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Sem guerra: tecnologia do ES pode reduzir dependência de fertilizantes importados

Microalgas que concentram nitrogênio, fósforo e compostos essenciais ao desenvolvimento vegetal, desenvolvidas pela capixaba GreenWay Environment & Climate, ganham espaço como altern

Por Redação em 24/04/2026 às 05:00:21
Tanques de cultivo de microalgas da GreenWay: alternativa a fertilizantes importados do Oriente Médio. Crédito: Divulgação

Tanques de cultivo de microalgas da GreenWay: alternativa a fertilizantes importados do Oriente Médio. Crédito: Divulgação

Um organismo microscópico coloca o Espírito Santo na fronteira de uma tecnologia que pode mudar a base do agronegócio brasileiro. Bem como a produção de alimentos. E já tem uma empresa capixaba operando com esse organismo. A GreenWay Environment & Climate trabalha com microalgas. São organismos que começam a ganhar espaço como alternativa real aos fertilizantes importados. Mais do que conceito, a empresa já acumula validações institucionais e aplicações práticas. Ou seja, coloca o Estado no radar de uma agenda estratégica: a soberania de insumos agrícolas.

A atuação da GreenWay ganha importância por causa do momento de incerteza produzido pelo conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio. O impasse no Estreito de Ormuz, por onde passa quase a totalidade dos fertilizantes importados pelo Brasil, pode encarecer a produção do agro brasileiro.

O ponto mais importante é: a solução não está no futuro. Ela já existe. As microalgas concentram nitrogênio, fósforo e compostos essenciais ao desenvolvimento vegetal, atuando na remoção do carbono da atmosfera e contribuindo diretamente no combate às mudanças climáticas. Quando aplicadas como bioinsumos, funcionam como substitutos parciais dos fertilizantes sintéticos. Além disso, aumentam a absorção de nutrientes, melhoram o desenvolvimento e elevam a resistência das plantas à falta d’água. Além de promover de forma prática e economicamente viável a circularidade dos resíduos industriais.

Testes demonstram viabilidade

A viabilidade da tecnologia foi reforçada em fevereiro deste ano, com a publicação de resultados de um projeto apoiado pelo Programa PIPE-FAPESP em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo utilizou efluentes tratados de cervejarias e aquicultura — resíduos ricos em nitrogênio e fósforo — como meio de cultivo de microalgas. A biomassa resultante foi testada em lavouras de milho, banana, hortaliças e café em São Paulo e Minas Gerais.

Isso muda o jogo porque reduz a dependência de uma cadeia global cada vez mais instável, com viabilidade técnica e econômica.

A encruzilhada dos fertilizantes

Hoje, o Brasil importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que consome. O impacto é direto: são cerca de US$ 25 bilhões (R$ 125,5 bilhões) por ano e estoques que cobrem apenas dois a três meses de demanda. Em outras palavras, qualquer ruptura logística externa rapidamente se transforma em risco interno de produção.

E essa ruptura já começou a se desenhar. O fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por uma parcela relevante do comércio global de insumos, expôs a fragilidade estrutural do modelo brasileiro. Diferentemente de 2022, quando os preços agrícolas ajudaram a compensar custos, o momento atual combina insumos mais caros com margens já pressionadas.

Nesse contexto, as microalgas deixam de ser alternativa e passam a ser estratégia. Testes realizados no Brasil já indicam ganhos reais em culturas como milho, café e hortaliças, com custo competitivo em relação aos fertilizantes convencionais. Ao mesmo tempo, o mercado global de bioinsumos cresce acima de 12% ao ano, impulsionado pela busca por eficiência e descarbonização.

A leitura é: enquanto o país ainda reage a choques externos, há tecnologia sendo desenvolvida, inclusive no Espírito Santo, — capaz de reduzir essa dependência. No fim do dia, a pergunta deixa de ser se o Brasil precisa diversificar suas fontes de fertilizantes. A pergunta passa a ser por que ainda não acelerou esse movimento.

Fonte: Folha Vitoria

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