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Justiça dá 30 dias para Apex pedir recuperação judicial após dívida chegar a R$ 975 milhões

Apex: 30 dias para levantar passivos. Foto: Thiago Soares/Folha VitóriaJuiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, entendeu que uma corrida de cr

Por Redação em 08/08/2026 às 01:00:26
Mês decisivo para a Apex

Mês decisivo para a Apex

A Apex Partners obteve nesta sexta-feira (7) uma liminar para proteger temporariamente as atividades do grupo. A decisão ocorre em meio à crise aberta após a identificação de inconsistências financeiras e o afastamento do presidente e fundador, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, bem como do diretor financeiro, Eduardo Siqueira. Na análise inicial do caso, o juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, considerou demonstrada a existência de R$ 975 milhões em passivo líquido consolidado e entendeu que uma corrida de credores poderia comprometer a continuidade dos negócios.

A decisão também estabelece que as empresas apresentem em 30 dias pedido de recuperação judicial, sob pena de perda imediata da eficácia da medida cautelar.

Na prática, a decisão cria um período de proteção para a empresa organizar suas contas. A Justiça suspendeu ações de execução e proibiu, durante esse prazo, medidas como retenções, arrestos, penhoras e outras formas de bloqueio de bens das empresas alcançadas pela liminar.

Isso não significa que as dívidas desapareceram ou foram perdoadas. A medida apenas impede que credores tentem receber individualmente e retirem recursos da companhia antes que a real situação financeira seja esclarecida.

Dívida cresceu R$ 562 milhões em 18 meses

Os números apresentados pela própria Apex no processo mostram o tamanho da deterioração. A dívida líquida consolidada passou de R$ 413 milhões, em janeiro de 2025, para R$ 975 milhões em junho de 2026. Ou seja, aumento de R$ 562 milhões em 18 meses.

Já o endividamento bruto provisoriamente apurado alcança R$ 985,6 milhões. Entre as principais posições identificadas estão R$ 452,1 milhões em debêntures, R$ 309,8 milhões em obrigações relacionadas a cashback de cerca de 1.600 posições de clientes, R$ 201,7 milhões em dívidas bancárias com aval e R$ 35,2 milhões em tributos correntes em atraso. A própria ação ressalta que esses números ainda são preliminares e precisam de confirmação.

Também há dúvidas sobre quanto dos ativos poderá efetivamente virar dinheiro para pagar compromissos. De uma carteira de R$ 261,5 milhões em ativos realizáveis, a estimativa interna indicava recuperação de R$ 190,1 milhões. Ou seja, uma diferença de R$ 71,4 milhões, ou 27,3%.

O levantamento apontou ainda perdas integrais de R$ 38,1 milhões em 65 posições de mútuos, além de possíveis descontos entre 30% e 60% para vender outros ativos. Há ainda R$ 78,2 milhões em pedidos de resgate de fundos regulados com datas consideradas críticas entre 12 de agosto e 30 de setembro.

Em outra obrigação, com o Grupo Gazin, a primeira de dez parcelas mensais de R$ 7,9 milhões não teria sido paga em julho.

Cinelli fala pela primeira vez

A crise provocou também uma mudança no comando do grupo. Fernando Cinelli foi afastado da presidência, do Conselho de Administração e das funções de representação, enquanto Eduardo Siqueira deixou a diretoria financeira.

Nesta sexta-feira, Cinelli falou pela primeira vez sobre o caso, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, e afirmou estar comprometido em colaborar com a preservação da companhia, dos investidores e dos acionistas(veja a nota na íntegra no final da coluna).

A Apex, por sua vez, afirma que a liminar não significa que a companhia já esteja em recuperação judicial. Existe, porém, essa possibilidade: a medida foi solicitada como uma etapa anterior a um eventual pedido de recuperação judicial, que deverá ser apresentado à Justiça em até 30 dias corridos para que a proteção continue válida (veja a posição da Apex na íntegra, ao final da coluna).

Justiça manda empresa independente conferir situação

Antes de decidir sobre uma eventual recuperação judicial, o juiz determinou uma verificação independente das condições reais das empresas. Nesse sentido, nomeou a Laspro Consultores para realizar esse trabalho. A consultoria terá 20 dias para apresentar um laudo sobre o funcionamento, a organização e a situação das sociedades do grupo e poderá acessar a documentação necessária.

A decisão também determina que as SPEs imobiliárias com patrimônio de afetação sejam identificadas em 48 horas. Na prática, isso significa que a proteção dada pela Justiça vale para as empresas da Apex, mas não alcança o dinheiro dos investidores que está separado do patrimônio da companhia.

Ou seja, fundos de investimento, certificados de recebíveis e algumas empresas criadas para projetos imobiliários mantêm seus recursos protegidos e não podem usá-los para pagar dívidas gerais do grupo. O juiz deu 48 horas para a Apex informar quais dessas empresas imobiliárias têm essa proteção. Além disso, CVM e Anbima continuam fiscalizando normalmente as atividades financeiras e os fundos ligados à companhia.

Os próximos 30 dias, portanto, serão decisivos. A auditoria externa e o laudo da Laspro terão de ajudar a definir o tamanho real das dívidas, o valor dos ativos e a capacidade do grupo de continuar operando.

A petição também cita como alternativa a retomada de um aumento de capital de R$ 176,5 milhões, aprovado em abril e que previa a emissão de 2.519.370 novas ações, mas não avançou com a piora do cenário.

Se a Apex apresentar o pedido principal dentro do prazo, a Justiça poderá analisar a recuperação judicial e decidir se ela é viável. Se não fizer isso, a liminar perde eficácia. Até lá, a proteção funciona essencialmente como um período de segurança para evitar uma corrida de credores enquanto as contas são conferidas e o caminho para a reestruturação é definido.

O empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade.

Seguindo o compromisso de transparência com seus investidores, parceiros e colaboradores, a Apex Partners informa que, nesta sexta-feira (07), obteve o deferimento de uma liminar cautelar.

A medida tem caráter preventivo para garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação.

Esclarecemos que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. Trata-se de uma tutela cautelar para proteger as atividades da empresa até que a auditoria externa seja concluída. A companhia acredita fortemente nas atividades exercidas nas suas unidades de negócio. Nosso compromisso é dedicar todos os esforços para superar esse momento desafiador que a empresa vem enfrentando e garantir a continuidade e solidez dos trabalhos.

Essa decisão não alcança os patrimônios segregados dos fundos de investimento, os patrimônios fiduciários vinculados às emissões de certificados de recebíveis nem os patrimônios de afetação das sociedades de propósito específico (SPEs), preservando integralmente os recursos de terceiros e as competências regulatórias.

Importante esclarecer que os valores mencionados na referida ação não representam obrigações vencidas, nem obrigações imediatas – mas sim de longo prazo. O impacto da inconsistência financeira identificada em apuração interna ainda será validado em auditoria externa.

Fonte: Folha Vitoria

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