Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha foi demitido da Ufes em 2019, após uma acusação de racismo que aconteceu em 2014, e foi preso nesta terça-feira (21) por violência doméstica. Foto: Reprodução.
O ex-professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha, de 74 anos, foi preso em flagrante por lesão corporal com base na Lei Maria da Penha após uma ocorrência de violência doméstica em Vitória. Ele ficou conhecido nacionalmente após ser demitido da universidade, em 2019, por declarações consideradas racistas feitas durante uma aula.
A prisão ocorreu na terça-feira (21), em um apartamento do casal no bairro Morada de Camburi. Segundo informações da TV Vitória/Record, o próprio idoso acionou a Polícia Militar alegando que a companheira estaria em surto dentro do imóvel. No entanto, ao chegar ao local, os policiais ouviram uma versão diferente da mulher.
Ela relatou aos militares que havia sido agredida pelo companheiro no dia anterior. Diante da denúncia, os dois foram levados à Delegacia Regional de Vitória para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil informou que o suspeito foi autuado em flagrante.
“O suspeito, de 74 anos, conduzido à Delegacia Regional de Vitória, foi autuado em flagrante por lesão corporal na forma da Lei Maria da Penha e encaminhado ao sistema prisional”, informou a corporação.
Procurada pela reportagem, a Ufes informou que Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha não possui mais vínculo com a instituição. O ex-professor foi demitido definitivamente da universidade em fevereiro de 2019, após um processo administrativo e judicial que se estendeu por mais de quatro anos.
A reportagem do Folha Vitória tenta contato com a defesa do ex-professor. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
Relembre o caso de racismo
O caso teve início em 2014, quando Manoel Luiz Malaguti fez declarações durante uma aula afirmando que preferiria ser atendido por um médico ou advogado branco em vez de um negro. Na época, ele também criticou o sistema de cotas raciais nas universidades e declarou ao Folha Vitória que não se arrependia das afirmações.
Inicialmente demitido pela Ufes em 2014, o professor conseguiu retornar ao cargo por meio de uma decisão liminar da Justiça. Posteriormente, a decisão foi revertida e a demissão definitiva foi publicada no Diário Oficial da União em fevereiro de 2019.
A decisão judicial que manteve a exoneração teve como fundamento o artigo 132, inciso V, da Lei nº 8.112/90, que prevê demissão por “incontinência pública e conduta escandalosa na repartição”.
Agora, sete anos após deixar a universidade, o ex-professor volta a ser alvo de investigação, desta vez por um caso de violência doméstica.
Fonte: Folha Vitória