Marcar uma consulta, conseguir a autorização do convênio, retirar exames e agendar o retorno médico são etapas que fazem parte da rotina da saúde de milhões de brasileiros. Em muitos casos, porém, esses processos ainda representam tempo de espera, deslocamentos e burocracias que podem dificultar o acesso ao cuidado. Para enfrentar esse desafio, hospitais capixabas vêm investindo em soluções tecnológicas capazes de tornar a jornada do paciente mais simples, ágil e integrada.
Hospitais investem em tecnologia e já começam a impactar etapas que vão do agendamento de consultas à entrega de resultados de exames, reduzindo burocracias e permitindo que profissionais de saúde concentrem mais tempo no atendimento e menos em tarefas administrativas.
Na Rede Meridional, da Kora Saúde, um dos projetos em desenvolvimento utiliza recursos tecnológicos para automatizar o processo de agendamento e autorização de consultas e exames antes mesmo da chegada do paciente à unidade.
Segundo o diretor Corporativo de Operações da Kora Saúde e da Rede Meridional, Márcio Machado, a proposta é reduzir etapas que tradicionalmente aumentam o tempo de permanência nas recepções. “A gente está colocando inteligência artificial no canal de agendamento de consultas e exames. Depois, via inteligência artificial, garantimos a autorização prévia do procedimento ou da consulta. Assim, quando o paciente chega à recepção, seu atendimento já está devidamente agendado e autorizado pela operadora, reduzindo o tempo de espera e permitindo um acesso mais rápido ao consultório ou à sala de exames”, explica.
Atualmente, o projeto funciona em fase piloto no Espírito Santo e deve ser ampliado para outras unidades da rede.
Tecnologia a favor do diagnóstico
Outra frente de transformação envolve a comunicação com os pacientes após a realização dos exames.
Na Rede Meridional, os resultados de exames de imagem podem ser enviados diretamente para o celular do paciente, juntamente com os respectivos laudos, mediante autorização para compartilhamento dos dados conforme as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Além da entrega digital, o sistema também auxilia na continuidade do acompanhamento médico, sugerindo consultas de retorno e facilitando o acesso ao especialista mais adequado para cada caso.
O foco continua sendo o paciente
Embora a digitalização avance em diferentes etapas da assistência, especialistas destacam que o objetivo não é substituir profissionais de saúde, mas tornar os processos mais eficientes.
Se, por um lado, a tecnologia tem simplificado processos administrativos e reduzido etapas burocráticas, por outro ela também vem sendo incorporada diretamente à assistência, apoiando diagnósticos, procedimentos e tomadas de decisão clínicas.
No Hospital Santa Rita, por exemplo, os investimentos envolvem desde cirurgia robótica até ferramentas de inteligência artificial voltadas ao atendimento de pacientes com suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC), situação em que a rapidez no diagnóstico pode ser decisiva para o prognóstico.
Segundo a instituição, a tecnologia também tem sido utilizada como suporte à decisão clínica, auxiliando as equipes na análise de dados e evidências científicas para tornar o atendimento mais seguro e assertivo. “Hoje contamos com o robô Da Vinci para cirurgias, ferramenta de IA para atendimento a pacientes com suspeita de AVC, porque sabemos que cada minuto conta nesses casos e isso pode ser a diferença entre uma recuperação completa e uma sequela permanente”, destaca Daniela Goldner, diretora técnica do Hospital Santa Rita.
Automação de processos internos
Outra frente de investimento é a automação de processos internos. Robôs passaram a realizar o transporte intra-hospitalar de materiais, permitindo que profissionais assistenciais direcionem mais tempo às atividades relacionadas ao cuidado direto dos pacientes.
“Não vemos tecnologia como algo isolado. Ela caminha junto com a formação das nossas equipes e com a pesquisa que fazemos aqui dentro. No fim das contas, tudo isso existe para um propósito só: oferecer o melhor cuidado possível para quem passa pelo Hospital Santa Rita”, ressalta a diretora.
Folha Vitória