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Apex pede novo bloqueio de R$ 23,25 milhões contra Cinelli e amplia ofensiva na Justiça

Segundo a Apex, não foram encontrados contratos, registros contábeis ou outros documentos que explicassem essas operações

Por Redação em 21/08/2026 às 13:00:32
Sede da Apex: Tentativa de recuperar dinheiro que teria sido transferido de forma irregular para conta do ex-presidente. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

Sede da Apex: Tentativa de recuperar dinheiro que teria sido transferido de forma irregular para conta do ex-presidente. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

A Apex Partners apresentou um novo pedido à Justiça para ampliar em R$ 23,25 milhões o bloqueio de bens e recursos do ex-presidente Fernando Antonio Kulnig Cinelli. A solicitação, encaminhada na noite de terça-feira (18), no processo nº 5036987-68.2026.8.08.0024, tramita na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. E, do esmo modo, reúne a companhia e outras 177 sociedades.

A empresa afirma que uma apuração interna identificou novas movimentações destinadas a contas de Cinelli. Segundo a Apex, não foram encontrados contratos, registros contábeis ou outros documentos que explicassem essas operações. Caso o juiz aceite o novo pedido, o valor considerado para o bloqueio poderá subir de R$ 5 milhões para R$ 28,25 milhões.

A Justiça ainda não decidiu sobre a ampliação. Em nota, a Apex afirmou que a manifestação apresentada por Cinelli “é inconsistente e não esclarece a movimentação de valores expressivos, superiores a R$ 20 milhões, para sua conta pessoal sem qualquer lastro contratual ou contábil”.

Primeiro bloqueio alcançou R$ 5 milhões

O juiz Marcos Pereira Sanches determinou, no dia 18 de agosto, o bloqueio inicial de até R$ 5 milhões em contas, imóveis e veículos de Cinelli. O magistrado também autorizou a análise das movimentações bancárias do ex-presidente nos últimos três anos.

A decisão considerou três transferências feitas pela ABM Partnership Investimentos e Participações para a conta de Cinelli: R$ 1,1 milhão, R$ 3 milhões e R$ 900 mil. Do mesmo modo, os documentos apontaram uma transferência de R$ 900 mil no sentido contrário, feita por Cinelli para a empresa.

Na primeira análise, o juiz afirmou que não encontrou documentos que explicassem o motivo dos pagamentos para a conta pessoal do antigo administrador. A medida, porém, é provisória e não representa uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade de Cinelli.

A Apex classificou o bloqueio como uma medida “fundamental e acertada” para preservar o patrimônio das empresas, bem como permitir um possível ressarcimento de investidores e parceiros. Do mesmo modo, a companhia destacou que abriu as apurações internas e afastou Cinelli da presidência.

Ministério Público no caso Apex

O Ministério Público do Espírito Santo apoiou as medidas de proteção patrimonial. O MPES reconheceu que os comprovantes demonstravam a circulação do dinheiro, porém ressaltou que os registros bancários, isoladamente, não explicavam o motivo das operações nem permitiam atribuir responsabilidade definitiva ao ex-presidente.

O órgão também pediu o rastreamento das dívidas da Apex, a preservação das provas e a identificação do destino dos recursos.

Laspro relata falta de documentos de 123 empresas

A pressão judicial também alcançou a própria Apex. Em documento encaminhado ao juiz no dia 19 de agosto, a Laspro Consultores informou que ainda não havia recebido todas as informações solicitadas de 123 das 178 sociedades incluídas na medida cautelar.

Entre os documentos pendentes estavam contratos sociais, endereços, locais de funcionamento, organograma do grupo, relação de ativos e informações sobre empresas imobiliárias com patrimônio separado. A Laspro também informou que a Apex cancelou uma visita técnica marcada para 17 de agosto e propôs uma nova data, em 26 de agosto.

A comunicação ocorreu depois de o juiz determinar que o grupo entregasse o material no prazo de 72 horas. Segundo a Laspro, a falta de documentos impedia uma análise completa da situação financeira e operacional das empresas. A consultoria pediu uma nova ordem judicial para a entrega imediata das informações.

Em resposta, a Apex afirmou que já começou a encaminhar o material solicitado. Segundo a companhia, equipes internas e assessores contratados trabalham exclusivamente para atender às exigências. “A Apex Partners S/A informa que é a principal interessada em todos os esclarecimentos à Justiça”, declarou.

Paralelamente, a Apex tenta substituir a Laspro. A companhia apresentou o pedido em 13 de agosto e alegou a existência de um conflito entre Oreste Laspro e José Carlos Stein Junior, advogado contratado pelo grupo. O juiz abriu um procedimento separado para analisar o assunto, mas manteve a consultoria no trabalho. O MPES também se posicionou contra a troca imediata. Ainda não existe uma decisão definitiva.

Cinelli reage e pede suspensão das medidas

A defesa de Cinelli apresentou, nesta quinta-feira (20), uma nova manifestação no processo principal. Os advogados pediram a suspensão do bloqueio e da análise das contas bancárias. Eles sustentam que as transferências apontadas pela Apex tinham finalidade empresarial.

Segundo a defesa, parte dos recursos serviu para aplicações financeiras e para manter operações com ações da CVC. Cinelli também afirma que perdeu o acesso aos sistemas, e-mails, arquivos e documentos internos depois de seu afastamento. Por isso, não possuiria todas as informações necessárias para explicar as movimentações.

Os advogados ainda alegam que não existe auditoria externa concluída nem laudo independente que comprove desvio de recursos. Em nota, a defesa declarou que Cinelli sempre exerceu sua função “com seriedade e transparência” e defendeu uma análise independente dos documentos e dos processos de decisão dentro da Apex.

Outro processo trata do pedido de Cinelli para acessar atas, contratos, e-mails e registros de 12 empresas do grupo. A ação recebeu o número 5037727-26.2026.8.08.0024 e tramita na 7ª Vara Cível de Vitória. O juiz Marcos Assef do Vale Depes não autorizou a entrega imediata. Primeiro, determinou que as empresas apresentem suas posições no prazo de 15 dias úteis.

A crise chegou à Justiça em 7 de agosto, quando o Grupo Apex obteve proteção temporária contra cobranças, bloqueios e retirada de bens. A decisão alcançou 178 sociedades, deu 30 dias para a apresentação de um possível pedido de recuperação judicial e nomeou a Laspro para verificar a situação real das empresas.

A Apex Partners S/A informa que é a principal interessada em todos os esclarecimentos à Justiça — até porque foi a própria empresa que abriu apurações internas e afastou Fernando Cinelli, ex-presidente da Companhia. As informações solicitadas já estão sendo encaminhadas ao administrador judicial desde ontem. Equipes internas e assessores contratados estão integralmente dedicados a esse atendimento.

Quanto à manifestação apresentada por Fernando Cinelli, ela é inconsistente e não esclarece a movimentação de valores expressivos, superiores a R$ 20 milhões de reais, para sua conta pessoal sem qualquer lastro contratual ou contábil.

Destacamos que o parecer do Ministério Público do Espírito Santo e a decisão judicial que determinou o bloqueio de bens de Fernando Cinelli foram medidas fundamentais e acertadas para preservar a integridade patrimonial das empresas do grupo e viabilizar o eventual ressarcimento de investidores e parceiros.

A Apex Partners S/A segue atuando com transparência e seriedade para que os fatos que ela própria identificou sejam esclarecidos e para que as responsabilidades sejam apuradas e definidas pelas instâncias competentes.

Nota de Fernando Cinelli na íntegra:

A defesa de Fernando Cinelli reforça a necessidade de uma apuração documental independente sobre os dados das empresas e sobre a cadeia de informações e decisão dentro da Apex. Foi justamente com esse objetivo que ajuizou ação para que sejam preservados e exibidos os documentos capazes de esclarecer o funcionamento das operações e os respectivos centros de decisão e responsabilidade. Cinelli reafirma sempre ter exercido sua posição executiva no grupo com seriedade e transparência e reitera seu total comprometimento com a elucidação dos fatos.

Fonte: Folha Vitoria

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