Sítio destruído por incêndio em Meaípe onde morava Dante Brito Michelini (destaque). Foto: Reprodução/TV Guarapari e Acervo pessoal
O suspeito pela morte de Dante Brito Michelini, conhecido como Dantinho, estava preso por violência doméstica no Espírito Santo. A prisão foi realizada no dia 28 de janeiro e ele estava detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) em Guarapari.
Segundo informações da repórter Ana Carolini Mota, da TV Vitória, a prisão, pelo outro crime, aconteceu antes da elucidação do crime contra Dante Michelini. Diante das investigações, ele foi identificado e ouvido no presídio.
Durante o depoimento, o homem – que ainda não teve a identidade divulgada – confessou o crime e indicou onde jogou a cabeça no canal em Guarapari.
Os policiais identificaram que o homem se mantinha com trabalhos informais, como flanelinha, e conseguindo comida em restaurantes. Além disso, por não ter moradia, dormia em locais improvisados.
Mais informações sobre o crime serão repassadas durante uma coletiva durante a tarde desta quarta-feira (11), na Sala do Conselho da Polícia Civil.
Crime teria sido motivado por vingança
Em entrevista à TV Vitória, o delegado Franco Malini, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari, explicou que a chácara onde a vítima morava era um local com circulação frequente de pessoas da região, apesar de ser cercado.
Segundo o delegado, o suspeito estava dormindo em uma parte do terreno sem autorização da vítima. Ele contou que foi acordado pelo morador e os dois entraram em luta corporal. “A vítima conseguiu expulsá-lo da chácara com um pedaço de madeira”.
Ainda de acordo com Malini, o homem teria ficado com raiva da situação, retornado ao local pela mata e esperado a vítima sair novamente. Nesse momento, houve uma segunda briga, que terminou com a morte e a decapitação da vítima.
O que se sabe sobre a morte de Dante Michelini?
Segundo o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegadoFabrício Dutra, duas marcas de facadas foram encontradas no tórax de Dante Michelini.
O delegado destacou que a sofisticação da decapitação da cabeça chamou a atenção dos policiais. Isso porque na maior parte dos casos em que ocorrem decapitações, o criminoso realiza cortes grosseiros, o que não ocorreu desta vez, em que foi feito um corte fino.
“A nossa Polícia Científica fez um trabalho muito rápido. Ela nos trouxe à luz que ali realmente era uma cena de homicídio. Houve uma secção de corte fino, então provavelmente uma faca que separou a cabeça do corpo. E também o indicativo de que ele teve duas lesões cortantes na região do tórax. Em tese, ele poderia ter levado duas facadas também”, disse Fabrício Dutra.
Ligação com caso Araceli não pode ser descartado
Dantinho ficou conhecido nacionalmente por ter sido um dos investigados nocaso Araceliem 1973, quando a menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos, foi assassinada em Vitória. Ele chegou a ser condenado pelo crime, mas acabou inocentado anos depois.
Na mesma entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, afirmou que a ligação de Dantinho com o caso não pode ser descartada como um motivo para o assassinato.
“Temos um caso de mais de 50 anos atrás, que é o caso Araceli, em que ele esteve envolvido, depois foi inocentado, mas isso também não pode ser descartado. Todas as possibilidades. Também estavam em venda do imóvel, tem a família. Será que ele tinha um bom relacionamento? Tudo vai ser trabalhado, para que a gente não cometa erros”, afirmou.
*Com informações da repórter Ana Carolini Mota, da TV Vitória/Record
Fonte: Folha Vitória