Unidade do Café Número 1 no Tims: investimento e aposta em cafés especiais das montanhas do ES. Crédito: Divulgação
O café especial virou um dos motores de crescimento da Buaiz Alimentos. Em meio ao avanço do consumo da bebida no Brasil e no mundo, o negócio de cafés da companhia capixaba registrou aumento de 57% no faturamento nos últimos dois anos. E isso impulsionado sobretudo pela linha premium Número Um Sentidos bem como pelo ganho de espaço no varejo. Nos quatro primeiros meses deste ano, as vendas gerais dos cafés tradicionais e especiais da marca cresceram 17% sobre igual período do ano passado. Do mesmo modo, a participação de mercado em volume alcançou 14,1%, avanço de 2,2 pontos percentuais em apenas quatro meses. Uma forma e tanto de celebrar no Dia Nacional do Café, comemorado neste domingo (24).
O movimento ajuda a explicar um investimento recente da empresa em infraestrutura logística. A companhia inaugurou um novo armazém no Terminal Intermodal da Serra (TIMS), estrutura que ampliou em 200 toneladas a capacidade de armazenamento de grãos de café e reforçou o controle operacional da cadeia. O pano de fundo é um mercado mais sofisticado, com consumidores dispostos a pagar mais por experiência, origem e diferenciação.
Segundo a vice-presidente da Buaiz Alimentos, Eduarda Buaiz, o crescimento da operação está ligado à combinação entre eficiência, logística bem como ampliação do portfólio. “Os resultados que estamos alcançando são fruto de uma gestão operacional eficiente, de investimentos consistentes em logística e de um trabalho comercial estruturado”, afirmou. Ela acrescentou. “Com o novo armazém no TIMS, ganhamos agilidade, ampliamos nossa capacidade de atendimento e passamos a ter ainda mais controle e previsibilidade sobre toda a cadeia”.
O dado talvez mais relevante por trás do avanço, porém, esteja na origem do produto. O Café Número Um trabalha com café 100% capixaba. Os grãos vêm diretamente de cerca de 15 fornecedores e produtores rurais espalhados entre o Norte do Estado e a Região de Montanhas. Em 2025, o volume anual comprado chegou a aproximadamente 16 mil toneladas, o equivalente a 45 mil sacas de café. Ou seja, um elo direto entre indústria e produção agrícola local.
Esse posicionamento acompanha uma tendência mais ampla do mercado. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café mostram que o segmento de cafés especiais cresce, em média, 15% ao ano no Brasil. Hoje, a categoria já representa entre 5% e 10% do mercado nacional, enquanto o consumo de cafés certificados avançou 31%.
A principal aposta da companhia nesse nicho é a linha Número Um Sentidos, com grãos 100% arábica das montanhas capixabas. O portfólio reúne quatro versões: Espresso Gourmet em grãos, Montanhas Capixabas, Gourmet e Caparaó. As opções ganham peso com certificações como o selo da ABIC; o 100% Capixaba, da Câmara de Alimentos e Bebidas da Findes; além do selo Eu Reciclo, voltado à compensação ambiental de embalagens.
Produto regional com valor agregado
Na prática, o avanço da linha premium mostra um movimento maior do setor: o café deixou de ser apenas commodity e passou a disputar valor agregado, experiência bem como identidade regional. Para um Estado que é um dos maiores produtores nacionais da bebida, especialmente em cafés de qualidade, a expansão do segmento de especiais também significa maior potencial de geração de renda ao longo da cadeia.
“Vivemos um momento muito especial para o Café Número Um”, afirmou o CEO da Buaiz Alimentos, Flávio Schiavone. Segundo ele, “o crescimento que estamos registrando é resultado direto da qualidade do produto que entregamos todos os dias ao mercado”.
Schiavone acrescentou ainda que “as parcerias estratégicas na cadeia do café, do produtor ao varejo, nos permitem inovar, ganhar escala e, ao mesmo tempo, preservar a origem e a excelência dos grãos capixabas”.
O ponto mais importante aqui é que o crescimento do café especial parece deixar de ser uma aposta de nicho para ganhar escala industrial. E, no caso da Buaiz Alimentos, isso acontece com um detalhe estratégico: valorizando uma cadeia produtiva inteiramente capixaba, justamente em um momento em que origem e rastreabilidade passaram a valer quase tanto quanto o sabor na decisão de compra do consumidor.
Fonte: Folha Vitoria