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Gestão de crises e marcas no esporte

As crises institucionais, independentemente de sua natureza , fazem parte e constituem um aspecto da trajetória de qualquer instituição

Por Redação em 10/08/2026 às 12:38:07
Foto: Magnific

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*Artigo escrito por Eric Alves Azeredo, professor, executivo, advogado. CEO da AZRD e líder do Comitê Qualificado de Conteúdo de Empreendedorismo e Gestão do Ibef-ES.

As crises institucionais, independentemente de sua natureza ou forma, fazem parte e constituem um aspecto da trajetória de qualquer organização. Quando envolvem denúncias, escândalos, corrupção ou decisões arbitrárias, gerando intenso descontentamento popular, frequentemente ganham maior destaque público e exigem uma imediata gestão de crise.

No meio esportivo, em que o fator emocional aparece em primeiro lugar, os efeitos são devastadores, pois envolvem a reputação dos dirigentes, a desvalorização dos atletas e a relação direta com os torcedores do clube.

Quando os escândalos aparecem, sejam eles financeiros, administrativos ou envolvendo atletas, a transparência deve ser a primeira atitude a ser tomada pelo clube. Manter o silêncio como mecanismo de defesa só servirá para aumentar a desconfiança. É preciso também ações essenciais, como reconhecer falhas, apresentar planos de correção e criar canais de comunicação com os torcedores e patrocinadores.

Um exemplo típico é a Juventus da Itália, que enfrenta uma crise multifacetada. Ela é marcada por escândalos financeiros, que podem ser comparados ao caso Calciopoli de 2006, quando, juntamente com o Milan, Fiorentina e Lazio, foi acusada de envolvimento em práticas de corrupção para influenciar as decisões da arbitragem.

Já o rebaixamento representa um tipo diferente de crise, mais esportiva, mas igualmente delicada. Clubes tradicionais no Brasil vivenciaram esse processo e demonstraram que a reconstrução vai além do acesso à elite novamente.

Trata-se de resgatar identidade, reorganizar finanças e, principalmente, reconstruir a confiança do torcedor. Nesse contexto, planejamento de médio prazo e profissionalização da gestão fazem toda a diferença.

O surgimento de uma crise esportiva deve levar, de imediato, ao aparecimento de uma liderança firme e consistente e, neste caso, dirigentes, treinadores e até jogadores tornam-se porta-vozes institucionais, mesmo que informalmente.

Deve haver sempre uma coerência entre o discurso e a prática, pois promessas vazias ou decisões contraditórias certamente aprofundarão a crise. A reconstrução, aliás, é talvez o momento mais desafiador e também o mais oportuno.

Além disso, o engajamento da torcida deve ser tratado como ativo estratégico. Nos tempos de redes sociais, a narrativa não é mais controlada só pela imprensa; ela é construída coletivamente. Ouvir o torcedor, comunicar-se com empatia e envolver a comunidade nas decisões, ainda que simbolicamente, fortalece o vínculo emocional, essencial em momentos de crise.

Enfim, a gestão de crises no esporte não apenas expõe fragilidades, mas também demonstra a capacidade de adaptação e resiliência das instituições. Clubes que encaram a crise como oportunidade de transformação tendem a emergir mais fortes, mais profissionais e mais conectados com seu público.

Afinal, no esporte, assim como na vida, não é a queda que define uma instituição, mas a forma como ela escolhe se levantar.

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, o posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo, bem como da organização à qual esteja vinculado profissionalmente.

Fonte: Folha Vitoria

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