O processo contra Thiago Gonçalves Stoffel, de 29 anos, acusado de matar o namorado, o técnico de enfermagem Gabriel Costa de Castro, de 35 anos, a facadas na Serra, foi suspenso pela Justiça. A família alega que o réu fazia tratamento psiquiátrico desde que sofreu um acidente na infância.
A decisão interrompe temporariamente o andamento da ação penal até que seja concluída a avaliação psiquiátrica do réu. O crime aconteceu na madrugada do dia 28 de dezembro de 2025, no apartamento da vítima, em um condomínio no bairro Ourimar.
Em entrevista à reportagem da TV Vitória, o advogado de defesa, Hugo Weyn, destaca que foi ofertada a denúncia contra Thiago por homicídio consumado duplamente qualificado.
Mas, um mês após a prisão do acusado, o processo foi suspenso pela Justiça.
Foi aberto um incidente de sanidade mental. Quando é aberto um incidente de sanidade mental, esse processo é automaticamente suspenso para que seja resolvido.
Hugo Weyn, advogado de defesa
A família do acusado afirma ele sofreu um acidente quando era criança e, desde então, enfrenta problemas psiquiátricos.
Na infância, ele sofreu uma queda e após isso, esse quadro se agravou. Serão anexados documentos novos que provam o que a defesa está alegando. Para o processo principal ter continuidade, é preciso aferir a capacidade psiquiátrica do Thiago.
Hugo Weyn, advogado de defesa
O processo principal aguarda análise psiquiátrica. O advogado de defesa explicou que os laudos que apontam as incapacidades psicológicas já estão sendo apresentados à Justiça.
Ainda conforme o advogado, uma equipe médica será designada para avaliar se Thiago tinha capacidade de entender o caráter ilícito dos atos no dia do crime. “Não se trata apenas da data do fato, mas de todo o contexto da vida do acusado”, disse.
Thiago e Gabriel mantinham um relacionamento há pouco mais de dois anos. Gabriel era técnico de enfermagem e conheceu o acusado durante um período em que Thiago esteve internado para tratamento contra dependência química.
A defesa do réu reconhece a gravidade do caso e o sofrimento da família da vítima, mas sustenta que o estado de saúde mental de Thiago precisa ser analisado antes do julgamento.
Câmera flagrou últimos momentos da vítima
Imagens de câmeras de videomonitoramento do condomínio onde o técnico de enfermagem morava registraram os últimos momentos de Gabriel com vida. Na madrugada de domingo, por volta de 2h,ele e Thiago aparecem entrando juntos no prédio, carregando bebidas.
Já às 9h, o suspeito deixa o local sozinho, com uma mochila nas costas. Testemunhas relataram que, antes disso, ele teria saído do condomínio, permanecido cerca de 20 minutos fora e retornado usando outra roupa, fugindo novamente em seguida.
Moradores afirmaram terem ouvidopedidos de socorrodurante a madrugada. Gabriel foi morto com três facadas e o corpo só foi encontrado pela manhã, após vizinhos perceberem rastros de sangue no corredor do prédio.
Na época do crime, a equipe daTV Vitória/Recordteve acesso a registros policiais da investigação que revelam um histórico de agressões envolvendo o suspeito.
O primeiro boletim de ocorrência contra Thiago foi registrado em setembro de 2017, quando ele tinha 18 anos. Na ocasião, a mãe da então namorada dele, que era menor de idade, denunciou que o suspeito teria agredido a adolescente e mordido o pescoço dela.
No mesmo ano, a mãe de Thiago registrou ocorrência contra o filho, afirmando que ele tentou matá-la devido a drogas. Conforme o boletim, o jovem colocou a mão na boca da mãe para silenciá-la, a jogou no chão e tentou enforcá-la com um cadarço de bermuda. Ela só foi salva após a intervenção de vizinhos.
Em dezembro de 2023, Thiago foi acusado de manter uma namorada em cárcere privado, estuprá-la duas vezes e agredi-la. A vítima foi resgatada pela avó e por um tio, e solicitou medida protetiva contra ele.
O que diz a defesa de Gabriel?
Já a defesa da família de Gabriel Costa de Castro se posicionou contra a instauração do exame de insanidade mental.
Por meio de uma nota, os advogados afirmaram que a medida busca minimizar ou afastar a responsabilidade penal do acusado. A defesa classificou o crime como bárbaro e destacou não haver justificativa para alegações de discernimento reduzido, sob risco de impunidade.
Os representantes da família da vítima também reforçaram que o réu deve ser julgado pelo Tribunal do Júri e ressaltaram a dor irreparável causada pelo crime, reafirmando a busca por justiça e pela condenação nos termos mais rigorosos da lei.
Com a suspensão do processo principal, o caso agora aguarda a conclusão da perícia psiquiátrica, que será determinante para os próximos passos da ação penal.
*Com informações da repórter Alessandra Ximenez da TV Vitória/ Record
Folha Vitória