De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Foto: freepik
A taxa básica de juros da economia brasileira ficou menor. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu na quarta-feira (5) reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. Esta é a quarta redução consecutiva da taxa em 2026. Mas o que isso significa para o seu bolso? O Folha Vitória foi em busca de respostas.
A Selic é a principal referência para os juros cobrados em empréstimos e financiamentos, além de influenciar o rendimento de aplicações financeiras e o ritmo da economia. Apesar da nova queda, os efeitos para consumidores e empresas não aparecem de forma imediata.
Segundo Marcel Lima, membro do Conselho de Finanças do Ibef-ES, um corte de 0,25 ponto percentual, sozinho, é pequeno para provocar mudanças perceptíveis no dia a dia.
O efeito acumulado do ciclo de redução dos juros é que começa a aparecer, principalmente nos financiamentos e no rendimento das aplicações conservadoras. Quem possui dívidas ou contratos com taxa pós-fixada é quem sente primeiro.
Marcel Lima, membro do Conselho de Finanças do Ibef-ES
Financiamentos podem ficar mais baratos
A redução da Selic tende a diminuir o custo do crédito, principalmente nas modalidades atreladas ao CDI ou à própria taxa básica de juros.
Linhas de crédito para empresas, alguns financiamentos e operações com juros pós-fixados costumam reagir mais rapidamente. Já o financiamento de veículos e o crédito consignado também podem registrar reduções nas taxas ao longo dos próximos meses.
Por outro lado, quem pretende financiar um imóvel ainda deve encontrar juros elevados. Isso porque as taxas imobiliárias dependem não apenas da Selic atual, mas também das expectativas para os juros nos próximos anos.
Cartão de crédito demora mais para sentir o efeito
Quem espera uma redução imediata dos juros do cartão de crédito ou do cheque especial provavelmente terá de aguardar.
Isso acontece porque essas modalidades possuem um elevado spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada do cliente —, além de refletirem o nível de inadimplência da economia.
Segundo Marcel Lima, o repasse da queda da Selic costuma ser apenas parcial.
“O spread bancário tende a permanecer elevado. Por isso, o corte da Selic não chega integralmente ao consumidor”, disse.
Investimentos rendem menos
A redução da taxa básica também afeta quem mantém dinheiro aplicado em renda fixa.
Investimentos pós-fixados, como Tesouro Selic, CDBs atrelados ao CDI e fundos DI, passam a render um pouco menos daqui para frente. O rendimento acumulado até a data da decisão, no entanto, não sofre alteração.
Já títulos prefixados e papéis indexados à inflação (IPCA+) comprados antes da queda da Selic tendem a ganhar valor no mercado caso continue a expectativa de novos cortes nos juros.
Segundo Marcel Lima, o momento também pode aumentar o interesse por investimentos de maior risco, como ações e fundos imobiliários.
“Com a renda fixa pós-fixada perdendo atratividade relativa, ativos como ações, fundos imobiliários e títulos prefixados podem ganhar espaço. Mas é importante lembrar que maior retorno também significa maior risco.”
Vale a pena fazer um empréstimo agora?
Apesar da nova redução, a recomendação é manter cautela.
A Selic continua em um patamar considerado elevado e o crédito ainda permanece caro em termos absolutos.
Segundo o especialista, vale a pena aproveitar o momento para renegociar dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial, mas não para assumir novas dívidas apenas porque os juros começaram a cair.
“Contrair um novo financiamento faz sentido quando substitui uma dívida mais cara ou quando a compra já estava planejada, e não apenas por causa do corte da Selic.”
Economia tende a ganhar força
Além dos efeitos sobre o bolso dos consumidores, a redução dos juros costuma beneficiar a atividade econômica.
Com crédito mais barato, empresas tendem a investir mais, ampliar a produção e contratar funcionários. Ao mesmo tempo, consumidores ficam mais propensos a financiar bens de maior valor, como imóveis e veículos.
No entanto, esse movimento leva tempo. Segundo Marcel Lima, os efeitos da política monetária costumam aparecer entre seis e doze meses depois das decisões do Banco Central.
“O impacto de um corte isolado é pequeno. O que realmente influencia a economia é a continuidade do ciclo de redução dos juros e a expectativa de que a inflação permaneça sob controle.”
O que muda com a Selic a 14%
Financiamentos: podem ficar mais baratos, principalmente os pós-fixados.
Empréstimos consignados: tendem a sentir a redução antes de outras linhas.
Financiamento imobiliário: deve cair de forma gradual.
Cartão de crédito e cheque especial: continuam entre os últimos a refletir a queda da Selic.
Tesouro Selic, CDBs e fundos DI: passam a render um pouco menos.
Ações e fundos imobiliários: podem ganhar atratividade com a queda dos juros.
Economia: redução dos juros tende a estimular consumo, investimentos e geração de empregos ao longo dos próximos meses.
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos
Fonte: Folha Vitoria