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Economia

Psicose induzida por IA: riscos à saúde mental na sociedade

O termo se refere a casos em que o uso exagerado de ferramentas de IA provoca uma desconexão parcial da realidade


foto: freepik

*Artigo escrito porLuiz Felipe Mattos, arquiteto de Transformação Digital Sênior na ArcelorMittal FC LATAM e membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de Inovação e Tecnologia de 2025 do Ibef-ES.

Nos últimos anos, conversar com máquinas deixou de ser coisa de ficção científica para virar parte da rotina. Chatbots e assistentes virtuais já ajudam a responder e-mails, marcar reuniões e até a desabafar. Mas, por trás dessa praticidade, especialistas têm identificado um alerta preocupante: a chamada “psicose induzida por IA”.

O termo se refere a casos em que o uso exagerado dessas ferramentas provoca uma desconexão parcial da realidade — situação que já levou, em alguns países, a hospitalizações e ao desgaste de relações pessoais e profissionais.

Para quem já lida com transtornos mentais, ou atravessa uma fase emocionalmente frágil, o uso intenso dessas ferramentas pode ser ainda mais perigoso. Um relatório de 2023 da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre uso problemático de tecnologias digitais apontou que padrões compulsivos de interação on-line estão diretamente ligados ao agravamento de sintomas de ansiedade, depressão e isolamento social.

Funciona quase como um jogo de recompensas invisíveis: pequenas sensações de prazer que, de forma sutil, estimulam a continuidade. E quando a pessoa percebe, já está mais distante das interações e compromissos da vida fora da tela.

Imagine alguém que passa mais tempo conversando com um chatbot do que com amigos ou familiares — esse cenário, que antes parecia ficção, hoje já foi registrado em casos clínicos relatados por psiquiatras nos Estados Unidos e na Coreia do Sul.

Em alguns relatos, pacientes chegaram a interromper empregos ou estudos para dedicar horas diárias a interações virtuais. A ausência de limites claros, somada à baixa rede de suporte social, amplia essa vulnerabilidade. E aqui cabe a pergunta: se as máquinas já podem nos ouvir e responder, como garantir que não substituam, pouco a pouco, a presença humana?

A prevenção exige um esforço conjunto. Especialistas recomendam estabelecer períodos limitados de uso e alternar interações digitais com atividades presenciais e momentos off-line. Empresas que desenvolvem IA podem contribuir oferecendo alertas de uso excessivo, pausas sugeridas e conteúdos educativos sobre saúde mental.

No nível individual, é fundamental estar atento a sinais como alteração do sono, perda de interesse em interações reais e intensificação de pensamentos desconectados do contexto.

A “psicose induzida por IA” ainda é um fenômeno em estudo, mas já serve como alerta sobre a necessidade de equilibrar inovação e cuidado humano.

Governos, empresas de tecnologia, profissionais de saúde e usuários precisam trabalhar de forma integrada para que a IA seja uma aliada do desenvolvimento e do bem-estar, evitando que seu uso desmedido comprometa a saúde mental.

O futuro digital só será sustentável se vier acompanhado de práticas conscientes e de um compromisso real com o cuidado psicológico. A pergunta que fica é: vocês estão preparados, emocionalmente, para conviver com máquinas tão humanas?

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

Folha Vitoria

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