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Cirurgia robótica avança e ganha espaço no ES

Tecnologia deixa de ser restrita a grandes centros e avança em procedimentos complexos no Espírito Santo

Por Redação em 12/08/2026 às 21:00:12
Equipe da Cirurgia Cardíaca - Rede Meridional. Foto: Ascom/Rede Meridional

Equipe da Cirurgia Cardíaca - Rede Meridional. Foto: Ascom/Rede Meridional

Há alguns anos, a cirurgia robótica parecia uma realidade distante da medicina capixaba. Hoje, a tecnologia já faz parte da rotina de hospitais do Espírito Santo e começa a ser utilizada em procedimentos cada vez mais complexos. A Rede Meridional, por exemplo, chegou à marca de 1.845 cirurgias realizadas em seis anos.

Além de ampliar o uso de robôs nos centros cirúrgicos, o movimento também mostra como a tecnologia vem sendo incorporada à medicina de alta complexidade. Com recursos que permitem maior precisão dos movimentos e visão ampliada do campo cirúrgico, a cirurgia robótica pode contribuir para procedimentos menos invasivos e para uma recuperação mais rápida.

Da novidade à alta complexidade

Um exemplo desse avanço é o programa da Rede Meridional, implantado em 2020 e que já soma 1.845 procedimentos. Mas a tecnologia não está restrita a uma única instituição. O Hospital Santa Rita também foi pioneiro no Espírito Santo na adoção do robô, ampliando o uso da cirurgia robótica no Espírito Santo.

Na Rede Meridional, a tecnologia chegou neste ano a dois procedimentos inéditos no Estado: a primeira cirurgia cardíaca robótica e o primeiro transplante renal realizado com auxílio da tecnologia.

Na cirurgia cardíaca robótica, foram utilizados quatro braços robóticos e visão tridimensional, permitindo uma abordagem minimamente invasiva. Já na cirurgia do transplante renal, a técnica pode reduzir o trauma cirúrgico e favorecer a recuperação do paciente.

Para o diretor do Hub da Rede Meridional no Espírito Santo, Gustavo Peixoto, a evolução da tecnologia precisa estar acompanhada da preparação das equipes.

“Ao longo desses seis anos, construímos uma trajetória baseada em investimento em tecnologia, capacitação das equipes e foco permanente na segurança do paciente. Os resultados alcançados mostram a maturidade do programa e o compromisso da Rede Meridional em oferecer o que há de mais moderno na medicina.”

Tecnologia para procedimentos mais complexos

A evolução da cirurgia robótica também aparece na capacidade de realizar procedimentos que exigem maior precisão.

Neste mês, o cirurgião Isaac Walker, da Rede Meridional Cariacica, apresentou nos Estados Unidos um caso de alta complexidade envolvendo a retirada, por cirurgia robótica, de um tumor gastrointestinal de grandes proporções. O trabalho foi apresentado durante o congresso anual da Society of Robotic Surgery, na Flórida.

Segundo Walker, a tecnologia passou a ser uma aliada importante justamente em operações mais complexas. “A cirurgia robótica evoluiu muito nos últimos anos e hoje representa um importante aliado na realização de procedimentos complexos. Alcançar a marca de 1.845 cirurgias demonstra a consolidação do programa da Rede Meridional e o nível de excelência da nossa equipe.”

Tecnologia ganha espaço no Estado

Segundo Daniela Goldner, diretora técnica do Hospital Santa Rita, a instituição adquiriu o sistema robótico em dezembro de 2019. Com a chegada dos componentes do robô em março de 2020, em abril foi realizado o primeiro procedimento.

“Fomos pioneiros na aquisição do Robô Da Vinci no Espírito Santo. A tecnologia possibilita a realização de cirurgias robóticas com maior precisão, segurança e recursos minimamente invasivos, contribuindo para melhores resultados cirúrgicos, recuperação mais rápida dos pacientes e ampliação do acesso a procedimentos de alta complexidade”, ressalta Daniela Goldner, diretora técnica do Hospital Santa Rita.

De acordo com Daniela Goldner, a tecnologia já é utilizada em especialidades como urologia, cirurgia geral, oncologia, ginecologia, cirurgia pediátrica, cirurgia torácica e cabeça e pescoço, além de procedimentos combinados.

A presença de diferentes serviços com a tecnologia ajuda a mostrar uma mudança no cenário da medicina capixaba: a cirurgia robótica deixou de ser uma novidade restrita a poucos centros e passou a integrar a estrutura de atendimento de hospitais que realizam procedimentos de maior complexidade.

Quando a tecnologia chega ao paciente

Por trás dos números e dos equipamentos, a principal mudança está na experiência de quem passa pelo procedimento.

A plataforma robótica utilizada pela equipe permite movimentos mais precisos, visão ampliada e tridimensional do campo cirúrgico e acesso a regiões de difícil alcance. Em determinadas cirurgias, esses recursos podem contribuir para reduzir o trauma dos tecidos, a perda sanguínea e o tempo de recuperação.

A tecnologia, porém, não substitui o cirurgião. O procedimento continua dependendo da avaliação médica, do planejamento da operação e de uma equipe especializada para conduzir cada etapa.

A expectativa é que a incorporação de novas técnicas continue ampliando o número de procedimentos que podem ser realizados com auxílio da robótica no Estado.

O avanço da cirurgia robótica mostra, assim, uma mudança importante na medicina capixaba: tecnologias que antes pareciam restritas a grandes centros começam a fazer parte da assistência local, aproximando procedimentos de alta complexidade da população e colocando a inovação a serviço de um objetivo bastante concreto: tornar o cuidado mais preciso e menos invasivo.

Fonte: Folha Vitória

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