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O desconforto abdominal é uma das causas mais comuns de consulta com o gastroenterologista. Mais de 30% dos atendimentos estão relacionados a essa queixa. E muitas são as possíveis causas.
Apesar disso, há três perguntas que sempre devemos nos fazer na busca pelo diagnóstico.
O sintoma pode estar relacionado a algum medicamento?
Essa é uma pergunta tão básica que muitos médicos e pacientes se esquecem de fazê-la. A ingestão de qualquer medicamento ou suplemento pode causar efeitos adversos gastrointestinais. E não estou falando apenas de uma medicação nova.
Mudanças na dose, na frequência, na marca do medicamento ou até a interação com outras medicações podem fazer com que um remédio ou suplemento já conhecido pelo paciente passe a causar sintomas.
Há relação com hábitos de vida?
É inegável que o estilo de vida “moderno” está relacionado a sintomas gastrointestinais. A correria do dia a dia é um dos principais fatores. Além dela, temos o estresse e a ansiedade que, mesmo isoladamente, podem diminuir o limiar do indivíduo para perceber e sentir sintomas.
A alimentação pode estar por trás do desconforto?
Aqui há um risco elevado de negligência. Normalmente, não queremos aceitar que algo de que gostamos possa nos causar sintomas. Um bom exemplo são o leite e seus derivados. Quantos pacientes adoram queijo, bolo, chocolate… e não querem acreditar que seus sintomas possam estar relacionados a esses alimentos?
Se respondemos “não” às três perguntas anteriores, o médico deve ser consultado. E, mesmo quando a resposta inicial é negativa, muitas vezes descobrimos durante a investigação que a causa ainda estava relacionada a algum desses três pontos. O paciente simplesmente ainda não havia percebido a associação com a alimentação.
Exame pode ajudar na investigação
Existem muitas maneiras de investigar os sintomas intestinais. Mas, sem dúvida, ganhamos nos últimos anos uma ferramenta muito interessante e que até quem tem medo de agulha pode coletar: a calprotectina fecal.
Esse exame de fezes funciona como um marcador de inflamação intestinal. Quando o resultado está baixo, especialmente em um contexto clínico adequado, reduz significativamente a probabilidade de estarmos diante de uma doença inflamatória intestinal e pode ajudar o médico a decidir se são necessários outros exames.
Sintomas intestinais crônicos são comuns. Mais comum ainda é descobrir que eles estão associados a algo a que o próprio paciente se expõe repetidamente, sem perceber a relação entre causa e sintoma.
Por isso, antes de pensar em exames complexos, vale começar pelo básico: medicamentos, hábitos de vida e alimentação. E, quando persistir a dúvida, um exame simples de fezes pode ajudar a mostrar se há ou não sinais de inflamação intestinal.
Fonte: Folha Vitória