore reafirmou a ambição de preparar o terminal para navios com capacidade de até 24 mil TEUs, entre os maiores porta contêineres do mundo. No entanto, ele reconheceu que o Espírito Santo ainda não possui volume suficiente para receber essas embarcações. “Claro que ele não vai vir para cá agora. O Estado não tem carga para isso. Mas o porto vai estar pronto. Daqui a 10 ou 20 anos, vai poder receber esse navio”, disse.
Operação do porto começa pela carga geral
Na primeira etapa, o porto atenderá principalmente navios que possuem guindastes próprios. Esse modelo permitirá a movimentação de carga geral antes da chegada dos grandes equipamentos de cais.
O porto já vai estar pronto para navios que tenham guindaste. Carga geral, no máximo, a gente já está. E, claro, alguma coisa de contêiner já vamos poder fazer também a partir de março.
Etore Cavallieri, fundador da Imetame
A fase completa do terminal de contêineres ficará para meados de 2028. A Imetame dividiu o empreendimento com a Hanseatic Global Terminals, controlada pela armadora alemã Hapag-Lloyd. A companhia europeia adquiriu 50% do projeto, que terá 750 metros de cais, profundidade de 17 metros e capacidade aproximada de 1,2 milhão de TEUs por ano, segundo o comunicado oficial da Hapag-Lloyd. “A HGT, que é a nossa parceria com a Hapag-Lloyd, vai para meados de 2028”, afirmou.
Equipamentos demoram a chegar
O intervalo entre as duas fases tem uma explicação industrial. Os portêineres, grandes guindastes responsáveis pela carga e descarga dos contêineres, possuem prazo longo de fabricação. “A entrega dos portêineres leva de 20 a 24 meses. Nós adquirimos e agora temos que esperar a entrega”, explicou Etore. Até lá, o porto dependerá de embarcações com equipamentos próprios.
Para o setor de rochas, a nova estrutura pode reduzir deslocamentos, custos e tempo de transporte. Hoje, parte importante da carga capixaba precisa buscar terminais fora do Estado ou disputar espaço em outras estruturas. Etore encerrou a fala com uma promessa bem-humorada ao empresariado do setor. “Podemos marcar a data aqui hoje do churrasco. É um contêiner de carne para todo o setor de rocha e granito”, brincou.
Licença e carga ainda desafiam o projeto
Antes do primeiro navio, o porto precisa obter a Licença de Operação, a chamada LO. “Falta a licença ainda, porque tem que terminar para poder dar entrada no pedido da LO”, reconheceu Etore. A empresa ainda precisa concluir as estruturas necessárias e superar os trâmites ambientais. Além disso, a previsão pública anterior apontava o início da carga geral para o fim de 2026.
Outro desafio está na própria sinceridade de Etore: capacidade portuária não cria carga automaticamente. O Espírito Santo precisará atrair volumes de Minas Gerais, Goiás, Bahia e outras regiões para sustentar grandes rotas. Isso exige contratos com exportadores, acessos rodoviários e ferroviários, estrutura aduaneira, preços competitivos e frequência de navios. Sem essa rede, o Estado terá um porto preparado para gigantes, mas sem escala para recebê-los.
Quatro marcos mostrarão se o plano saiu do discurso: Licença de Operação, atracação do primeiro navio até março de 2027, movimentação regular de carga geral e a estreia do terminal completo de contêineres em meados de 2028. A infraestrutura cria uma oportunidade rara para o Espírito Santo. Agora, o desafio será transformar a estrutura de ponta em cargas e contratos.
Fonte: Folha Vitoria