A literatura fantástica ganha uma nova protagonista feminina nascida da mitologia grega e da imaginação de uma autora capixaba. A escritora
Jalcyanne Pinto, residente no Espírito Santo, lança seu primeiro livro, uma trilogia , no próximo dia 26,uma narrativa que acompanha a trajetória de
Letícia, uma jovem semideusa que desafia uma antiga maldição ligada ao próprio pai: o deus da guerra, Ares.
Na história, Letícia tem apenas 20 anos e carrega um destino improvável. Filha de Ares, ela nasce apesar de uma maldição que impede o deus de ter filhas mulheres — um enigma que nem mesmo os deuses do Olimpo conseguem explicar. Para muitos, a existência dessa maldição seria uma forma simbólica do próprio destino afirmar que mulheres não poderiam ocupar o lugar de soldados tão poderosos quanto os homens.
É justamente esse pressuposto que a protagonista precisa confrontar ao longo da narrativa.
A trama se inicia quando Letícia tem uma visão perturbadora: uma grande guerra entre os deuses está prestes a acontecer. No entanto, em meio ao cenário devastador da profecia, ela não consegue enxergar o próprio pai entre os combatentes. A ausência de Ares desencadeia uma jornada perigosa, na qual a jovem parte em busca de respostas enquanto enfrenta criaturas cada vez mais poderosas e desafios que colocam sua sobrevivência à prova.
Durante esse percurso, uma voz sussurrada, vinda do submundo, insiste em afirmar que ela está destinada a falhar.
A narrativa acompanha a escalada da protagonista como guerreira, enquanto ela descobre que sua própria existência é algo quase impossível dentro da ordem estabelecida pelos deuses. Ao encontrar outros semideuses, Letícia passa a compreender que pode estar ligada a uma antiga profecia: ela seria a guerreira destinada a impedir a queda do Olimpo e salvar seus irmãos da morte.
Mas a pergunta central da história permanece em aberto: seria esse realmente o único propósito de sua existência?
Segundo a autora, a personagem nasceu de um desejo antigo de construir uma heroína dentro de um universo frequentemente dominado por protagonistas masculinos. Jalcyanne conta que criou Letícia ainda na adolescência, inspirada por mulheres fortes de sua convivência e pelo fascínio pela mitologia grega.
“Eu sempre me perguntava onde estavam as semideusas com protagonismo nas histórias”, explica. “Queria criar uma personagem que enfrentasse não apenas monstros, mas também a necessidade constante de provar seu valor.”
A obra também explora um aspecto pouco abordado na mitologia clássica: a relação entre uma filha e
Ares, um dos deuses mais violentos e temidos do panteão grego. Ao desenvolver esse vínculo, a autora constrói uma narrativa que mistura ação, conflitos familiares e reflexões sobre identidade, destino e superação.
Natural do Espírito Santo, Jalcyanne escreveu grande parte do livro enquanto trabalhava como
técnica de enfermagem. A escrita sempre esteve presente em sua vida: desde os nove anos de idade ela produzia pequenas histórias para compartilhar com familiares. A paixão pela mitologia grega surgiu ainda na infância, após uma ida ao cinema, e acabou se tornando uma das principais inspirações para sua produção literária.
Agora, já adulta, ela transforma a personagem que nasceu em sua imaginação juvenil em uma história completa, trazendo ao público um universo de deuses, profecias e batalhas que dialoga com temas contemporâneos sobre protagonismo feminino e resistência.
Mais do que uma aventura mitológica, o livro apresenta uma jornada sobre identidade e coragem — mostrando que, mesmo em um universo governado por deuses antigos e regras rígidas, uma única existência pode desafiar o destino.
A autora mantém contato com leitores por meio de suas redes sociais, onde compartilha novidades sobre o livro e seu processo criativo.
Fonte: ES HOJE