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Inverno aumenta o risco de infecções oportunista; veja como proteger o organismo

Saiba por que as infecções oportunistas aumentam no inverno, quais são as mais comuns e como fortalecer o organismo

Por Redação em 31/07/2026 às 09:01:07
Imagem de magnific

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Com a chegada do inverno, é comum observar um aumento no número de pessoas com dor de garganta, nariz entupido, sinusite, otite, aftas, herpes labial e outras infecções que acometem a região da cabeça e do pescoço. Muitas vezes, essas doenças são atribuídas simplesmente ao frio.

No entanto, a ciência mostra que as baixas temperaturas, por si só, não causam infecções. O que ocorre é uma combinação de fatores ambientais, comportamentais e biológicos que favorece a transmissão de microrganismos e reduz temporariamente a capacidade de defesa das mucosas respiratórias.

Por que as infecções aumentam no inverno?

Durante os meses frios, passamos mais tempo em ambientes fechados, com pouca circulação de ar e maior proximidade entre as pessoas. Esse cenário facilita a disseminação de vírus respiratórios, como influenza, rinovírus, vírus sincicial respiratório e coronavírus, além de favorecer a transmissão de algumas bactérias responsáveis por infecções das vias aéreas superiores.

Ao mesmo tempo, o ar mais frio e seco resseca as mucosas do nariz, da boca e da garganta, comprometendo um dos principais mecanismos naturais de proteção do organismo.

As mucosas que revestem o nariz e as vias respiratórias funcionam como uma barreira física e imunológica. Elas produzem muco, que retém partículas inaladas, e possuem cílios microscópicos que transportam essas secreções em direção à garganta para sua eliminação.

Quando o ambiente está muito seco, essa barreira perde eficiência. O muco torna-se mais espesso, o movimento dos cílios diminui e vírus e bactérias encontram maior facilidade para aderir aos tecidos e iniciar uma infecção.

Nariz e garganta estão entre as regiões mais afetadas

Na região da cabeça e do pescoço, uma das primeiras estruturas afetadas costuma ser o nariz. Crises de rinite alérgica tornam-se mais frequentes no inverno devido ao aumento da exposição a ácaros, poeira doméstica, cobertores, tapetes e ambientes pouco ventilados. A inflamação da mucosa nasal provoca congestão e dificulta a respiração pelo nariz. Como consequência, muitas pessoas passam a respirar pela boca, principalmente durante o sono.

A respiração oral reduz a umidificação natural do ar inspirado e favorece o ressecamento da cavidade bucal e da garganta. Esse processo aumenta o desconforto ao acordar, favorece o mau hálito e pode facilitar infecções oportunistas, especialmente em indivíduos mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Outro problema comum nessa época do ano é a sinusite. Em muitos casos, ela começa após uma infecção viral das vias aéreas superiores. A inflamação dificulta a drenagem dos seios da face, permitindo o acúmulo de secreções. Esse ambiente favorece a proliferação de bactérias e pode resultar em dor facial, sensação de pressão na testa e nas maçãs do rosto, secreção nasal espessa e redução do olfato.

Embora a maioria dos resfriados seja causada por vírus, a persistência ou piora dos sintomas deve ser avaliada por um profissional de saúde para diferenciar uma infecção viral de uma infecção bacteriana.

A garganta também merece atenção. As faringites e amigdalites podem ser provocadas tanto por vírus quanto por bactérias. Na maioria dos casos, os quadros virais melhoram espontaneamente com hidratação, repouso e controle dos sintomas. Já algumas infecções bacterianas, como aquelas causadas pelo Streptococcus pyogenes, podem necessitar de tratamento específico para reduzir o risco de complicações.

Por isso, o uso de antibióticos nunca deve ser feito por conta própria, pois além de ser ineficaz contra vírus, contribui para o aumento da resistência bacteriana, um dos maiores desafios da medicina moderna.

Aftas, candidíase e herpes também são mais comuns

Na cavidade bucal, o inverno também favorece algumas alterações. A redução da ingestão de água e a respiração pela boca podem diminuir a lubrificação proporcionada pela saliva. Como a saliva possui proteínas antimicrobianas e desempenha papel importante na proteção dos tecidos, sua diminuição favorece o surgimento de infecções oportunistas, especialmente em pessoas que utilizam medicamentos que reduzem o fluxo salivar ou apresentam doenças sistêmicas.

É nesse contexto que podem surgir infecções fúngicas, como a candidíase oral, causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans, normalmente presente na boca sem provocar doença. Quando ocorre desequilíbrio do sistema imunológico, uso prolongado de antibióticos, próteses mal adaptadas ou diminuição da saliva, esse microrganismo pode proliferar e provocar placas esbranquiçadas, ardência e desconforto para se alimentar.

O herpes labial também merece destaque. O vírus herpes simples tipo 1 permanece latente no organismo após a infecção inicial e pode ser reativado por diferentes fatores, incluindo estresse, infecções respiratórias, febre, privação de sono e alterações imunológicas temporárias.

As pequenas bolhas dolorosas que surgem nos lábios representam uma reativação do vírus, e não uma nova infecção. Durante essa fase, é importante evitar compartilhar copos, talheres, toalhas e manter contato direto com a lesão para reduzir o risco de transmissão.

Como fortalecer as defesas do organismo

A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e proteínas, garante o fornecimento adequado de vitaminas e minerais importantes para o funcionamento do sistema imunológico.

A hidratação também merece atenção, mesmo quando a sensação de sede diminui no inverno. Dormir bem é outro fator essencial, pois estudos demonstram que a privação de sono compromete a resposta imunológica e aumenta a suscetibilidade às infecções.

Medidas simples, como lavar as mãos com frequência, manter os ambientes ventilados, evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal, controlar adequadamente doenças alérgicas e manter a vacinação em dia, reduzem significativamente o risco de infecções respiratórias. Além disso, pessoas com rinite devem tratar adequadamente a obstrução nasal para evitar a respiração pela boca e suas consequências.

Quando é hora de procurar atendimento médico?

Por fim, é importante lembrar que nem toda dor de garganta, ferida na boca ou aumento de volume no pescoço é consequência de uma infecção comum. Procure atendimento quando:

Sintomas persistentes por mais de duas semanas;

Dificuldade importante para engolir;

Aumento progressivo de linfonodos;

Feridas que não cicatrizam.

O diagnóstico precoce permite identificar não apenas infecções mais graves, mas também outras doenças que podem se manifestar inicialmente na região da cabeça e do pescoço.

Cuidar da saúde durante o inverno vai muito além de vestir um casaco. Proteger as vias respiratórias, manter bons hábitos de higiene, preservar a hidratação e fortalecer o organismo por meio de um estilo de vida saudável são atitudes que ajudam a reduzir o risco de infecções oportunistas e contribuem para uma melhor qualidade de vida em qualquer estação do ano.

Fonte: Folha Vitória

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