Um porto capixaba ganhou a chancela da Receita Federal para operar de forma mais simplificada e ganhar agilidade. Portocel conquistou a certificação OEA (Operador Econômico Autorizado), concedida pela Receita. Isso significa que o porto em Aracruz é uma empresa considerada de baixo risco no comércio exterior. Ou seja, na prática, o tempo médio de liberação de cargas pode cair em até 80%, saindo de até dias para poucas horas, dependendo da operação.
Esse ganho não é teórico. Dados oficiais da Receita mostram diferenças expressivas entre operações OEA e não OEA nos modais marítimo, aéreo e rodoviário. A certificação reduz inspeções físicas, corta burocracia bem como prioriza o processamento aduaneiro. O resultado direto é mais previsibilidade logística, menos custo indireto bem como maior confiabilidade para clientes e parceiros. Ou seja, em um ambiente global cada vez mais sensível a prazo, isso vale mais do que infraestrutura.
O movimento reforça uma estratégia que já vinha sendo desenhada. Em 2025, Portocel movimentou 7,8 milhões de toneladas em Aracruz, com avanço de 5,4% sobre o ano anterior. Ao mesmo tempo, diversificou operações: cerca de 25 mil veículos passaram pelo terminal, além de 250 mil toneladas de granito e cargas de projeto ligadas ao setor de óleo e gás. Ou seja, além da celulose, o porto se consolidou como plataforma multicargas.
Certificação além do porto
A certificação não é concedida apenas a portos. Outros operadores do comércio exterior também podem receber. No Espírito Santo, a GDL Logística é a outra empresa certificada. Conquistou em setembro de 2025. Na prática, a certificação posiciona a empresa em um patamar mais elevado de competitividade logística, alinhado às exigências globais.
A GDL é hoje o maior operador logístico do Espírito Santo, com atuação forte em comércio exterior, armazenagem e operações aduaneiras. Com base em Cariacica, a empresa opera como um dos principais Centros Logísticos Industriais Aduaneiros (CLIA) do país. Nesse sentido, funciona como extensão dos portos para movimentação, armazenagem e despacho de cargas internacionais. Sua estrutura ultrapassa 1 milhão de metros quadrados e atende setores como automotivo, máquinas pesadas, tecnologia e indústria.
No radar de empresas globais
A certificação OEA é um filtro de mercado. Cadeias globais de suprimento tendem a priorizar operadores com alto nível de compliance e previsibilidade. Em outras palavras: quem tem OEA entra no radar das grandes operações internacionais. O Espírito Santo, que já tem vantagem logística natural, ganha agora um ativo competitivo que poucos têm.
O ponto mais importante é outro: eficiência aduaneira virou diferencial estratégico. Não basta ter porto, calado ou área disponível. O que define competitividade hoje é velocidade com segurança. A consequência: mais cargas, mais operações complexas e maior protagonismo do Estado no comércio exterior brasileiro.
Folha Vitoria