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Aracruz pode se tornar uma nova Itajaí?

Com a expansão portuária e logística, Aracruz pode viver uma transformação econômica e urbana nos próximos anos, tendo Itajaí como referência

Por Redação em 16/08/2026 às 09:00:34
Porto da Imetame. Foto: Divulgação/Imetame

Porto da Imetame. Foto: Divulgação/Imetame

Quando analisamos os impactos econômicos dos investimentos em infraestrutura, principalmente daqueles de características estruturantes, como os portos, vem à tona a conhecida analogia sobre o que vem antes, o ovo ou a galinha. Afinal, um porto pode se transformar em detonador e catalisador de um processo de desenvolvimento regional.

A teoria do desenvolvimento econômico sugere, nesse caso, a possibilidade de causalidade nos dois sentidos: o crescimento econômico gera demanda por infraestrutura, ao mesmo tempo que a infraestrutura pode induzir e acelerar o crescimento.

Não seria exatamente esse o caso de Aracruz e da região em seu entorno, hoje já identificada como plataforma Parklog, uma vez que ali preexiste um complexo portuário razoavelmente estruturado e dotado de múltiplas conexões. Esse complexo, porém, ainda não é completo em termos de diversidade, funcionalidades e amplitude de alcance mercadológico.

São atributos que poderão ser significativamente ampliados com a entrada em operação do Porto da Imetame, concebido como um porto multipropósito, de classe e escala globais.

Imaginar o que poderá acontecer nessa região nos próximos anos — digamos, em um horizonte de dez anos — em termos de crescimento econômico, complexidade produtiva, população, emprego, renda, expansão e mobilidade urbana, além de outras dimensões da realidade local, impõe-se como um exercício mais do que necessário: urgente.

É preciso antecipar transformações para que erros cometidos em outras regiões não se repitam e provoquem arrependimentos futuros.

Nesse aspecto, planejar é preciso. E é o que vem sendo feito.

O conceito de Parklog já é aderente a essa demanda e se espelha, em certa medida, no conceito de plataforma logística preconizado pelo Plano de Desenvolvimento de Longo Prazo ES 2030, desenhado em 2013.

Na mesma direção encontra-se o Plano Aracruz do Futuro, recentemente construído sob a coordenação da AMEAR — Associação Movimento Empresarial de Aracruz e Região, pertencente à rede empresarial ES em Ação.

Da mesma forma, a Prefeitura de Aracruz vem incorporando essa perspectiva em seu planejamento estratégico e no PDM — Plano Diretor Municipal.

Planejar, nesse caso, principalmente por se tratar de um sistema complexo, requer mais do que olhar para o passado em busca de um diagnóstico. Exige, sobretudo, olhar para a frente e procurar compreender o que poderá acontecer. Para isso, recorrer à técnica de “espelhamento” pode ser um caminho bastante útil.

Trata-se de uma abordagem relativamente simples. Consiste em observar com atenção casos semelhantes, ainda que inseridos em contextos distintos ou situados em estágios diferentes de desenvolvimento.

Entre os vários casos possíveis de espelhamento, talvez aquele que apresente maior aproximação com Aracruz e sua região seja o de Itajaí, em Santa Catarina.

Em outras palavras, poderíamos pensar a Aracruz do futuro tendo a Itajaí de hoje como uma espécie de proxy, naturalmente levando em consideração as diferenças e especificidades de cada região.

Primeiramente, pela ancoragem portuária multifuncional. O Complexo Portuário de Itajaí movimentou, em 2025, cerca de 1,43 milhão de TEUs. Desse total, aproximadamente 1 milhão de TEUs passou pela Portonave, localizada em Navegantes.

Em Aracruz, por sua vez, o Porto da Imetame é projetado para alcançar capacidade de movimentação de até 1,6 milhão de TEUs.

Mais importante do que comparar simplesmente capacidades portuárias, entretanto, é formular a pergunta seguinte: o que aconteceu na região de Itajaí a partir do desenvolvimento de sua infraestrutura portuária?

A resposta passa pelas especializações econômicas que ali se desenvolveram e pelos diversos serviços associados à atividade portuária, como agenciamento marítimo, armazenagem, transporte e logística, entre outros.

Passa também pela atração de empresas, investimentos e atividades que se beneficiam direta ou indiretamente da conectividade proporcionada pelos portos.

Torna-se possível, então, imaginar trajetórias de especialização econômica de Aracruz que, ao longo do tempo, possam apresentar alguma aproximação com aquelas observadas na região de Itajaí.

Da mesma forma, pode-se investigar se a ampliação da infraestrutura portuária e logística poderá contribuir para elevar a complexidade econômica da região, diversificando sua estrutura produtiva e ampliando os encadeamentos entre atividades industriais, logísticas e de serviços.

O campo para esses “espelhamentos” é bastante amplo e, naturalmente, não precisa se limitar ao caso de Itajaí. Outros complexos portuários e logísticos, no Brasil e no exterior, podem fornecer referências importantes sobre os efeitos econômicos, urbanos e sociais provocados por grandes investimentos em infraestrutura.

Ainda assim, parece fazer sentido explorar com maior profundidade as aproximações entre Aracruz e Itajaí. Não para imaginar que Aracruz necessariamente repetirá a trajetória daquela região catarinense, mas para utilizar sua experiência como uma janela para o futuro: identificar oportunidades, antecipar pressões e, principalmente, preparar hoje a região para as transformações que poderão ocorrer amanhã.

Fonte: Folha Vitoria

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