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Com a chegada das temperaturas mais baixas, aumenta também o número de pessoas que sofrem com crises de asma e outros problemas respiratórios. Embora o frio não seja a causa direta da doença, ele cria condições que favorecem o agravamento dos sintomas, especialmente entre crianças, idosos e pacientes que já convivem com doenças respiratórias crônicas.
ORegistro Brasileiro de Asma Grave (Rebrag) estima que 20 milhões de brasileiros têm asma e, segundo a pneumologista e médica intensivista do Hospital Santa Rita, Dyanne Moyses Dalcomune, o ar frio e seco funciona como um importante gatilho para as crises asmáticas.
Os brônquios são os canais por onde o ar entra. O ar gelado e ressecado irrita essa mucosa e pode desencadear crises apenas por essa exposição. Além disso, aqui no Espírito Santo temos uma grande variação de temperatura ao longo do dia, o que também pode prejudicar os brônquios.
Dyanne Moyses Dalcomune, pneumologista e médica intensivista do Hospital Santa Rita
Por que a asma piora no frio?
Além das mudanças climáticas, outros fatores ajudam a explicar o aumento das crises durante o inverno. Ambientes fechados, menor circulação de ar e maior exposição a vírus respiratórios contribuem para o problema.
Outro agravante está dentro de casa. Cobertores, casacos e roupas guardadas por meses acabam acumulando poeira e ácaros, importantes desencadeadores de alergias respiratórias.
“Quando tiramos essas peças do armário, aumentamos a exposição aos ácaros. Para quem já tem asma ou rinite, isso pode ser suficiente para provocar uma crise”, destaca Dyanne.
A alergista e imunologista pediátrica Bruna Guaitolini, professora do Unesc, acrescenta que as baixas temperaturas também favorecem o ressecamento das vias aéreas, aumentando a sensibilidade do sistema respiratório.
Crianças e idosos precisam de atenção redobrada
As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis durante os períodos frios, principalmente aquelas que possuem asma alérgica.
“Em baixas temperaturas, crianças com asma não controlada podem apresentar agravamento importante dos sintomas. É fundamental manter o tratamento orientado pelo pediatra, realizar lavagem nasal frequente e manter o calendário vacinal atualizado”, orienta Bruna.
A especialista lembra ainda que o inverno coincide com uma maior circulação de vírus respiratórios, aumentando o risco de infecções que podem desencadear ou agravar crises asmáticas.
Os idosos também merecem atenção especial nesta época do ano. Com o envelhecimento natural do organismo, a resposta imunológica tende a ser menos eficiente, aumentando a suscetibilidade a infecções respiratórias.
“Os idosos possuem uma imunidade um pouco menor e ficam mais propensos a adquirir doenças como a gripe durante os períodos frios. Por isso, são considerados grupo prioritário nas campanhas de vacinação contra influenza”, explica Bruna.
Quando procurar ajuda imediatamente?
Alguns sinais indicam que a crise está se tornando grave e exigem avaliação médica urgente:
Dificuldade para falar ou se alimentar;
Lábios ou pele arroxeados;
Retração das costelas ao respirar;
Batimento das asas do nariz durante a respiração;
Sensação de sufocamento.
“Esses sintomas indicam comprometimento importante da respiração e não devem ser ignorados”, alerta Bruna.
Como reduzir o risco de crises no inverno?
Especialistas recomendam algumas medidas simples para atravessar o período de frio com mais segurança:
1. Mantenha o tratamento em dia
Um dos principais erros é utilizar as medicações apenas durante as crises.
“Os medicamentos de manutenção fortalecem as vias respiratórias e ajudam a prevenir episódios mais graves. O paciente não deve abandonar o tratamento prescrito pelo médico”, reforça Dyanne.
A vacinação contra gripe, Covid-19 e outras doenças respiratórias continua sendo uma das formas mais eficazes de proteção.
“Os vírus estão mais agressivos e encontram mais facilidade para provocar infecções em vias respiratórias já inflamadas. Manter o esquema vacinal atualizado é fundamental”, destaca a pneumologista.
3. Faça lavagem nasal regularmente
A hidratação das vias aéreas ajuda a reduzir o ressecamento provocado pelo frio e melhora a eliminação de secreções.
“O uso de soro fisiológico para lavagem nasal é uma medida simples que ajuda bastante na prevenção de sintomas”, orienta Bruna.
4. Reduza a exposição a ácaros
Antes de utilizar roupas, casacos e cobertores guardados, o ideal é lavá-los adequadamente.
Trocar roupas de cama semanalmente;
Evitar varrer os quartos, optando por pano úmido;
Não permitir que animais de estimação durmam sobre a cama;
Evitar produtos de limpeza com cheiro muito forte.
5. Mantenha a casa ventilada
Mesmo nos dias frios, é importante garantir a circulação de ar.
“A orientação é deixar a casa aberta e arejada durante o dia e fechar as janelas ao anoitecer, quando a temperatura começa a cair”, explica Bruna.
6. Tenha cuidado com o umidificador
Apesar de útil em algumas situações, o aparelho não deve permanecer ligado durante toda a noite.
“O uso prolongado pode favorecer o excesso de umidade e até piorar alguns quadros respiratórios”, alerta a especialista.
Fonte: Folha Vitória