Um grupo com histórico no cooperativismo capixaba está em fase de estudos para montar a primeira cooperativa de seguros do Espírito Santo. O movimento acompanha a abertura criada pela Lei Complementar 213/2025, que ampliou o escopo de atuação das cooperativas desse ramo no país, e aguarda a regulamentação final da Susep para dar o passo seguinte.
A informação foi confirmada por Carlos André Oliveira, diretor executivo do Sistema OCB/ES, entidade que representa o cooperativismo capixaba. Ele afirmou que a iniciativa está sendo acompanhada e orientada pela OCB nacional.
“Já está em fase de estudos, acompanhado e orientado pela OCB, a constituição da primeira grande cooperativa de seguros do Espírito Santo”, disse.
Segundo Carlos André, o projeto “será uma entidade grande, capitalizada e com governança sólida. Não é um esforço improvisado esperando por uma janela regulatória”.
A legislação federal abriu essa janela em janeiro de 2025. Antes, cooperativas só podiam operar nos ramos agrícola, de saúde e de acidentes do trabalho.
Com a nova lei, passaram a integrar formalmente o Sistema Nacional de Seguros Privados e ganharam autorização para atuar em praticamente qualquer ramo de seguros privados.
“A OCB está pedindo e está sugerindo que seja uma regulamentação exigeente. Não vai existir cooperativa de seguros à toa, o critério vai ser muito grande, justamente para garantir o funcionamento sólido desses negócios”, completa o diretor do Sistema OCB/ES.
O modelo regulatório seguirá o rigor já conhecido do cooperativismo financeiro. “Do jeito que o Banco Central joga duro com as cooperativas financeiras, a Susep, desde o nascedouro, vai jogar duro com as cooperativas de seguros”, disse Oliveira.
A diferença em relação às seguradoras convencionais é o princípio da mutualidade: os segurados são também os cooperados, ou seja, donos da organização. Os resultados são distribuídos entre eles – mesmo princípio que sustenta o modelo cooperativo de crédito.
O mercado global de cooperativas de seguro já tem um tamanho relevante. Segundo dados da Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos (ICMIF), existiam em 2024 5 mil seguradoras cooperativas no mundo, com 333 milhões de membros, R$ 11 trilhões em ativos e participação de quase 30% no mercado mundial de seguros.
No Brasil, esse modelo era, na prática, inexistente até 2025.
Fonte: Folha Vitoria