Presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, apresenta resultados do banco a investidores em SP. Crédito: Edu Kopernick
O Banestes chegou à Faria Lima com números fortes e saiu com uma demanda clara: falta ações no mercado. No Investor Day realizado em São Paulo, o banco apresentou lucro líquido de R$ 413 milhões em 2025, carteira de crédito ampliada de R$ 15,1 bilhões e valor de mercado próximo de R$ 2,8 bilhões. Ao mesmo tempo, mostrou crescimento consistente em praticamente todos os indicadores. Do patrimônio líquido, que alcançou R$ 2,4 bilhões, à base de clientes, que já soma 1,4 milhão.
O efeito foi imediato. Investidores presentes no evento deixaram de lado a análise tradicional de risco e retorno para fazer uma pergunta direta: por que não há mais ações disponíveis? E não são poucos. 31% dos acionistas do banco estão no estado da “Faria Lima”. O acionista Osmar Cunha sintetizou o sentimento: “O mercado tem interesse que tenha um pouquinho mais de ações disponíveis. Para crescer a liquidez”.
A resposta veio com a mesma objetividade. Do mesmo modo com um componente político e fiscal relevante. O presidente do Banco, Amarildo Casagrande explicou. “O Espírito Santo não precisa de dinheiro. Tem boa situação fiscal. O Banestes dá lucro, não precisa captar recursos. Ou seja, eu tenho um bom ativo aqui, que rende 17% ao ano para mim. Para que eu vou vender?”. A lógica do governo do Espírito Santo é: não precisa de caixa e vê no banco uma fonte recorrente de dividendos.
Controle e dividendos no centro da estratégia
Os números apresentados ajudam a entender por que o controlador, leia-se o governo do ES, não tem pressa. Desde 2018, o lucro praticamente dobrou, saindo de cerca de R$ 181 milhões para R$ 413 milhões. No mesmo período, a carteira de crédito comercial atingiu R$ 12,7 bilhões, com crescimento anual de 8,2%, enquanto a inadimplência segue controlada, em 1,9% na carteira ampliada. Ou seja, bem abaixo da média do sistema financeiro, que em janeiro bateu em 5,5%.
Além disso, o banco tem ampliado sua base de acionistas, que saltou de pouco mais de 2,6 mil para mais de 42 mil investidores. Esse crescimento ocorreu junto com a valorização das ações e o aumento dos proventos pagos, com payout anualizado de 57,3% e histórico consistente de distribuição de dividendos e JCP.
Na operação, o foco está na eficiência e no controle de risco. O diretor Silvio Grillo destacou que o banco conseguiu reduzir o provisionamento mesmo em um ambiente mais desafiador. “Foi um trabalho de otimização importante. E que a gente vai continuar em 2026”, afirmou. Ao mesmo tempo, a instituição reduziu exposição a ativos mais arriscados e priorizou crédito com maior garantia.
Fintech pronta para escalar
Outro vetor de crescimento está fora do Espírito Santo. O presidente Amarildo Casagrande destacou a expansão do crédito consignado, especialmente por meio da plataforma Bizi. É uma fintech de crédito que trabalha com consignado e está em mais de 130 cidades do país. Porém não opera no ES. “O banco continua forte, com foco em resultados e expansão”, afirmou. Do mesmo modo, citando o avanço da operação para servidores públicos em diferentes regiões do país.
O Banestes chega a um ponto curioso: atende ao que o mercado busca – lucro, governança, crescimento e dividendos. Nesse sentido, a companhia está pronta para padrões mais elevados de governança bem como atenta ao que os acionistas desejam.
Fonte: Folha Vitoria