Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O corte de 0,25 ponto na taxa básica de juros (Selic), indo para 14,75% ao ano, anunciado pelo Banco Central (BC), na última semana, inicia um novo ciclo da economia brasileira, mas o impacto no crédito ainda deve demorar a chegar ao consumidor.
O corte, o primeiro sob a gestão de Gabriel Galípolo à frente do BC, sinaliza uma mudança de direção na política monetária após um período prolongado de juros elevados.
Segundo Romário Valim, gerente de agência da cooperativa de crédito Sicredi, em Vitória, a expectativa do mercado é de novas reduções ao longo dos próximos meses, mas especialistas alertam que o efeito real no dia a dia das pessoas leva tempo.
Existe uma tendência de queda no custo do crédito, mas ela não acontece de forma automática. Os bancos avaliam risco, inadimplência e outros fatores antes de repassar essa redução ao consumidor”.
Romário Valim, gerente da Sicredi
Crédito ficará mais barato?
Segundo Romário, o crédito terá uma queda, mas aos poucos. Para ele, linhas como crédito pessoal, financiamento de veículos e crédito para empresas tendem a sentir os efeitos primeiro.
Ainda assim, a redução pode demorar a aparecer de forma significativa nas taxas oferecidas ao cliente final.
“Normalmente, as primeiras mudanças aparecem em produtos ligados ao mercado financeiro e, depois, vão chegando ao consumidor. Por isso, é importante pesquisar antes de contratar qualquer crédito neste momento”, orienta o gerente.
Já é possível financiar com menos juros?
Para quem está pensando em financiar um imóvel ou veículo, o momento exige cautela. Apesar do início da queda dos juros, o patamar ainda é considerado alto.
“A tendência é de melhora nas condições de financiamento ao longo do tempo, mas ainda não estamos em um cenário de crédito barato. Avaliar bem a renda, o comprometimento da renda e o planejamento é fundamental antes de assumir uma dívida de longo prazo”, destaca.
Quem se beneficia primeiro?
Empresas e investidores costumam sentir os efeitos antes das famílias. Isso porque o crédito para negócios e grandes operações financeiras reage mais rapidamente às mudanças na taxa básica.
No caso das famílias, o impacto é mais lento, mas pode ganhar força com a continuidade dos cortes.
Se o ciclo de redução dos juros se mantiver, o consumidor deve perceber melhora nas condições de crédito e no custo do dinheiro. Mas é importante manter o equilíbrio financeiro e não se antecipar a um cenário que ainda está em construção.
Enquanto isso, para o capixaba, a palavra-chave segue sendo cautela. A queda da Selic é um sinal positivo, mas o reflexo no orçamento ainda depende dos próximos capítulos da economia.
Fonte: Folha Vitoria