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76 mil carros: corrida contra alta de imposto leva importações pelo ES a recorde histórico

ES importou 76.887 automóveis de passageiros, o equivalente a US$ 1,448 bilhão (R$ 7,4 bilhões) porque esse junho foi o último mês antes da recomposição do imposto de importação sob

Por Redação em 07/07/2026 às 05:00:49
Pátio do Centro Automotivo no Contorno: marcas aproveitaram para antecipar importações. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

Pátio do Centro Automotivo no Contorno: marcas aproveitaram para antecipar importações. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

Junho de 2026 ficará marcado como um divisor de águas para o comércio exterior do Espírito Santo. Não apenas porque o Estado importou 76.887 automóveis de passageiros, o equivalente a US$ 1,448 bilhão (R$ 7,4 bilhões) , mas porque esse foi o último mês antes da nova etapa de recomposição do imposto de importação sobre veículos eletrificados. Desde 1º de julho passou a valer o importo de 35%. O mercado sabia que o custo aumentaria. Por isso, antecipou embarques, acelerou desembaraços e transformou junho no maior mês da história para as importações de carros pelo Espírito Santo.

O efeito aparece de forma clara nos dados do Comex Stat e depurados pelo Sindiex. Os automóveis de passageiros responderam por 63,2% de todas as importações capixabas em junho. No acumulado do semestre, foram 214.731 veículos e US$ 3,96 bilhões (R$ 20,3 bilhões), participação equivalente a 44,6% da pauta estadual. Quando entram na conta os veículos de carga e usos especiais, o setor automotivo passa a representar 57,3% de tudo o que o Espírito Santo importou entre janeiro e junho. Poucos segmentos exercem tamanho peso sobre a economia estadual.

Protagonismo do ES permanece

A evolução mensal explica o comportamento do mercado. Janeiro registrou pouco mais de 14 mil veículos. Fevereiro repetiu praticamente o mesmo volume. Março dobrou esse patamar. Maio já mostrou uma corrida antecipada. Então veio junho, com quase 77 mil unidades, um salto que dificilmente aconteceria sem a pressão provocada pelo calendário tributário.

O movimento faz sentido econômico. Importadoras e montadoras anteciparam nacionalizações para aproveitar a alíquota menor. Cada veículo internalizado antes de julho preservou margem, reduziu custo e aumentou competitividade. Em importações que envolvem milhares de automóveis, uma diferença de poucos pontos percentuais na tributação representa dezenas de milhões de reais. A conta é simples: importar antes custava menos.

O perfil dos veículos reforça essa leitura. Os híbridos plug-in lideraram o desembarque, com 32.174 unidades. Os elétricos vieram logo atrás, com 24.687 veículos, enquanto os híbridos convencionais alcançaram 17.444 unidades. Ou seja, justamente os modelos mais impactados pela recomposição gradual do imposto puxaram o recorde histórico de importações.

A tendência agora muda de direção. O volume observado em junho dificilmente se repetirá nos próximos meses. Parte da demanda do segundo semestre foi antecipada para aproveitar a janela tributária. Isso deve provocar uma acomodação natural das importações. Quem analisar apenas julho ou agosto poderá concluir, de forma equivocada, que o mercado esfriou. Na prática, uma parcela importante das compras já entrou no país.

Isso, porém, não significa perda de protagonismo para o Espírito Santo. Muito pelo contrário. O Estado consolidou uma vantagem competitiva que vai muito além do imposto. Os portos especializados, a eficiência operacional, a rede de centros de distribuição, a experiência dos operadores logísticos. Bem como a proximidade com as principais rotas de distribuição nacional continuam sendo ativos difíceis de replicar.

A decisão sobre onde importar deixou de depender apenas do incentivo tributário e passou a considerar custo logístico, velocidade e previsibilidade.

O futuro, portanto, tende a ser diferente, mas não menor. O Espírito Santo provavelmente deixará de registrar picos extraordinários como o de junho, provocados por mudanças regulatórias. Em compensação, deve consolidar um fluxo mais estável e sofisticado de importações, impulsionado pela chegada de novas montadoras chinesas, pela expansão dos veículos eletrificados e pela maturidade da cadeia logística instalada no Estado.

Junho encerrou uma fase de vantagem tributária. Ao mesmo tempo, mostrou que o Espírito Santo já construiu outra vantagem, mais importante e duradoura. Tornou-se o principal hub brasileiro para a importação de veículos.

Fonte: Folha Vitoria

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