O Governo do Estado colocou o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue) — antigo São Lucas —, emVitória, à disposição para participar da fase 2 dos estudos da polilaminina, medicação experimental testada para tratar lesões medularesem pacientes com paraplegia ou tetraplegia.
Por que isso importa: se confirmada a participação, o hospital pode ser polo das pesquisas, atendendo pacientes capixabas e de outros estados.
O estudo com a polilaminina está sendo realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é liderado pela pesquisadora Tatiana Sampaio. Ao menos 28 pessoas já receberam a substância no país, sendo cinco no Espírito Santo.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, a iniciativa começou no fim do ano passado, após reunião com a equipe da pesquisadora responsável pelo estudo. Além da estrutura hospitalar, o Estado ofereceu suporte técnico, pesquisadores e possibilidade de apoio financeiro para colaborar com a pesquisa.
A fase 1 foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ocorre com número reduzido de pacientes. A expectativa agora é que o órgão regulador autorize o avanço direto para a fase 2, que amplia o número de hospitais participantes e de pacientes incluídos.
Caso isso se confirme, o Heue poderá integrar oficialmente o estudo. O hospital é referência em trauma no Espírito Santo.
A informação que temos é que a Anvisa está em vias de autorizar o início da fase 2. […] A equipe da doutora Tatiana já demonstrou interesse no nosso hospital.
Tyago Hoffmann, secretário de Estado da Saúde
A polilaminina é vista com otimismo pelo governo, mas ainda está em fase experimental. Estudos científicos exigem cautela, acompanhamento prolongado e monitoramento de possíveis efeitos adversos.
A proposta do Estado vai além da aplicação da medicação. A Secretaria pretende desenvolver protocolos específicos de reabilitação motora associados ao tratamento, caso o Espírito Santo participe da nova fase.
“É importante destacar que se trata de uma medicação ainda em testes e que muitas coisas ainda precisam ser confirmadas, já que ainda não temos pacientes de muitos anos de aplicação para saber se há efeitos colaterais. Entretanto, a cautela não nos impede de sermos totalmente otimistas e de ajudarmos e colaborarmos com algo que pode ser muito revolucionário”, destaca Hoffmann.
Folha Vitória