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Tatuagem, medicamentos e menstruação: o que realmente impede a doação de sangue?

Especialistas esclarecem os principais mitos e explicam quem está apto a doar

Por Redação em 16/06/2026 às 05:00:11
Imagem: Freepik

Imagem: Freepik

Uma única doação de sangue pode ajudar a salvar até quatro vidas. Ainda assim, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), os estoques dos hemocentros frequentemente enfrentam dificuldades para se manter em níveis adequados.

Dados do dia 11 de junho, compartilhados pela Secretaria, apontam que os estoques de quatro dos oito tipos de sangue, estão abaixo do ideal.

Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão informações equivocadas que afastam potenciais voluntários. Neste Junho Vermelho, mês dedicado à conscientização e incentivo à doação de sangue, especialistas esclarecem mitos e verdades sobre o procedimento. Confira!

Doar sangue causa fraqueza?

Não. Segundo Rayana Bomfim, hematologista da Cardiodiagnóstico, algumas pessoas podem apresentar leve tontura ou sensação de cansaço logo após a coleta, mas os sintomas costumam ser passageiros e podem ser evitados com hidratação e alimentação adequadas.

“A doação não causa prejuízo à saúde nem enfraquece o organismo”, reforça.

É possível pegar alguma doença ao doar sangue?

Outro mito bastante comum é o medo de contrair doenças durante a doação.

Todo o material utilizado é estéril, descartável e de uso único. Não existe risco de adquirir HIV, hepatites ou qualquer outra infecção durante a doação.

Rayana Bomfim, hematologista da Cardiodiagnóstico

Quem tem tatuagem pode doar?

Sim. Pessoas com tatuagens, piercings, micropigmentação, maquiagem definitiva, microagulhamento e outros procedimentos estéticos podem doar sangue após cumprir um período de inaptidão temporária determinado pelos protocolos dos hemocentros.

“O tempo varia conforme o procedimento realizado, mas não se trata de uma proibição permanente”, afirma a hematologista.

Quem usa medicamentos está impedido?

Também não. A avaliação é individualizada e depende do medicamento utilizado e da condição clínica do paciente.

“Muitas pessoas que fazem tratamento para hipertensão, hipotireoidismo ou outras doenças controladas podem ser consideradas aptas para doar”, explica.

Mulheres menstruadas podem doar?

Sim. A menstruação, por si só, não impede a doação.

“Se a mulher estiver se sentindo bem e atender aos demais critérios, ela pode doar normalmente”, esclarece a especialista.

Doar sangue afina ou engrossa o sangue?

Segundo Douglas Stocco, hematologista da Oncomedica, essa é outra crença sem fundamento.

“A doação não afina nem engrossa o sangue. Em poucas semanas, o organismo repõe naturalmente as células que foram doadas”, afirma.

O médico também desmente a ideia de que doar sangue provoca ganho ou perda de peso. “Doar sangue não emagrece nem engorda. O que ela faz é gerar um impacto positivo para a sociedade e uma sensação de bem-estar para quem ajuda.”

Quanto sangue é retirado?

Em cada doação, são coletados aproximadamente 450 mililitros de sangue.

De acordo com Rayana Bomfim, o organismo repõe o volume de plasma em cerca de 24 horas, enquanto os demais componentes sanguíneos são recuperados gradualmente ao longo dos dias e semanas seguintes.

Além disso, uma única bolsa pode beneficiar até quatro pacientes diferentes por meio da separação dos hemocomponentes.

Um componente insubstituível

O que muitas pessoas não sabem é que diversas condições de saúde podem levar uma pessoa a precisar de transfusão de sangue ou de seus componentes (hemácias, plaquetas ou plasma). O procedimento é indicado quando há perda significativa de sangue ou quando o organismo não consegue produzir células sanguíneas em quantidade suficiente.

Entre as principais situações estão:

Acidentes e traumas graves, com hemorragias intensas.

Cirurgias de grande porte, especialmente cardíacas, ortopédicas e transplantes.

Câncer, principalmente em pacientes submetidos à quimioterapia, que pode reduzir a produção de células sanguíneas.

Leucemias e linfomas, que afetam a medula óssea e comprometem a produção do sangue.

Anemias graves, quando os níveis de hemoglobina ficam muito baixos e causam risco à saúde.

Anemia falciforme, doença genética que pode exigir transfusões periódicas.

Talassemia, condição hereditária que afeta a produção da hemoglobina.

Doenças da medula óssea, como aplasia medular e síndromes mielodisplásicas.

Hemorragias digestivas, causadas por úlceras, varizes esofágicas ou outras doenças gastrointestinais.

Complicações no parto ou durante a gestação, quando ocorre perda importante de sangue.

Doenças hepáticas graves, que podem comprometer a coagulação.

Queimaduras extensas, que podem demandar reposição de componentes sanguíneos.

Distúrbios de coagulação, como a hemofilia, que em alguns casos exigem transfusão de plasma ou outros derivados.

Entre os pacientes que mais necessitam de transfusões estão aqueles diagnosticados com leucemias agudas. Durante o tratamento, especialmente nas fases iniciais da quimioterapia, a produção de células sanguíneas pode ficar comprometida, tornando a reposição de hemácias e plaquetas uma necessidade frequente.

“Existem pacientes que, em determinados momentos do tratamento, precisam receber transfusões praticamente todos os dias. Em outros casos, a necessidade é menor, mas continua sendo um recurso essencial”, destaca Douglas Stocco.

Saiba quem pode doar sangue

Para realizar a doação, é necessário:

Menores de idade devem apresentar autorização dos responsáveis;

Ter feito a primeira doação antes dos 60 anos;

Estar em boas condições de saúde;

Ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas;

Não ter consumido bebida alcoólica nas horas anteriores à doação;

Apresentar documento oficial com foto.

Em um cenário em que o sangue não pode ser fabricado nem substituído por qualquer outro produto, especialistas reforçam que cada doação representa uma nova chance para pacientes que enfrentam tratamentos complexos, cirurgias e emergências médicas. Mais do que um ato de solidariedade, doar sangue é uma forma concreta de salvar vidas.

O sangue, de fato, é insubstituível. Não existe nenhum componente que consiga substituir o tecido sanguíneo. Por isso, a doação é fundamental para pacientes com anemia, sangramentos, vítimas de trauma, pessoas em tratamento de câncer e diversas outras condições que podem exigir transfusão.

Douglas Stocco, hematologista da Oncomedica

Fonte: Folha Vitória

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