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Restaurantes do ES abrem vagas de emprego, mas falta mão de obra

Escassez de profissionais desafia setor no Estado; grupo com 11 estabelecimentos busca preencher 53 vagas em diferentes funções

Por Redação em 01/08/2026 às 09:00:05
Restaurante Aleixo é um dos afetados pela dificuldade para contratar. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

Restaurante Aleixo é um dos afetados pela dificuldade para contratar. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

A dificuldade para contratar funcionários tem se tornado um dos principais desafios enfrentados por restaurantes no Espírito Santo. Empresários do setor relatam que oferecem salários compatíveis com o mercado, benefícios e oportunidades de crescimento, mas há dificuldades para preencher vagas e manter equipes completas, cenário que já impacta a operação e até os planos de expansão de alguns estabelecimentos.

Segundo o presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Espírito Santo (Sindbares/Abrasel-ES), Rodrigo Vervloet, o setor enfrenta uma combinação de fatores, como a falta de profissionais qualificados, a alta rotatividade e o avanço da informalidade.

Hoje, o maior desafio do setor não é apenas encontrar candidatos, mas encontrar profissionais qualificados e que permaneçam nas empresas. A alta rotatividade e o avanço da informalidade tornam esse cenário ainda mais complexo.

Rodrigo Vervloet, presidente do Sindbares/Abrasel-ES

De acordo com Vervloet, embora a escassez de mão de obra seja observada em diferentes segmentos da economia, bares e restaurantes sofrem com maior intensidade por dependerem diretamente das equipes para garantir o funcionamento das operações.

“Quando faltam profissionais, as equipes ficam sobrecarregadas, o atendimento é impactado e muitos empresários precisam adiar planos de crescimento simplesmente porque não conseguem formar equipes completas”, afirma.

Grupo de restaurantes enfrenta dificuldade até para conseguir candidatos

Quem vive essa realidade diariamente é o chefe executivo do Uani Group, Andrés Cervini. O grupo é responsável pelos restaurantes Wine Garden Vila Velha, Wine Garden Shopping Vitória, Wine Garden Praia do Canto, Balthazar, Aleixo, Canto do Vinho, Tomatto Vitória, Tomatto Vila Velha, Casa di Luiza, Bacco e Pirão.

Segundo Cervini, o problema começa antes mesmo da contratação.

Hoje a maior dificuldade é encontrar o funcionário. As pessoas não se interessam nem por aparecer para a entrevista, nem por procurar ou saber mais informações sobre as vagas~.

Andrés Cervini, chefe executivo do Uani Group

Na avaliação do empresário, a escassez de profissionais ganhou força após a pandemia. Para ele, muitas pessoas passaram a buscar formas alternativas de renda, impulsionadas pelo crescimento da internet, do empreendedorismo e dos aplicativos.

Além disso, o aumento do custo de vida fez com que muitos trabalhadores deixassem de enxergar o emprego formal como a opção mais vantajosa.

“Hoje, no meu setor gastronômico, você ganha mais fazendo a entrega da comida do que fazendo a comida”, destaca.

Grupo mantém 53 vagas abertas

Mesmo diante das dificuldades para contratar, o Uani Group segue em busca de novos profissionais e, atualmente, mantém 53 vagas abertas para diferentes funções nos restaurantes da rede.

As oportunidades são para atuação nas unidades do Wine Garden (Shopping Vitória, Vila Velha e Praia do Canto), Balthazar, Aleixo, Canto do Vinho, Tomatto Vitória, Tomatto Vila Velha, Casa di Luiza, Bacco e Pirão.

As vagas disponíveis são para:

2 chefs de cozinha;

15 cozinheiros;

12 auxiliares de cozinha;

12 auxiliares de serviços gerais;

12 profissionais de pia;

Segundo Cervini, os cargos da base operacional continuam sendo os mais difíceis de preencher, mesmo com a oferta constante de oportunidades.

Informalidade e mudança de perfil pesam na contratação

Na avaliação do chefe executivo do Uani Group, o mercado de trabalho passou por uma mudança significativa nos últimos anos.

Para ele, as novas gerações passaram a valorizar mais a flexibilidade, a qualidade de vida e o ambiente de trabalho, enquanto atividades informais e aplicativos de entrega oferecem ganhos imediatos e horários mais flexíveis.

“Hoje uma diária informal é de R$ 150, R$ 200 ou R$ 300, dependendo de onde. Não tem como competir contra a informalidade hoje em dia”, disse.

Ele afirma que as maiores dificuldades estão justamente nas funções que sustentam a operação diária dos restaurantes.

“Hoje em dia, o cargo mais difícil para preencher são os cargos da base da pirâmide: auxiliar de serviços gerais, pia e auxiliar de cozinha”, destacou.

Segundo Cervini, muitos jovens acabam optando por trabalhar com entregas por aplicativo em vez de iniciar uma carreira na gastronomia, o que reduz ainda mais a oferta de profissionais para cozinhas e equipes de apoio.

Setor aposta em qualificação e retenção de profissionais

Para Rodrigo Vervloet, apesar dos desafios, o setor continua sendo uma importante porta de entrada para o mercado de trabalho.

Segundo ele, a alimentação fora do lar segue gerando empregos e entidades representativas têm investido em ações de capacitação para formar novos profissionais e fortalecer a gastronomia capixaba.

*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos

Fonte: Folha Vitória

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