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Seu filho não quer doar os brinquedos: isso é egoísmo?

Entenda por que as crianças se apegam aos brinquedos e como ensinar generosidade sem imposição

Por Redação em 07/11/2026 às 13:00:05

Você já tentou convencer seu filho a doar aquele brinquedo que está há meses esquecido no armário e ouviu um sonoro “não”? Para muitos pais, essa reação pode parecer egoísmo, birra ou falta de generosidade. Afinal, se a criança nem brinca mais com aquele objeto, por que insiste em guardá-lo?

Mas será que não querer doar significa ser egoísta? Ou será que existe algo por trás desse comportamento que nós, adultos, nem sempre conseguimos compreender?

Para nós, pode ser apenas um brinquedo velho, sem utilidade, que está ocupando espaço. Para a criança, entretanto, aquele objeto pode carregar lembranças, sentimentos e histórias. Talvez tenha sido um presente especial, um companheiro na hora de dormir ou o protagonista de inúmeras aventuras imaginárias.

O que para os adultos é apenas um objeto, para a criança pode representar uma parte importante de sua história.

Durante a infância, os objetos podem adquirir um significado afetivo que vai muito além de sua função. Uma pelúcia, um cobertor ou um brinquedo favorito podem proporcionar conforto, familiaridade e segurança emocional.

Além disso, a empatia e a generosidade são habilidades que se desenvolvem ao longo da infância, por meio das experiências, das relações e dos exemplos recebidos. Uma criança pode se preocupar com o outro e, ao mesmo tempo, não querer abrir mão de algo que considera especial. Uma coisa não exclui a outra.

Isso não significa que seja egoísta ou incapaz de compartilhar. Significa que está aprendendo.

Generosidade não se ensina pela imposição

É comum os pais utilizarem argumentos como: “Você nem brinca mais com isso” ou “Existem crianças que não têm brinquedos e ficariam muito felizes em ganhar o seu”.

Embora a intenção seja ensinar solidariedade, essas frases nem sempre funcionam. A criança pode até compreender que outra pessoa precisa daquele brinquedo, mas continuar emocionalmente ligada a ele.

Na Disciplina Positiva, buscamos educar com firmeza e gentileza, respeitando os sentimentos da criança sem abrir mão da orientação dos adultos.

Isso significa que podemos ensinar generosidade sem obrigar nossos filhos a doar aquilo de que ainda não estão preparados para se despedir.

Afinal, generosidade é um valor que queremos desenvolver, não um comportamento que precisamos arrancar da criança.

Como ensinar o desapego de maneira respeitosa?

Uma boa estratégia é envolver a criança na organização de seus brinquedos, permitindo que participe das decisões. Podemos separar aqueles que deseja guardar, os que ainda utiliza e os que gostaria de doar.

Também podemos começar com poucos objetos, respeitando seu ritmo e retomando a conversa em outro momento.

Outra possibilidade é ensinar solidariedade pelo exemplo. As crianças aprendem muito observando nossas atitudes. Quando participam de ações solidárias, ajudam alguém ou percebem os pais compartilhando seu tempo e seus recursos, começam a compreender o significado de contribuir para o bem-estar do outro.

Mas respeitar os sentimentos não significa permitir que a criança acumule tudo indiscriminadamente. Os pais continuam responsáveis por estabelecer limites relacionados ao espaço, à organização e ao consumo. A diferença está na maneira como esses limites são construídos.

Podemos dizer, por exemplo: “Precisamos organizar seu quarto para ter espaço para os brinquedos que você usa. Vamos escolher juntos o que podemos guardar e o que podemos doar?”.

Educar também é ensinar a lidar com pequenas perdas e despedidas, mas sem desconsiderar o significado emocional que elas possuem.

Com o amadurecimento, os interesses mudam, novos vínculos são construídos e muitos objetos deixam de ter a mesma importância.

Talvez aquele brinquedo que hoje seu filho não consegue entregar seja justamente o que amanhã ele escolherá doar espontaneamente.

Porque ensinar generosidade não é obrigar uma criança a renunciar ao que ama. É ajudá-la a compreender o valor de compartilhar, sem desconsiderar seus próprios sentimentos.

Afinal, uma criança que aprende a ter seus sentimentos respeitados também encontra oportunidades de aprender a respeitar os sentimentos dos outros.

Fonte: Folha Vitória

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