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*Artigo escrito por Hêrika Facchinetti Rocha, psicóloga, especialista em Avaliação Psicológica e Gestão de RH. Atua como supervisora de Recursos Humanos pela Mediatorie Administradora de Benefícios
Muito se fala sobre a importância da atividade física, da alimentação equilibrada e de outros cuidados relacionados à saúde. O acesso à informação nunca foi tão amplo. Ainda assim, os indicadores mostram que transformar conhecimento em hábitos permanentes continua sendo um desafio para grande parte da população.
Os números ajudam a compreender essa realidade. Dados do Ministério da Saúde mostram que 62,6% dos brasileiros apresentam excesso de peso.
A obesidade, por sua vez, mais do que dobrou nas últimas duas décadas, passando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.
O crescimento desses índices ocorre ao mesmo tempo em que aumentam os casos de doenças crônicas associadas ao estilo de vida, como diabetes e hipertensão.
Esse cenário não pode ser analisado apenas sob a perspectiva individual. Embora as escolhas pessoais tenham papel importante, os hábitos são influenciados pelas condições que cercam as pessoas em seu dia a dia.
A rotina acelerada, as longas jornadas de trabalho, o excesso de tempo diante das telas e a dificuldade de conciliar compromissos profissionais e pessoais acabam reduzindo o espaço destinado ao autocuidado.
A prática regular de atividade física é um exemplo claro dessa dificuldade. Os benefícios são amplamente reconhecidos pela ciência.
Exercitar-se contribui para a prevenção de doenças cardiovasculares, auxilia no controle do peso corporal, melhora a capacidade funcional e está associado a melhores indicadores de saúde mental.
Mesmo assim, muitas pessoas encontram dificuldades para manter uma rotina ativa ao longo do tempo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a inatividade física como um dos principais fatores de risco para doenças crônicas e mortalidade precoce.
Segundo a entidade, pessoas sedentárias apresentam risco de morte entre 20% e 30% maior em comparação com aquelas que praticam atividade física regularmente.
A alimentação segue lógica semelhante. Em um contexto marcado pela praticidade dos alimentos ultraprocessados e pela falta de tempo para o planejamento das refeições, fazer escolhas mais saudáveis exige organização, disciplina e, muitas vezes, apoio.
Por isso, iniciativas de educação alimentar costumam apresentar melhores resultados quando acompanhadas por estratégias que favorecem a mudança de comportamento no longo prazo.
É nesse ponto que o ambiente de trabalho passa a ter papel relevante. Afinal, grande parte do tempo dos adultos é dedicada às atividades profissionais.
As empresas têm percebido que a promoção da saúde não deve ser encarada apenas como um benefício complementar, mas como parte de uma cultura organizacional voltada ao bem-estar e à qualidade de vida.
Nos últimos anos, cresceu o número de organizações que investem em programas voltados à alimentação saudável, à prática de atividade física e à conscientização sobre hábitos de vida.
Essas iniciativas buscam criar condições para que os colaboradores consigam incorporar comportamentos mais saudáveis à rotina, tornando a mudança mais viável e sustentável.
Na administradora de benefícios Mediatorie, essa compreensão deu origem ao projeto Mova-se, uma iniciativa que incentiva a adoção de hábitos saudáveis por meio de ações voltadas à atividade física, à alimentação equilibrada e ao acompanhamento dos participantes ao longo de um período de 60 dias.
A proposta parte de uma premissa simples: mudanças consistentes tendem a ocorrer quando existe incentivo, acompanhamento e um ambiente favorável para que novos hábitos sejam construídos.
Mais do que alcançar resultados imediatos, o objetivo é estimular comportamentos que possam ser mantidos ao longo do tempo. Como diz o ditado: é melhor prevenir do que remediar. E investir na saúde dos colaboradores essencial para qualquer empreendimento.
A experiência prática e as evidências científicas apontam que os benefícios mais duradouros surgem quando as mudanças acontecem de forma gradual e compatível com a realidade das pessoas.
A discussão sobre saúde e qualidade de vida continuará ocupando espaço cada vez maior nas organizações e na sociedade.
Diante do avanço das doenças crônicas e dos desafios impostos pelo estilo de vida contemporâneo, promover hábitos saudáveis deixa de ser apenas uma recomendação individual e passa a ser uma responsabilidade compartilhada entre pessoas, empresas e instituições.
Criar condições para que essas escolhas sejam possíveis é um passo importante para enfrentar um dos principais desafios de saúde pública da atualidade.
Fonte: Folha Vitória