O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode ampliar em até US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) as exportações brasileiras para o bloco nos próximos 12 meses. Segundo estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o dado contabiliza os potenciais negócios com produtos que já tiveram as tarifas zeradas desde maio.
Foram mapeadas 543 oportunidades comerciais a partir da redução tarifária imediata de cerca de 5 mil produtos nacionais.
A União Europeia importa cerca de US$ 3 trilhões (R$ 15,5 trilhões) por ano e responde por 14% das exportações brasileiras.
“O acordo envolve 9.500 produtos, sendo que 5 mil já estão com tarifa zero. Nosso papel é apoiar empresas, produtores e cooperativas a se prepararem para exportar, especialmente pequenas e médias”, afirmou Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.
As projeções tiveram detalhamento durante o evento Conexões Produtivas: Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia, realizado em São Paulo na última semana.
A iniciativa é promovida pela ApexBrasil, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
“Informação, inteligência comercial e preparação técnica serão decisivos para transformar a abertura tarifária em negócios concreto””, destacou Maria Paula Velloso, diretora de Negócios da ApexBrasil.
Para apoiar exportadores nessa jornada, a ApexBrasil lançou o Painel Acordo Mercosul-União Europeia, ferramenta para ajudar empresas a identificar oportunidades por produto, tarifa, mercado e concorrência.
Os números já mostram mudança na rota comercial. Enquanto as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões), as vendas para a União Europeia cresceram US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões), para a Índia avançaram US$ 1,7 bilhão (R$ 8,8 bilhões) e para a China aumentaram US$ 8 bilhões (R$ 41,5 bilhões).
Em São Paulo, a UE é o terceiro maior destino das exportações estaduais, atrás de Estados Unidos e China. Em 2025, o estado embarcou US$ 8,7 bilhões (R$ 45,1 bilhões) para a UE, o equivalente a 12,2% das vendas externas paulistas.
O caso do limão-taiti já aparece como um dos primeiros exemplos concretos dos efeitos do acordo. Graziela Maria Tagliari Van Ham, sócia da Citrus Tree, destacou o produto, em disputa direta com México e Colômbia no mercado europeu, como um case em que a redução gradual das tarifas tende a ampliar a competitividade brasileira.
“Cada redução tarifária melhora nossa capacidade de negociação”, afirmou.
Tecnologia – Na indústria, como exemplo de tecnologia brasileira com potencial de expansão, passou pela apresentação da Bralyx Indústria e Comércio, fabricante de máquinas para salgados e doces.
Presente em mais de 70 países e com operação na Europa desde 2013, a empresa vê no acordo uma oportunidade para acelerar sua internacionalização, diz o sócio-proprietário Gilberto Poleto.
Segundo Roberto Rosa, diretor da Sogenave – companhia de distribuição e food service que atua há 50 anos no mercado europeu – a competitividade brasileira vai além do preço:
“A brasilidade pode ser um ativo competitivo importante”, destacou.
Há, ainda, valor estratégico no acordo. Aloysio Nunes Ferreira, chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil na União Europeia, afirmou que o acordo pode corrigir a concentração histórica da pauta exportadora brasileira em commodities, alimentos e energia, ampliando espaço para produtos industrializados e de maior valor agregado.
Na mesma linha, Márcio Elias Rosa, Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, afirma que o tratado deve ser visto como instrumento de fortalecimento industrial, com impacto em competitividade, inovação, emprego e renda.
Ao encerrar o evento, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou que, somados os acordos com União Europeia, Singapura e EFTA, permitirão ao Brasil ampliar de 12% para 31% sua corrente de comércio coberta por pactos comerciais preferenciais.
Folha Vitoria