O susto vivido pelo jornalista esportivo Alex Escobar durante a cobertura da Copa do Mundo chamou a atenção para os efeitos que situações de calor intenso, desidratação e esforço prolongado podem provocar no organismo. O apresentador passou mal durante uma entrada ao vivo e apresentou dificuldade para falar, o que gerou preocupação entre colegas e telespectadores.
Após o episódio, Escobar usou as redes sociais para tranquilizar o público. Em uma publicação, afirmou que está bem e sem sintomas.
Tive dificuldade para falar, negócio muito doido, mas não tive confusão mental, tontura, nada além de não conseguir pronunciar bem as palavras”, escreveu. O jornalista também informou que passou por diversos exames e segue realizando avaliações médicas para esclarecer a causa do quadro.
Alex Escobar em postagem nas redes sociais
De acordo com informações divulgadas pela equipe médica que o acompanha, os exames realizados até o momento não identificaram alterações neurológicas agudas. A avaliação inicial apontou uma elevação importante da pressão arterial no momento do episódio, conhecido como pico de pressão.
O que são os picos de pressão?
Os picos de pressão são elevações repentinas da pressão arterial e podem durar minutos ou horas. Segundo o cardiologista Carlos Eduardo Zanoni, professor do curso de Medicina da Uniderp, eles são comumente associados ao contexto de desgaste físico, altas temperaturas e rotina intensa de trabalho durante a cobertura esportiva.
De acordo com o especialista, o calor intenso faz com que o corpo trabalhe mais para manter a temperatura adequada, aumentando a sobrecarga sobre diversos sistemas do organismo.
“Quando somos expostos a temperaturas muito elevadas, ocorre uma dilatação dos vasos sanguíneos e uma maior perda de líquidos e sais minerais através do suor. Isso pode provocar queda da pressão arterial, tontura, fraqueza, dor de cabeça, náuseas e até desmaios. Em casos mais graves, a pessoa pode desenvolver exaustão pelo calor ou uma insolação, que é uma condição potencialmente perigosa e exige atendimento médico imediato”, explica.
Entidades de meteorologia dos Estados Unidos preveem uma combinação de calor extremo e fortes tempestades em diversas regiões americanas nas próximas semanas, com termômetros variando entre 32°C e 38°C.
Entre os principais sinais de que o calor está afetando o organismo estão:
Tontura ou sensação de desmaio;
Batimentos cardíacos acelerados;
Pele muito quente e avermelhada;
Redução da transpiração mesmo sob calor intenso.
Segundo Zanoni, o maior risco ocorre quando o organismo perde a capacidade de controlar adequadamente a própria temperatura.
“A temperatura corporal pode ultrapassar os 40°C. Nesses casos, há risco de danos aos órgãos e a situação deve ser tratada como uma emergência médica”, alerta.
Para reduzir os riscos, a recomendação é manter uma hidratação constante, mesmo sem sentir sede, utilizar roupas leves e claras, evitar exposição direta ao sol nos horários mais quentes do dia, entre 10h e 16h, e buscar locais ventilados ou climatizados sempre que possível.
Muitas pessoas acreditam que apenas atletas ou trabalhadores braçais sofrem com o calor extremo, mas qualquer pessoa pode apresentar sintomas, especialmente em eventos ao ar livre, viagens ou situações de grande esforço físico e emocional. O importante é reconhecer os sinais precocemente e agir rapidamente.
Carlos Eduardo Zanoni, cardiologista e professor do curso de Medicina da Uniderp
Caso alguém apresente sintomas como confusão mental, perda de consciência ou dificuldade para respirar, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente e iniciar medidas para resfriar o corpo, levando a pessoa para um local sombreado e oferecendo líquidos, desde que ela esteja consciente.
Folha Vitória