A Conab projeta ainda elevação de 12,4% na produtividade de café em relação à safra passada, com uma colheita de 34,2 sacas por hectare. Foto: Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil
As exportações brasileiras de café registraram queda em fevereiro. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 2,618 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto no mês. O volume gerou US$ 1,062 bilhão em receita cambial, mas representa uma queda de 23,5% em volume e de 14,7% em valor na comparação com fevereiro de 2025.
Apesar do recuo recente, no acumulado dos oito primeiros meses da safra 2025/26, o Brasil já exportou 26,038 milhões de sacas. Ainda assim, o número é 22,6% menor do que o registrado no mesmo período da safra anterior.
Por outro lado, a receita cambial segue em alta. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, o país arrecadou US$ 10,301 bilhões, crescimento de 5,3% em relação ao mesmo intervalo da safra 2024/25.
Considerando apenas o primeiro bimestre de 2026, os embarques totalizaram 5,410 milhões de sacas, volume 27,3% menor que o registrado nos dois primeiros meses do ano passado. Em valores, a receita caiu 13%, passando de US$ 2,575 bilhões para US$ 2,241 bilhões.
De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a queda nas exportações neste início de ano está ligada principalmente ao desempenho do café arábica no mercado internacional.
Segundo ele, as cotações da variedade vêm passando por uma queda rápida na Bolsa de Nova York, movimento que tem levado fundos de investimento a liquidarem posições compradas. A expectativa desses investidores é de uma maior oferta global na próxima safra.
Ferreira explica ainda que outros fatores ajudam a explicar o momento de retração. Entre eles, a valorização do real frente ao dólar e o fato de muitos produtores estarem capitalizados e com estoque ajustado da safra atual, o que reduz a pressão por vendas.
“Esse cenário acaba dosando a oferta brasileira a níveis que ficam menos competitivos frente a outras origens produtoras”, observa.
Para o dirigente, essa tendência deve se manter até a chegada da nova safra. “Isso pode provocar perda de market share do Brasil para outros países produtores, o que não é favorável no médio e longo prazos”, avalia.
O presidente do Cecafé também alerta que tensões geopolíticas no Oriente Médio e gargalos logísticos podem ampliar ainda mais esse cenário de incerteza no comércio global.
“A tendência de recuperação é esperada a partir da próxima safra que se avizinha e já ocorre com o conilon, que conta com maiores estoques de passagem e cuja colheita comercializada a partir de maio será também importante. No caso arábica, a expectativa de recuperação dos embarques é aguardada a partir de junho, com a chegada da nova safra, com volume bem mais relevante que a que se encerrará”, pondera.
Principais destinos
No primeiro bimestre de 2026, a Alemanha liderou o ranking dos principais destinos do café brasileiro, com a importação de 786.589 sacas, o equivalente a 14,5% do total, apesar de uma queda de 20,1% na comparação anual.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 655.998 sacas adquiridas – recuo expressivo de 45,8% e participação de 12,1%. Na sequência estão Itália, com 568.598 sacas (+5,9%); Bélgica, com 331.747 sacas (-6,8%); e Japão, com 315.816 sacas (-34,5%).
Entre os tipos de café, o arábica continua liderando as exportações brasileiras. Nos dois primeiros meses de 2026, foram embarcadas 4,423 milhões de sacas, o que representa 81,8% do total exportado, apesar da queda de 28,9% frente ao mesmo período de 2025.
O café solúvel aparece na sequência, com 573.301 sacas exportadas, volume 11,5% menor na comparação anual e participação de 10,6% nos embarques.Já os cafés canéforas (conilon e robusta) somaram 408.446 sacas, com recuo de 27,7% e representatividade de 7,5%. O café torrado e torrado e moído teve participação residual, com 5.572 sacas exportadas.
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Fonte: Folha Vitoria