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Polícia

Arsênio: Justiça nega prisão domiciliar a secretária suspeita de envenenar médico

Bruna foi presa em 2 de setembro de 2025. Além do envenenamento, ela também é ré por desviar cerca de R$ 600 mil do médico


Bruna Garcia Barbosa Marinho presa por suspeita de envenenar médico em Vitória. Foto: Sesp/Divulgação

A Justiça negou o pedido de prisão domiciliar encaminhado pela defesa de Bruna Garcia Barbosa Marinho, suspeita de envenenar o médico Victor Murad,de 90 anos, com arsênio, em Vitória. Bruna era secretária dele.

A mulher foi presa em 2 de setembro de 2025. Além do envenenamento, ela também é ré por desviar cerca de R$ 600 mil da vítima.

No pedido, a defesa da ré pedia o fim da prisão preventiva e conversão para a domiciliar, argumentando que, como a fase de produção de provas do inquérito já havia se encerrado, não havia motivo para manter Bruna presa preventivamente.

Além disso, a defesa também alegava que a ré não representava perigo à ordem pública e é mãe de uma menina menor de 12 anos.

A decisão, assinada pela juíza Mônica da Silva Martins, nega os pedidos e afirma que materialidade do crime e os indícios de autoria continuam válidos, o que por si só já justificaria a manutenção da prisão preventiva.

Além disso, a gravidade do crime também tem peso sobre a decisão, uma vez que a ré teria abusado da confiança que a vítima depositava nela para cometer os crimes, além de ter agido de forma reiterada.

Tal conduta, marcada por planejamento minucioso e frieza, demonstra que medidas cautelares diversas da prisão são insuficientes para acautelar a ordem pública.”

Mônica Silva Martins, juíza de Direito

Isso, de acordo com a magistrada, demonstra um alto grau de periculosidade por parte de Bruna, o que justifica sua prisão.

Sobre o fato de a ré ser a mãe de uma criança menor de 12 anos, a juíza explicita que “a proteção à maternidade não constitui salvo-conduto para a prática de crimes de

extrema gravidade”.

Bruna trabalhava como secretária do cardiologista e fundador da Sociedade Capixaba de Cardiologia,Victor Murad. há cerca de 12 anos, exercendo funções consideradas de extrema confiança, como o controle financeiro do consultório e até o preparo da alimentação do médico.

Segundo a investigação, ela teria se aproveitado da proximidade, juntamente com o marido,Alysson Marinho,para administrar doses de arsênio ao longo de aproximadamente um ano e meio.

Diante das provas reunidas durante a investigação, oMinistério Público do Espírito Santo (MPES)ofereceu denúncia contra a acusada. O órgão agora atua para ela ser pronunciada e submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Segundo Murad, a secretária era tratada como alguém da família:“Era como se fosse uma filha para mim. Eu a tratava como uma filha e ela me traiu. Foi uma covardia o que ela fez comigo”.

Fio de cabelo ajudou a desvendar o crime

As suspeitas começaram depois que o médico começou a apresentar sintomas semelhantes a intoxicação crônica por arsênio —diarreia, vômitos, anemia, inchaço nos membros e perda de peso.

O advogado da vítima,Waldyr Loureiro, informou que um vidro do veneno foi localizado no consultório.

“Confirmada depois pelo exame efetivado no cabelo, onde se constatou o envenenamento por arsênio por mais ou menos um ano e dois meses”, explicou o advogado.

A perícia apontou que o envenenamento teria ocorrido de forma contínua, o que dificultou a identificação inicial da causa dos sintomas e, segundo o Ministério Público, também teria reduzido as chances de defesa da vítima.

Folha Vitória

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