Lívia Vasconcelos (foto: Fabi Tostes)
O último dia das convenções partidárias reservou um momento apoteótico para o deputado estadual Sergio Meneguelli (PSD). Quatro anos após ter sido rifado às vésperas de homologar a candidatura ao Senado, agora o ex-prefeito de Colatina vai concorrer.
O PSD decidiu ontem (05), durante convenção partidária, que vai bancar a candidatura de Meneguelli à Câmara Alta. O projeto, porém, tem um custo: o partido não vai coligar com nenhum candidato a governador. Declarou neutralidade e irá sozinho para as urnas, com Meneguelli e as chapas de deputados.
A legenda era cobiçada pelo Republicanos, que ofereceu o espaço de vice para a primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos (PSD) – esposa do prefeito e presidente do PSD capixaba, Renzo Vasconcelos.
Conforme a coluna noticiou ontem (05), o candidato ao governo Lorenzo Pazolini (Republicanos) disse que iria dialogar até o último minuto para fechar a aliança com o PSD.
Mas Renzo não encontrou espaço para abrigar o correligionário, nem com o Republicanos e nem com o MDB.
Do lado de Pazolini, as duas vagas de Senado foram preenchidas por Maguinha Malta (PL) e pelo deputado Evair de Melo (Republicanos) – este foi confirmado na convenção do Republicanos, na terça-feira (04).
Do lado do governador Ricardo Ferraço (MDB), as duas cadeiras também foram ocupadas pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB) e pela ex-senadora Rose de Freitas (MDB) – confirmada ontem (05) na convenção do MDB.
Segundo Renzo, nunca esteve em jogo abrir mão da candidatura ao Senado. O convite para a vaga de vice na chapa de Pazolini era atraente, mas ao final, porém, pesou o compromisso assumido com a candidatura de Sergio Meneguelli, posição respaldada pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab.
Quando foram anunciadas a neutralidade do partido e a candidatura de Meneguelli, os filiados comemoraram, o deputado chegou a bater na mesa e, emocionado, abraçou o presidente.
Veja o vídeo do momento do anúncio de Meneguelli ao Senado:
Discurso inflamado e engasgado
Ao pegar o microfone para fazer seu discurso, Meneguelli desabafou tudo que estava engasgado há pelo menos quatro anos.
Não mediu palavras. Não poupou mandatários. Usou a convenção como um acerto de contas e mirou sua artilharia principalmente contra o presidente do Republicanos, Erick Musso – a quem chamou de covarde –, e contra o presidente do PL e senador Magno Malta – chamado de “Maligno” Malta.
“Há quatro anos me enganaram, me humilharam, me venderam, me trocaram por fundo partidário, impediram que eu fosse candidato a senador”, disse Meneguelli, referindo-se ao episódio em que, filiado ao Republicanos, foi impedido de disputar o Senado.
Na época, ele acusou o então candidato Magno Malta de usar sua influência com os dirigentes partidários nacionais para barrar sua candidatura.
“E a decepção foi grande porque eu achei que estava mexendo com pessoas sérias, que me perdoem as palavras, mas hoje eu os vejo como moleques, como enganadores, que usam a fé e o nome de Deus”, esbravejou o deputado.
“Eu já sabia, desde ontem (04), com certeza que eu seria candidato. Mas eu queria desmascarar os que duvidaram de mim. Os que duvidaram da hombridade de Renzo Vasconcelos. Onde eles estão?”, questionou Meneguelli durante o discurso, que não parou por aí:
Eu posso perder. Não estou dizendo que eu vou ganhar as eleições, vou lutar para ganhar. Mas se eu perder democraticamente, não será a canalhice que Erick Musso com seu bando, sua corriola fizeram comigo (…) Ele me prendeu, não queria deixar eu sair do partido. Todos sabiam que eu queria a carta de alforria. Quando ele viu que não poderia me prender mais, começou a querer atrapalhar a minha candidatura. Agora ele está lá na igreja rezando, mas Deus sabe. Ele tem que rezar, porque realmente ele foi covarde comigo. E eu assumo e falo: covarde!”
Sergio Meneguelli, deputado estadual
Meneguelli também exaltou o presidente do seu partido, com muitos elogios. Disse que Renzo foi pressionado a retirar sua candidatura. “Eu não encontrei só um correligionário, eu encontrei um irmão, que lutou contra políticos nacionais, chegaram a ir a governadores em São Paulo, autoridades no Congresso (…) Agora eu estou com um homem sério, Renzo de Vasconcelos”.
Decisão tomada após definição do Republicanos
Segundo Renzo, a decisão de lançar Meneguelli foi tomada num encontro, meses atrás, com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O prefeito relembrou que havia dito que enquanto tivesse a caneta – ou seja, que fosse presidente partidário – Meneguelli seria candidato.
Mas a decisão de não subir em nenhum palanque governamental foi tomada na terça-feira, após as definições do MDB e do Republicanos: “Foi decidido ontem (terça) quando o MDB e o Republicanos fecharam as portas para o Senado. Então, o PSD resolveu cumprir os acordos e caminhar”.
Questionado sobre o motivo de não ter aceitado o posto de vice no Republicanos – convite esse que Renzo chamou de “honrado” e agradeceu –, ele disse que a oferta não contemplava a vaga de Senado também, que teria sido negada antes mesmo de Evair ser confirmado.
O nome da primeira-dama não constou como candidata durante a convenção, mas isso não significa que ela não disputará. Renzo tem até o dia 15 para fazer o registro na Justiça Eleitoral e até lá o nome de Lívia poderá ser incluído.
Questionado se tem vontade de disputar, Lívia não escondeu – e a preferência é pela Câmara Federal. Mas disse que ainda está pesando algumas questões familiares, como por exemplo o cuidado dos dois filhos de 1 e 3 anos.
Ela também agradeceu o convite recebido por Pazolini para ser vice, disse que ficou muito animada e que o convite só não foi aceito porque Renzo havia dado a palavra para Meneguelli.
Já virou um bordão do prefeito de Colatina citar que a “palavra de um homem não precisa de assinatura, mas seu valor está no fio do bigode”.
Por mais de uma vez, na convenção, ele citou a questão de ter se comprometido com o deputado. “Ainda falta na política comprometimento e compromisso, falta homem de palavra. Compromisso feito é compromisso cumprido”, disse Renzo.
Dívida, promessa e garantia para 2028
O compromisso mantido pelo PSD paga também uma dívida com Sergio Meneguelli. O deputado apoiou Renzo na eleição em 2024 e, nos bastidores, o apoio teria sido fundamental para a vitória de Renzo que concorria contra o então prefeito Guerino Balestrassi, apoiado pelo Palácio Anchieta.
Em 2028, Renzo deve disputar a reeleição e vai contar também com o apoio de Meneguelli, anunciado ontem na convenção. Ele disse que não tem intenção nenhuma de disputar a Prefeitura de Colatina, e que seu candidato é o prefeito Renzo.
Apoio informal a Pazolini?
Durante a convenção, Meneguelli chegou a elogiar Pazolini e sinalizou que pode apoiar informalmente o candidato ao governo, caso o PSD decida por isso.
Questionado se iria se posicionar a respeito da disputa ao governo do Estado, Renzo respondeu ser “muito cedo” para definir. “Vou conversar com os candidatos, vamos dialogar a intenção de cada um, os prós e os contras para que decidamos de que forma caminhar”.
O prefeito disse também não ter resistência a nenhum dos candidatos.
O clima, antes de iniciar a convenção, já apontava para um desfecho favorável a Meneguelli.
Quando a coluna chegou ao saguão do hotel na Praia do Canto, em Vitória, onde ocorreu a convenção, observou que Renzo, Lívia, Aridelmo Teixeira (PSD) e Meneguelli conversavam tranquilamente, entre sorrisos e abraços – cena que dificilmente seria vista se a decisão do PSD fosse frustrante para o deputado.
Só a título de comparação, quem esqueceu o semblante de Meneguelli na convenção do Republicanos há quatro anos, quando ele teve a pré-candidatura ao Senado barrada e teve de “descer” para disputar a Assembleia?
Assim que encerrou a convenção, Renzo ligou diretamente para Kassab e colocou Meneguelli na linha. O deputado agradeceu pelo apoio à candidatura.
A filha da ex-vereadora de Vitória Neuzinha (Republicanos), a estudante de Contabilidade Neuza Maria, 20, mais conhecida como Neuzinha Filha, é uma das pré-candidatas da chapa estadual do PSD.
Ao discursar, roubou a cena com uma fala contundente, de apoio a Serginho, à pauta da saúde e de valorização do legado da mãe – cinco vezes vereadora de Vitória –, que estava na plateia, assistindo emocionada.
Alguns articuladores políticos do Republicanos estavam presentes na convenção do PSD.
E para fechar a noite cheia de emoções, o ET verde também apareceu na convenção do PSD.
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Fonte: Folha Vitória