Foto: Reprodução/TV Vitória
Um casal e uma terceira pessoa são suspeitos de envolvimento em um caso de extorsão mediante sequestro, cárcere privado, tortura e roubo durante uma operação realizada na manhã desta quarta-feira (22), em Cariacica e Viana.
As três vítimas foram atraídas para uma falsa negociação imobiliária em abril deste ano e mantidas em cárcere enquanto eram agredidas e obrigadas a pagar resgate.
Durante a ação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. O casal foi preso em uma residência no bairro São Geraldo, em Cariacica, onde os policiais apreenderam armas de fogo, munições, drogas, celulares e um facão. O terceiro suspeito também foi detido.
Segundo a Polícia Civil, outras duas pessoas ainda são procuradas por participação no crime.
Vítimas foram atraídas para falsa negociação de imóvel
De acordo com a investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de Viana, o crime ocorreu em 20 de abril de 2026, no bairro Areinha, em Viana.
As vítimas foram convidadas para uma suposta negociação de compra de um imóvel. No local, conforme a polícia, elas foram surpreendidas por homens armados, rendidas e mantidas em cárcere privado.
Segundo o delegado Ygor Pereira, titular da delegacia responsável pelo caso, uma das vítimas sofreu as agressões mais graves.
Ela teve cinco dentes quebrados, sofreu facadas na perna e na cabeça, foi amarrada com lacres plásticos e permaneceu horas em cárcere enquanto os autores faziam ameaças e exigiam dinheiro da família para o resgate.
Ainda conforme a investigação, além do pagamento em dinheiro, um veículo foi entregue aos criminosos e posteriormente transferido para o nome de um dos suspeitos.
Motivação estaria ligada a suposto golpe imobiliário
A Polícia Civil informou que os investigados alegaram ter sido vítimas de um suposto golpe aplicado por um corretor de imóveis, que também está entre as vítimas do sequestro.
Segundo o delegado, o casal teria adquirido uma carta de crédito de R$ 100 mil e antecipado R$ 40 mil para a negociação. Posteriormente, teria descoberto que o imóvel apresentado não estava à venda.
Para a polícia, porém, a suposta fraude não justifica a prática dos crimes.
Segundo eles, a motivação foi recuperar os R$ 40 mil perdidos. No entanto, ultrapassaram qualquer limite legal ao planejar e executar o sequestro das vítimas.
A Polícia Civil informou que eventuais responsabilidades relacionadas ao suposto golpe imobiliário serão apuradas em investigação própria.
Arsenal foi apreendido durante operação
Na residência dos investigados, os policiais apreenderam:
O material foi encaminhado para perícia e deve integrar o inquérito policial.
Dois suspeitos seguem foragidos
As investigações identificaram quatro executores do crime. Um deles, filho da mulher presa, teve mandado de prisão expedido, mas ainda não foi localizado.
Além dele, a polícia tenta identificar um quarto participante que também teria atuado diretamente no sequestro.
Suspeitos responderão por diversos crimes
O casal preso responderá, segundo a Polícia Civil, pelos crimes de:
extorsão mediante sequestro qualificada pela lesão corporal grave;
sequestro;
cárcere privado qualificado;
roubo majorado;
porte ilegal de arma de fogo.
Após os procedimentos na delegacia, os presos foram encaminhados ao sistema prisional.
A investigação também aponta que o homem apontado como líder do grupo possui antecedentes criminais e condenações por homicídio e uso de documento falso. Já o terceiro suspeito preso havia deixado recentemente o sistema prisional, onde cumpria pena por tráfico de drogas.
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos, com informações da repórter Eduarda Neves, da TV Vitória/Record
Fonte: Folha Vitória