Uma jovem de 21 anos denunciou ter sido vítima de ofensas racistas ao ajudar uma pessoa envolvida em um acidente de trânsito no bairro Gaivotas, em Vila Velha, na quarta-feira (4). O caso terminou na Delegacia Regional de Vila Velha, após a Polícia Militar ser acionada, onde o suspeito foi preso.
A jovem trabalha com venda de proteção veicular e atua, normalmente, no município da Serra, onde mora. Na data do ocorrido, ela estava em Vila Velha para dar suporte a colegas de trabalho quando presenciou o acidente, que aconteceu à sua frente.
Segundo o relato da vítima, ela parou o que estava fazendo para tentar ajudar o homem envolvido no acidente, junto com outra mulher que também estava no local. Como não conseguiram levantar a motocicleta, pediram ajuda a um homem que filmava a cena.
De acordo com a jovem, o homem se recusou a ajudar e passou a proferir ofensas racistas, chamando-a de “preta”, “neguinha” e “macumbeira”.
“Eu pedi para ele ajudar, parar de gravar e ajudar, mas ele não quis. E aí ele começou a me xingar com racismo”, disse.
Ela também afirmou que passou a gravar a situação com o celular para reunir provas. Ainda segundo ela, o suspeito se aproximou, fez novas provocações, jogou cerveja em seu pé e, em seguida, voltou para o bar onde estava, continuando a beber.
Fui até ele, gravando já com o meu celular, para perguntar para ele continuar falando. Eu estava gravando para ter provas em questão do que estava acontecendo. Ele simplesmente veio até mim e começou a falar um monte de gracinha, jogou cerveja no meu pé e se achou no direito de simplesmente voltar para o bar e sentar e continuar bebendo a cerveja dele, como se nada tivesse acontecido. E eu falei para ele que isso não ia ficar assim e que eu ia tomar as minhas medidas cabíveis.
Jovem que denunciou racismo
Um colega de trabalho da vítima presenciou as ofensas. A Polícia Militar foi acionada e o suspeito foi conduzido à delegacia. Aos policiais, ele confessou o crime, segundo o registro da ocorrência.
O advogado da vítima, Warley Siqueira, afirmou que a defesa vai acompanhar o caso até o fim e reforçou a gravidade do crime.
“É um caso que não dá para deixar para lá, não dá para deixar para depois, porque o racismo é uma dor latente da sociedade. A gente entende que é um problema muito grande, um problema estrutural, mas que se a gente deixa para lá, continua reforçando e dando coragem às pessoas que cometem esse tipo de crime”, disse o advogado.
A Polícia Civil informou que o suspeito, de 44 anos, conduzido à Delegacia Regional de Vila Velha, foi autuado em flagrante por injúria racial e encaminhado ao sistema prisional.
*Com informações da repórter Thainara Ferreira, da TV Vitória/Record.
Folha Vitória