Durante muito tempo, falar sobre o Dia da Mulher no ambiente corporativo significou revisitar estatísticas, reforçar desafios históricos e celebrar conquistas. Tudo isso segue legítimo, importante e necessário. Afinal, sabemos que avanços não acontecem do dia para a noite, que a evolução não é linear e que as vitórias não nos fornecem o privilégio do “descanso”.
Todo dia é dia de defender nossa verdade e de trabalhar pelo que acreditamos. Apesar – e por conta – disso, neste 8 de março, gostaria de compartilhar uma pergunta que me faço: que tipo de futuro estamos construindo a partir do que conquistamos? E mais: como fazer mais e melhor, olhando pra frente?
Neste sentido, afirmo que liderar uma empresa octogenária é, para mim, responsabilidade, privilégio e desafio diários.
É fato que, ao longo de uma história tão longeva, atravessamos crises econômicas, revoluções tecnológicas, culturais e de costumes e, se estamos aqui, fortes, inovadores e relevantes, é também porque entendemos que o tempo transforma não apenas as pessoas, mas renova o organismo vivo que é uma empresa.
E isso tem relação direta com a presença das mulheres nas organizações. Precisamos, sim, de mais oportunidades, de equidade salarial, mas também de repensar o papel do feminino no ambiente corporativo.
Não se trata de fazer generalizações sobre quem lidera melhor, até porque colocar a questão nos termos da competição não nos faz avançar e empobrece o debate. Trata-se de reconhecer nosso valor e o que temos a ensinar aos homens, principalmente em um mundo corporativo exausto.
A presença feminina na liderança traz um olhar com mais colaboração, escuta ativa, sensibilidade, visão sistêmica e uma forte capacidade de mediação e resolução de conflitos.
É sobre ter firmeza e humanização, mostrando que é possível conciliar resultados e cuidado com as pessoas. E mais: que uma coisa é indissociável da outra.
Visto ao longo de décadas como algo “menor” ou apenas doméstico, o cuidado ressurge como um atributo, uma estratégia e um valor, capaz de nos oferecer resultado, produtividade, sustentabilidade e perenidade. Ou seja, não se trata de “um toque feminino” na gestão, mas de inteligência de negócio.
Ainda vivemos as consequências de uma cultura que, por muito tempo, associou liderança, especialmente em grandes empresas e indústrias, a figuras masculinas.
“Nas empresas familiares, era comum que os homens fossem preparados para assumir os negócios, enquanto as mulheres eram direcionadas para o espaço privado, da casa e dos filhos”.
Esse padrão se reflete em oportunidades desiguais, em redes de relacionamento predominantemente masculinas e, muitas vezes, em viés inconsciente na hora de escolher sucessores ou executivos. Não é falta de competência das mulheres, é falta de acesso, de convite e de confiança no potencial delas.
Por outro lado, por ocuparmos tantas vezes espaços não desenhados para nós, enxergamos com mais clareza o que precisa ser mudado, temos mais coragem de desaprender e mais vontade de refazer de outras formas: mais justas, equilibradas, sensíveis e inclusivas, que deve inspirar os homens que querem evoluir como líderes.
“Por isso, na data de hoje e no mundo de hoje, quando acompanho as notícias, penso na importância de exercer uma liderança que inspire e abra caminhos para aquelas que vêm depois e em preparar homens capazes de assumir essa pauta com responsabilidade, engajamento e sensibilidade.”
Se queremos um novo mundo – nos negócios e na sociedade – temos que trabalhar juntos. Acredite: o ganho também será de todos.
Folha Vitoria