Após R$ 600 milhões aplicados desde a privatização, o Porto de Vitória avançou em diversas frentes, como tecnologia, calado e acesso ferroviário. Porém o terminal ainda enfrenta rodoviário e marítimo como próximos desafios para escalar movimentação
O diagnóstico vem de quem opera dentro do porto. “Agora as discussões são de infraestrutura”, disse Gustavo Paixão, diretor de terminais da Log-In e responsável pelo TVV. “Temos um único acesso rodoviário [para o TVV]. Precisamos pensar em como ampliar essa infraestrutura para crescer e atender as demandas.”
A limitação marítima tem uma importância ainda mais relevante. Após a dragagem, que permite navios com maior calado, a restrição atual é de largura: o canal de acesso ao complexo comporta navios com até 32,49 metros de boca (largura máxima). No caso da Log-in, essa restrição impede a entrada de 5 dos 9 navios da frota própria da Log-In.
Paixão afirma que a Vports, analisa uma expansão para 37,5 metros em estudos juntos a universidades e órgãos federais. “Com essa largura, poderíamos atender 100% dos navios de cabotagem e ajudaria vários armadores europeus e asiáticos de longo curso”, disse.
A solução estudada envolve a derrocagem do canal (remoção de rochas), alargamento das bordas e reposicionamento de bóias de sinalização. Segundo Paixão, a operação é mais simples que uma dragagem e depende de um estudo de viabilidade técnica ainda em andamento.
O principal ganho, segundo ele, é na competitividade de longo prazo do estado. “Mesmo com todos os problemas geopolíticos, o estado vem mantendo sua vocação logística e capacidade de crescimento. Temos um ganho exponencial de movimentação de cargas. Esse investimento permite que a gente continue escalando Vitória nas rotas de navios, principalmente em um momento em que diversos armadores projetam renovar frotas com navios maiores”.
A Vports, controlada pelo fundo Quadra Capital, já realizou duas campanhas de dragagem desde que assumiu o complexo. A mais recente, concluída no primeiro semestre de 2025 com investimento de R$ 30 milhões, garantiu a manutenção do calado em 12,5 metros no Porto de Vitória e ampliou de 504 para 861 a quantidade de navios do tipo Panamax aptos a atracar. O alargamento do canal para 37,5 metros representaria um passo adicional nessa direção.
Fonte: Folha Vitoria