Karla Coser (PT), vereadora de Vitória
Em poucos dias, o governador Renato Casagrande (PSB) passou a figurar no noticiário nacional, com forte repercussão no Espírito Santo. As reportagens colocaram sob questionamento um dos pilares que o socialista cultiva e que seus aliados frequentemente destacam: a imagem de honestidade e de uma gestão sem manchas de corrupção.
O segundo: a convicção de que tem consciência limpa dos fatos que o rodearam nos últimos dias. Casagrande sustenta que, até aqui, o que há são denúncias, sem fatos concretos.
É verdade que houve episódios desconfortáveis ao longo de seu mandato, como a Operação Decanter, que chegou no entorno de aliado seu. No entanto, o então secretário de Estado da Fazenda, Rogélio Pegoretti, já havia pedido exoneração antes da deflagração da ação policial, sob a alegação de motivos pessoais. Casagrande, assim, não teve culpa alguma.
O caso ganhou novo fôlego com o desdobramento envolvendo a saída do delegado Romualdo Gianordoli Neto da Subsecretaria de Inteligência, em meio ao contexto que também envolve Macário Judice, preso sob suspeita de tráfico de influência e venda de sentenças. O episódio reacende questionamentos e volta a tensionar o discurso de integridade e transparência do governo. Nos bastidores, ainda há especulações sobre eventual candidatura de Romualdo. Sobre o delegado, o governador foi seco: “ele sabe o porquê de ter sido demitido”.
Voltando ao vídeo, Casagrande afirmou que “pessoas se aproveitam desse tipo de notícia para tentar criar versões, espalhar desinformação e antecipar disputas políticas”. Ao convocar a coletiva e pautar sua sucessão – e ainda falar laconicamente das repercussões nacionais -, o governador demonstrou que pretende criar e fomentar temas positivos em detrimento de alimentar polêmicas.
O ambiente, que já vinha marcado por movimentos de bastidores e estratégias típicas de pré-campanha, tende a se intensificar.
Especialmente agora que está tudo cada vez mais definido no QG que comanda o Palácio Anchieta. Ricardo, candidato a governador; Casagrande, na corrida pela primeira cadeira ao Senado. Agora, faltam ajustes com os devidos aliados.
Reportagem da Folha de S.Paulo, publicada no fim da noite de domingo (1º), destaca que Casagrande mandou exonerar o delegado da Polícia Civil Romualdo Gianordoli Neto da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública, após investigação detectar suspeitas envolvendo Macário.
Segundo a Folha, os diálogos suspeitos de Macário, encontrados pela Polícia Civil, foram obtidos no curso da Operação Baest, deflagrada em maio de 2025 contra o suposto “braço financeiro” da facção Primeiro Comando de Vitória.
Um dos alvos da ação foi o empresário Adilson Ferreira, cujo celular continha conversas com Macário Júdice que indicariam a atuação do magistrado em licitações no âmbito da gestão Casagrande.
Para a Folha, o secretário de Estado da Segurança Pública, Leonardo Damasceno, afirmou que nem ele nem o governador têm conhecimento da existência de diálogos envolvendo o magistrado. Disse também que as exonerações ocorreram em razão do desgaste de parte da equipe que atuou no inquérito junto ao delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.
Grupos de direita, principalmente os mais radicais, passaram a intensificar os ataques contra Casagrande nas redes sociais, sempre questionando sua honestidade.
Protesto liderado pelo senador Magno Malta (PL), nesse domingo (1º), não reuniu o mesmo número de manifestantes das últimas ocasiões e ficou mais concentrado em Vila Velha.
Em determinado momento, no trio elétrico, o senador passou a palavra a Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, para conversar com os manifestantes presentes no ato.
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), esteve em Vila Velha, mas preferiu cumprir agenda na Feira de Aribiri ao lado do colega canela-verde Arnaldinho Borgo (PSDB).
Sinais II
O deputado federal Evair de Melo (Progressistas) e Erick Musso, que participaram do ato de Magno, reforçaram posteriormente a comitiva dos prefeitos.
Alguns observadores e lideranças partidárias avaliam que o PL deveria buscar maior conexão com outros partidos, a fim de unificar a direita. No entanto, isso depende do aval de Magno, decisão considerada pessoal e estratégica do senador.
Pazolini também esteve presente, nesse domingo, à partida do Vitória, na qual o alvianil garantiu vaga na semifinal do Capixabão para enfrentar o Porto Vitória.
Nova lei do município proíbe a exposição de crianças vulneráveis, com menos de 12 anos, pedindo dinheiro ou comercializando produtos em vias públicas. Segundo a norma, caberá ao Poder Executivo municipal adotar as medidas necessárias para a proteção dessas crianças.
Nesta sexta-feira (6), acontece a eleição para procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES). Disputam o cargo o atual chefe da instituição, Francisco Berdeal, e o promotor de Justiça Danilo Raposo Lírio.
Como de praxe, a lista será entregue ao governador. A tarefa, porém, não será realizada por Berdeal, que está afastado em razão da campanha. A conferir.
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Um político é fã do famoso lanche “podrão”. Suas parceiras de refeição são as mais variadas possíveis, segundo observadores.
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“A mensagem do nosso ministro (Guilherme Boulos) é clara: precisamos de unidade para vencer essas eleições.”
Fonte: ES HOJE