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Bordadeiras de Burarama transformam memórias em arte e fortalecem turismo cultural no Sul do ES

Com cinco décadas de trajetória, o grupo mantém viva uma tradição que atravessa gerações e demonstra que cada bordado pode guardar muito mais do que desenhos O post Bordadeiras de Bur

Por Redação em 22/07/2026 às 17:01:03
Bordado como terapia e transformação pessoal

Bordado como terapia e transformação pessoal

No distrito de Burarama, em Cachoeiro de Itapemirim, a tradição do bordado ganhou um novo significado ao transformar histórias de vida em peças artesanais.

Com cinco décadas de trajetória, o grupo mantém viva uma tradição que atravessa gerações e demonstra que cada bordado pode guardar muito mais do que desenhos: preserva histórias, fortalece identidades e transforma a memória coletiva em patrimônio cultural.

As Meninas Bordadeiras de Burarama utilizam linhas, tecidos e agulhas para retratar lembranças da infância, da família e da cultura local, unindo patrimônio imaterial, identidade e geração de renda.

A origem do grupo remonta a 1973, quando a bordadeira Mariângela Fassarela, então com 19 anos, começou a ensinar bordado para crianças da vizinhança dentro de casa, ao lado da mãe.

“Em 2004, bordando com as crianças, nós juntos escolhemos Meninas Bordadeiras, o nome, e depois, em 2015, nós passamos a ser ponto de memória, como se fosse um museu vivo. A gente tem os acervos nossos, é tudo resgatando memórias”, explicou.

Para muitas integrantes, o bordado também representa transformação pessoal. A bordadeira Maria Lúcia Gava, por exemplo, conta que ingressou no grupo em 1982, em um momento delicado da vida.

“Em 1982, foi onde eu entrei no bordado. E eu estava no processo de entrar na depressão, e isso me fez muito bem, muito bem mesmo. Aí eu fui para a educação, trabalhei na educação, me aposentei e retornei para o bordado. Então, o bordado, para mim, é vida. E eu aconselho a qualquer um, não só mulheres, como homens, crianças, porque é uma terapia”, afirma a bordadeira.

As memórias bordadas vão além das histórias familiares. A bordadeira Eunice Fassarela explica que as inspirações surgem das brincadeiras de infância, dos sons da natureza e das experiências vividas em Burarama.

“As nossas brincadeiras de criança. E cada um tem uma lembrança. Aí, os sons da natureza. A gente ouvia muito, era o sapinho cantando à noite ou gritando, não sei que forma ele se expressa, mas, assim, são coisas nossas que a gente vivenciou e aí a gente transfere para o pano”, relata.

Coleção Corações

O trabalho das artesãs ganhou novo impulso com a criação da coleção Corações, iniciativa promovida pelo Sebrae, que busca conectar artesanato, moda e turismo. Além de preservar a tradição, o projeto valoriza peças exclusivas que contam histórias individuais e do território, ampliando as oportunidades de comercialização.

A analista técnica do Sebrae-ES, Luciana Nogueira, destaca que o apoio da instituição vai além do aperfeiçoamento das técnicas artesanais. Segundo ela, as artesãs receberam orientação em gestão e precificação para agregar valor aos produtos.

“Além do valor material, existe um valor agregado muito grande nessas peças. São peças diferenciadas, exclusivas, muitas vezes até feitas sob encomenda, porque contam a história daquela pessoa que está encomendando, não só a história do território”, destaca.

Para o gerente regional do Sebrae, Evair Segueto, iniciativas como essa fortalecem a identidade local e criam experiências capazes de impulsionar o turismo.

“Quando a gente encontra a cultura valorizando a identidade local e ainda as pessoas que querem fazer isso, já temos um produto turístico pronto. Então, nós aproveitamos essa oportunidade, alavancamos, valorizamos, estamos dando visibilidade para que as pessoas conheçam ainda mais esse projeto e a história de cada uma delas está sendo contada no bordado”, explica o gerente regional do Sebrae.

Turismo de experiência

O superintendente do Sebrae-ES, Pedro Rigo, ressalta que o projeto integra outras iniciativas de desenvolvimento da região, conectando as Meninas Bordadeiras a atrativos como comunidades quilombolas e a Floresta Nacional.

Segundo ele, o objetivo é ampliar o tempo de permanência dos visitantes e fortalecer a economia local por meio do turismo de experiência.

“Esse é um projeto que o Sebrae adotou aqui na região, em Cachoeiro, Burarama e Monte Líbano, conectando a comunidade quilombola, a Floresta Nacional e essa riqueza que são as Meninas Bordadeiras de Burarama. Elas fazem parte da cultura, da história e do turismo também. Ajudam a fixar o turista, porque ele quer novidade, quer curiosidade, quer vivenciar essas experiências”, ressaltou.

Além de preservar a tradição do bordado, o Sebrae também contribui para transformar o artesanato em uma oportunidade de geração de renda para as artesãs, com apoio técnico e ações voltadas ao desenvolvimento do turismo regional.

“O Sebrae, de fato, não apenas se encanta com o trabalho das meninas, mas também oferece suporte técnico e motivação para que elas possam, além de desenvolver a sua arte, gerar renda, gerar riqueza e conectar esse trabalho maravilhoso ao turismo aqui na região de Cachoeiro”, afirmou.

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Fonte: Portal Aqui Noticias

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