Quem está tentando perder peso provavelmente já ouviu que determinados chás ajudam a “queimar gordura”, acelerar o metabolismo ou secar barriga. O assunto é extremamente popular nas redes sociais e costuma ganhar força principalmente quando o objetivo é emagrecer rápido.
Mas será que o chá realmente emagrece?
Apesar da fama, especialistas explicam que nenhum chá faz milagre sozinho. Ainda assim, algumas bebidas podem sim ter um papel interessante dentro de uma rotina equilibrada, especialmente quando associadas à alimentação adequada, atividade física e hábitos saudáveis.
Segundo o médico nutrólogo Nataniel Viuniski, mestre em Nutrição e Alimentos e membro do Conselho Para Assuntos Nutricionais da Herbalife, os chás podem contribuir de forma complementar, mas não devem ser vistos como solução principal para perda de peso.
O emagrecimento acontece quando há um conjunto de hábitos bem estruturados, como alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e consistência ao longo do tempo
A seguir, veja o que realmente é mito e o que é verdade sobre os chás e o emagrecimento.
1. CHÁ EMAGRECE SOZINHO
Essa talvez seja a maior crença envolvendo o consumo de chá.
Embora algumas bebidas, como chá verde, chá preto e chá mate, contenham cafeína e compostos bioativos que podem aumentar discretamente o gasto energético do organismo, isso não significa que elas provoquem emagrecimento sozinhas.
Na prática, o efeito costuma ser pequeno.
A cafeína pode melhorar disposição, foco e desempenho físico, o que eventualmente contribui para maior gasto calórico ao longo do dia ou durante exercícios físicos. Porém, segundo especialistas, isso está longe de representar uma perda de gordura significativa isoladamente.
Ou seja: tomar chá sem mudanças na alimentação e no estilo de vida dificilmente terá impacto relevante no peso corporal.
2. ALGUNS CHÁS PODEM TRAZER BENEFÍCIOS ALÉM DO EMAGRECIMENTO
Apesar do efeito limitado no emagrecimento, alguns chás vêm sendo estudados por possíveis benefícios à saúde.
Os principais exemplos são os derivados da planta Camellia sinensis, como:
Pesquisas publicadas em revistas científicas internacionais apontam associações entre o consumo regular dessas bebidas e alguns efeitos positivos no organismo.
leve redução da pressão arterial;
melhora discreta na glicose em jejum;
possível proteção cardiovascular.
Alguns estudos também relacionam o hábito de consumir chá regularmente a menor risco de doenças cardiovasculares e mortalidade geral.
No entanto, especialistas reforçam que essas pesquisas mostram associação, não necessariamente uma relação direta de causa e efeito.
3. ADOÇAR O CHÁ COM ADOÇANTE ATRAPALHA O EMAGRECIMENTO
Existe uma preocupação frequente de que adoçantes possam “enganar” o organismo, aumentar insulina ou dificultar o emagrecimento.
Mas, até o momento, as evidências científicas mais robustas não confirmam essa hipótese na maioria das pessoas.
Revisões científicas apontam que adoçantes não calóricos costumam apresentar efeito neutro sobre glicemia e resposta insulínica.
Além disso, substituir açúcar por adoçantes pode ajudar a reduzir o consumo calórico diário, especialmente em pessoas que ingerem bebidas açucaradas com frequência.
Ainda assim, o nutrólogo faz um alerta importante.
Em algumas pessoas, o adoçante pode manter o hábito de buscar sabores muito doces, dificultando mudanças alimentares mais profundas
Ou seja: o problema nem sempre está apenas nas calorias, mas também no comportamento alimentar construído ao longo do tempo.
4. CHÁ PODE SER CONSUMIDO SEM RESTRIÇÃO
Muita gente acredita que, por serem naturais, os chás podem ser consumidos livremente e em qualquer quantidade.
Chás com cafeína, especialmente chá verde, preto e mate, podem causar:
irritação gastrointestinal;
Os efeitos tendem a ser mais comuns em pessoas sensíveis à cafeína ou quando o consumo acontece em excesso.
Por isso, especialistas orientam evitar essas bebidas no período da noite, principalmente para quem já possui dificuldade para dormir.
Além disso, chás vendidos com promessa “detox” ou efeito laxativo merecem atenção redobrada.
Em alguns casos, eles podem provocar:
perda excessiva de líquidos;
desequilíbrio de minerais;
dependência do intestino.
GESTANTES E PESSOAS COM DOENÇAS CRÔNICAS PRECISAM DE CUIDADO MAIOR
Alguns grupos devem ter atenção especial ao consumir chás regularmente.
pessoas com problemas cardíacos;
pessoas que utilizam medicamentos contínuos.
Algumas plantas podem interagir com remédios ou agravar determinadas condições de saúde.
Nesses casos, o ideal é buscar orientação médica ou nutricional antes de iniciar o consumo frequente.
5. INCLUIR CHÁ NA ROTINA PODE SER UMA ESTRATÉGIA SAUDÁVEL
Quando utilizado com equilíbrio, o chá pode fazer parte de uma rotina saudável.
Além de contribuir para a hidratação, ele também pode ajudar a substituir bebidas mais calóricas, como refrigerantes, bebidas açucaradas e sucos industrializados.
Outro ponto positivo é que muitos chás possuem compostos antioxidantes que podem trazer benefícios metabólicos leves.
Uma estratégia comum é adaptar o tipo de chá ao horário do dia.
PELA MANHÃ OU ANTES DO TREINO:
À NOITE:
Isso ajuda a evitar interferência no sono, especialmente por causa da cafeína.
EXISTE QUANTIDADE IDEAL?
O consumo moderado costuma ser o mais indicado.
Em geral, quantidades próximas de até 1 litro por dia costumam ser consideradas seguras para a maioria das pessoas saudáveis, desde que respeitando a tolerância individual.
O mais importante, porém, é entender que o chá pode funcionar como aliado e não como solução mágica.
O emagrecimento sustentável continua dependendo principalmente de hábitos consistentes, alimentação equilibrada, atividade física regular e rotina saudável ao longo do tempo.
Folha Vitória