A despedida de João Carlos Spedo foi marcada por emoção e revolta. O filho dele, Kelvyn Spedo, de 11 anos, falou pela primeira vez após o assassinato do pai, morto a facadas dentro do próprio bar, em Vila Velha.
Morador de Linhares, Kelvyn estava passando as férias escolares com o pai quando o crime aconteceu. Na entrevista, autorizada pela mãe, ele lembrou dos últimos dias ao lado de João e pediu justiça no caso.
Nas férias, eu fiquei muito tempo com ele, aproveitei bastante, fui à praia com ele, fui na pracinha, fui no shopping. Ninguém vai esquecer dele, ele vai ficar no meu coração.
Kelvyn Spedo, filho da vítima
João Carlos Spedo, de 61 anos, era dono do tradicional “Bar do João”, em Itapuã, Vila Velha. Natural de Minas Gerais, morava no Espírito Santo há mais de 40 anos. Mecânico industrial de formação, trabalhou por muitos anos na área antes de decidir empreender. Há nove anos, comandava o bar onde foi morto.
O crime aconteceu na noite de segunda-feira (23). Segundo informações apuradas, o corretor de imóveis, Carlos Alberto Lameri Cruz, de 58 anos, cliente do bar, entrou no estabelecimento, foi até onde João estava, próximo ao caixa, e o golpeou diversas vezes com uma faca. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Imagens mostram que, após o ataque, o suspeito deixou o bar. Ele foi localizado minutos depois pela polícia, em outro estabelecimento, onde bebia. De acordo com as informações levantadas, o crime teria sido motivado por uma dívida. O homem estaria devendo no bar e não teria gostado de ser cobrado.
O suspeito, de 58 anos, foi autuado em flagrante por homicídio qualificado, em razão da impossibilidade de defesa da vítima, e encaminhado ao presídio.
Despedida marcada por comoção
O sepultamento de João Carlos aconteceu na noite de terça-feira (24), em um cemitério particular no bairro Ponta da Fruta, em Vila Velha. Amigos e familiares se reuniram para a despedida. O clima era de tristeza e indignação.
Amigo da vítima há quase 40 anos, Wallace Millis lembrou do orgulho que João sentia do filho. “Outro dia ele me mandou uma foto do filho segurando um diploma, tinha recebido um prêmio numa Olimpíada de Matemática na escola. Ele estava fantástico, exuberante com aquela felicidade”, contou.
Segundo o amigo, João já havia enfrentado momentos difíceis, inclusive um quadro grave de Covid-19, do qual se recuperou.
Se fosse uma causa de morte natural, seria diferente, há um tempo atrás ele teve covid, mas conseguiu se recuperar. Agora, chegar a uma tragédia como essa, ser vítima de uma violência absurdamente injustificada, é difícil demais superar.
Wallace Millis, amigo da família
João Carlos Speedo era comerciante em Itapuã há décadas e administrava o atual ponto há cerca de oito anos. De acordo com as primeiras informações repassadas à polícia, ele e o suspeito teriam se desentendido no domingo (22).
Na noite de segunda-feira (23), o homem retornou ao Bar do João já com uma faca e atacou o comerciante com golpes no peito e nas costas. Um cliente que tentou defendê-lo também ficou ferido.
O crime foi registrado por câmeras de segurança do estabelecimento. As imagens mostram o suspeito entrando com a faca em mãos e partindo diretamente para a agressão. Amigos relataram que os equipamentos haviam sido instalados no mesmo dia.
João Carlos morreu no local. Conhecido como “Seu João”, era considerado uma figura querida no bairro. A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil.
Folha Vitória