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Economia Capixaba

Ambrosia: nova variedade de banana desenvolvida no ES é maior, mais doce e dura mais na prateleira

Criada após mais de duas décadas de pesquisas, a banana apresenta maior peso por cacho, resistência a doenças e pode reduzir custos de produção no campo


Foto: Divulgação/Incaper

A nova variedade de banana desenvolvida no Espírito Santo promete chegar ao consumidor com diferenças perceptíveis no sabor, aparência e conservação.

Batizada de Ambrosia, a cultivar foi criada após mais de 20 anos de pesquisas e apresenta características que podem impactar tanto a produção agrícola quanto o consumo da fruta no Estado.

A nova banana pertence ao grupo da Nanica, um dos tipos mais consumidos no país. No entanto, segundo o pesquisador José Aires Ventura, que participou do desenvolvimento da cultivar, a Ambrosia se destaca por ter frutos mais doces, melhor aparência nas prateleiras e maior durabilidade após a compra.

Além do consumo in natura, a variedade também pode ser utilizada pela agroindústria na produção de doces e derivados.

Diferenças para o consumidor

Para quem compra a fruta em supermercados ou feiras, a mudança pode ser percebida principalmente na qualidade visual e no sabor.

O consumidor vai perceber uma banana do tipo Nanica com melhor aspecto na prateleira, excelente sabor e que também apresenta melhor conservação após a compra. Ela pode ser uma alternativa à banana Nanica para a preparação de doces, banana-passa e mariola.

José Aires Ventura, pesquisador

Outro diferencial está no modo de produção. A Ambrosia foi desenvolvida com resistência a doenças comuns da bananeira, o que reduz a necessidade de aplicação de defensivos agrícolas.

Segundo Ventura, isso torna a variedade indicada para sistemas agroecológicos ou orgânicos, possibilitando a produção de frutas sem resíduos químicos.

Décadas de pesquisa para garantir estabilidade da planta

A cultivar Ambrosia é resultado de um longo trabalho científico conduzido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O desenvolvimento da nova banana começou há mais de duas décadas e envolveu testes em campo para avaliar o desempenho da planta em diferentes condições de cultivo.

De acordo com o pesquisador, o tempo prolongado da pesquisa foi necessário para garantir que a nova variedade apresentasse estabilidade agronômica, produtividade e resistência a doenças, independentemente das variações ambientais.

“A pesquisa com plantas no campo sempre é longa, porque é necessário ter certeza de que os resultados não são influenciados por fatores como clima, pragas, doenças ou características do solo”, afirmou.

Durante o processo, os pesquisadores acompanharam diversos ciclos da bananeira e analisaram o comportamento da cultivar em situações como períodos de seca, excesso de chuva e diferentes condições de solo.

O projeto também contou com financiamento aproximado de R$ 600 mil, obtido ao longo dos anos por meio de editais de pesquisa e inovação, com apoio de instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Segundo Ventura, a equipe técnica envolvida no estudo teve papel central para garantir que a nova cultivar reunisse qualidade do fruto, produtividade e resistência às principais doenças que afetam a bananicultura.

Nova cultivar pode reduzir custos no campo

Além das características voltadas ao consumidor, a Ambrosia também pode trazer impacto direto para os produtores. De acordo com Ventura, a resistência da planta a doenças foliares diminui a necessidade de pulverizações no cultivo.

A não necessidade de pulverização para controle de doenças pode reduzir os custos de produção em cerca de 20% a 30%, dependendo das condições de cultivo e do clima.

José Aires Ventura, pesquisador

Outro ponto que chama atenção é o peso médio do cacho, que chega a cerca de 32,7 quilos, fator que pode contribuir para aumento da produtividade.

Importância da banana para o Espírito Santo

A banana está entre as frutas mais consumidas no mundo e o Brasil figura entre os maiores produtores globais. O consumo médio no país ultrapassa 25 quilos por pessoa ao ano.

Em 2025, o Espírito Santo registrou mais de 29 mil hectares colhidos, com produção superior a 425 mil toneladas da fruta.

Segundo Ventura, a nova cultivar reúne características agronômicas que podem favorecer o cultivo no Estado, como tolerância ao encharcamento do solo e à seca, além de rápida recuperação após períodos de estresse hídrico.

A planta também apresenta vigor elevado, boa sustentação dos cachos e maior tempo de conservação pós-colheita, fatores que podem contribuir para ampliar a produtividade e a qualidade da banana produzida por aqui.

A banana Ambrosia foi lançada oficialmente no dia 25 de fevereiro deste ano, em um evento realizado em Alfredo Chaves, que reuniu mais de 500 pessoas, entre produtores, técnicos e representantes do setor agropecuário.

Na ocasião, cerca de 1.200 mudas da nova variedade foram distribuídas para incentivar o início do cultivo nas propriedades rurais.

A expectativa do setor é que a nova variedade contribua para fortalecer a produção capixaba de banana, atividade que tem forte presença da agricultura familiar em diversos municípios.

Folha Vitória

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