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Sono monitorado em excesso pode prejudicar descanso

A obsessão por dormir bem tem tirado o sono de muita gente. Em uma era em que tudo é mensurável, do número de passos ao tempo de concentração, o descanso noturno também passou a ser m

Por Redação em 28/04/2026 às 05:00:44
Foto: reprodução/anel Oura Ring
Segundo a especialista, a tecnologia tem papel central nesse processo. Relógios inteligentes, aplicativos e outros dispositivos transformaram o sono em gráficos e indic

Foto: reprodução/anel Oura Ring Segundo a especialista, a tecnologia tem papel central nesse processo. Relógios inteligentes, aplicativos e outros dispositivos transformaram o sono em gráficos e indic

A obsessão por dormir bem tem tirado o sono de muita gente. Em uma era em que tudo é mensurável, do número de passos ao tempo de concentração, o descanso noturno também passou a ser monitorado, avaliado e, para alguns, cobrado como meta de desempenho. Nesse cenário, cresce um comportamento ainda pouco conhecido fora dos consultórios, mas cada vez mais presente na prática clínica: a ortosonia.

Embora não seja reconhecida formalmente como um transtorno, a ortosonia já chama a atenção de especialistas por seus impactos reais na saúde. A médica do sono Jéssica Polese explica que o problema não está no cuidado com o sono em si, mas no excesso.

“A ortosonia é um comportamento disfuncional ligado ao sono. Na prática, observo pacientes muito preocupados em atingir padrões considerados ideais, geralmente baseados em números. Essa busca acaba gerando ansiedade e, paradoxalmente, piorando o próprio sono”, afirma.

O fenômeno não surge por acaso. Ele dialoga diretamente com o modo de vida contemporâneo. A busca por produtividade, eficiência e controle se estendeu também ao descanso, criando a ideia de que existe um modelo ideal a ser seguido todas as noites. “Vivemos em uma lógica de desempenho em que tudo precisa ser otimizado. Isso inclui o sono. A ideia de perfeição acaba sendo aplicada a um processo que é naturalmente variável”, diz a especialista.

Tecnologia, controle e paradoxo do sono

Segundo a especialista, a tecnologia tem papel central nesse processo. Relógios inteligentes, aplicativos e outros dispositivos transformaram o sono em gráficos e indicadores, como tempo em sono profundo, número de despertares e eficiência do descanso. Entre eles, anéis inteligentes como o “Oura Ring” ganharam popularidade ao oferecer análises detalhadas da noite de sono diretamente no celular.

Embora úteis em alguns casos, essas ferramentas podem reforçar uma relação pouco saudável com o ato de dormir. “Eles contribuem porque transformam o sono em métricas. Para alguns perfis isso pode ser útil, mas para outros aumenta a vigilância e a preocupação com resultados que nem sempre são precisos”, explica a especialista.

Na prática, o que deveria ajudar pode acabar atrapalhando. Pessoas com perfil mais ansioso tendem a se apegar aos dados e interpretá-los de forma rígida, o que gera frustração quando os números não correspondem às expectativas. “Os dados precisam ser interpretados com cuidado”, reforça. Segundo ela, o parâmetro mais importante ainda é subjetivo sobre como a pessoa se sente ao longo do dia.

De acordo com a especialista em sono, os sinais de alerta costumam aparecer de forma gradual. Ansiedade antes de dormir, necessidade constante de checar aplicativos, rigidez na rotina noturna e frustração recorrente são alguns dos indícios de que o cuidado virou cobrança. Em muitos casos, o efeito é o oposto do desejado. “Outro ponto importante é quando o sono piora por causa dessa preocupação”, observa Polese.

Cabe destacar que em alguns casos o quadro pode evoluir. A pressão para dormir bem ativa o estado de alerta do organismo, elevando níveis de estresse e dificultando o relaxamento necessário para o início do sono. “A pressão para dormir bem mantém o organismo em alerta, o que dificulta o sono e pode levar à insônia e ao aumento da ansiedade”, afirma a médica.

Quando procurar ajuda e como reconstruir a relação com o sono

Jéssica alerta que pessoas perfeccionistas, ansiosas ou muito orientadas a resultados tendem a ser mais vulneráveis à ortosonia. O histórico de dificuldades com o sono também pode contribuir, já que alguns indivíduos passam a tentar compensar o problema com controle excessivo.

Segundo a médica, é importante esclarecer que no centro da ortosonia está um paradoxo. Quanto mais a pessoa tenta dormir bem, pior é o sono, e isso acontece porque o ato de dormir não responde ao esforço direto. “O sono depende de relaxamento. Quando há esforço excessivo, o corpo entra em estado de alerta e libera hormônios ligados ao estresse. Isso interfere diretamente na capacidade de dormir”, explica.

Essa lógica entra em choque com tendências recentes das redes sociais. Conteúdos que prometem otimizar o descanso, como rotinas rígidas e práticas padronizadas, ganham popularidade e reforçam a ideia de que existe um caminho universal para dormir melhor.

“Podem contribuir, principalmente quando reforçam a ideia de otimização extrema. Isso gera comparação e pode aumentar a frustração”, diz.

A desinformação também preocupa. Segundo a especialista, recomendações generalizadas ignoram diferenças individuais e podem levar a práticas inadequadas. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra, especialmente quando se trata de um processo biológico tão sensível quanto o sono.

Diante desse cenário, o tratamento passa menos por técnicas complexas e mais por uma mudança de relação com o próprio descanso. O objetivo é reduzir a rigidez e reconstruir uma experiência mais natural. Isso inclui diminuir a dependência de dispositivos, flexibilizar hábitos e respeitar os sinais do corpo. “Também é essencial diminuir a cobrança e aceitar variações”, orienta Polese.

A busca por ajuda especializada deve acontecer quando o sono deixa de ser um processo espontâneo e passa a ser fonte de estresse. Quando há impacto na rotina, no humor ou na qualidade de vida, é hora de olhar para o problema com mais atenção.

No fim, a ideia de um sono perfeito pode ser justamente o maior obstáculo para dormir bem. “O sono não precisa ser perfeito para ser saudável”, resume a especialista.

Fonte: ES HOJE

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