André Luiz Pedrini Tófoli, médico oncologista – Foto: divulgação Os resultados apontaram redução significativa nos níveis de depressão e ansiedade, além de melhora no condicionamento físico e diminuiç
O Dia Mundial do Câncer é celebrado nesta quarta-feira (4). O diagnóstico da doença em pessoas acima dos 60 anos já não carrega, necessariamente, o estigma de tratamentos agressivos ou de perda total da autonomia. Com os avanços da medicina e o fortalecimento da oncogeriatria, o enfrentamento da doença na terceira idade passou a considerar não apenas a sobrevida, mas também a preservação da qualidade de vida.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam que cerca de 70% dos casos de câncer no Brasil são diagnosticados em pessoas com mais de 60 anos. O número reforça a importância de estratégias específicas para esse público, que geralmente convive com outras condições de saúde e desafios funcionais.
Segundo o oncologista André Luiz Pedrini Tófoli, o tratamento do idoso com câncer exige uma abordagem mais ampla do que a utilizada em pacientes mais jovens. “Esse paciente, em geral, apresenta comorbidades como hipertensão, diabetes e limitações físicas. O acompanhamento integrado é essencial para garantir segurança, adesão ao tratamento e mais bem-estar durante todo o processo”, explica.
Na prática, esse modelo de cuidado envolve equipes multidisciplinares, que avaliam o paciente de forma global, levando em conta aspectos físicos, emocionais, cognitivos, funcionais e sociais. A proposta é ajustar o tratamento à realidade de cada idoso, reduzindo riscos e impactos negativos.
Estudos científicos reforçam os benefícios desse cuidado ampliado. Uma pesquisa brasileira apresentada no Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) acompanhou 41 pacientes idosos com câncer em estágio avançado, com idade média de 70 anos, submetidos a um programa de exercícios físicos por 12 semanas. Os participantes realizaram atividades aeróbicas e de resistência, com acompanhamento profissional.
Os resultados apontaram redução significativa nos níveis de depressão e ansiedade, além de melhora no condicionamento físico e diminuição de sintomas como dor, fadiga e náusea. “Esses estudos quebram o antigo paradigma de que o paciente com câncer deve apenas descansar. A atividade física, quando bem orientada, pode reduzir os efeitos adversos do tratamento, independentemente da idade ou do estágio da doença”, afirma o médico.
Outro ponto destacado pelos especialistas é a importância da socialização durante o tratamento. A solidão é comum entre idosos, especialmente aqueles em acompanhamento oncológico, e pode impactar negativamente a saúde mental. “Familiares e amigos têm papel fundamental ao incentivar a participação em atividades sociais, respeitando os limites do paciente, além de estimular hábitos que mantenham a mente ativa, como leitura, jogos e outras atividades cognitivas”, orienta Tófoli.
A nutrição também integra esse cuidado multidisciplinar. De acordo com a nutricionista Giselli Prucoli, uma terapia nutricional adequada ajuda a prevenir a perda excessiva de peso, fortalece o sistema imunológico e auxilia no controle dos efeitos colaterais do tratamento. “Isso contribui para que o paciente mantenha o tratamento de forma contínua, reduzindo a necessidade de interrupções”, explica.
Especialistas reforçam que, com acompanhamento adequado e estratégias individualizadas, o tratamento do câncer na terceira idade pode ser mais equilibrado, humano e eficaz, permitindo que o paciente preserve sua autonomia e qualidade de vida durante o enfrentamento da doença.
“A atividade física e a alimentação natural mudaram o meu prognóstico”
Em 2018, Iracema Bassani Barbosa, de 66 anos, descobriu um câncer de mama e decidiu encarar a doença com fé e esperança de que iria vencê-la. Fez todo o tratamento e se curou. Mas, em 2022, Iracema começou a enfrentar um novo desafio – a recidiva do câncer com metástase óssea. O que, para muitos, poderia representar desespero e desesperança, para ela foi uma virada de chave.
“Sofri muito no início, mas decidi que o câncer não ia me parar. Fiz e faço tudo que está ao meu alcance para viver com liberdade e qualidade de vida”, garante.
Iracema intensificou a atividade física, mudou a alimentação e, há um ano, vive de forma renovada.
“Hoje me alimento da forma mais natural possível, à base de proteínas, legumes e verduras. Cortei açúcar e glúten e adoto uma alimentação anti-inflamatória. Além disso, me exercito todos os dias. Faço musculação quatro vezes na semana e pilates duas vezes”, conta.
A paciente, que já encerrou o tratamento com quimioterapias e, atualmente, faz uso de medicamentos de rotina, afirma que mudar o estilo de vida lhe deu mais liberdade e a sensação de que é possível viver bem, independentemente do prognóstico do câncer. “Hoje me sinto uma mulher livre, que aproveita o melhor da vida. A mudança de hábitos, certamente, me trouxe mais disposição e qualidade de vida”, diz.
Fonte: ES HOJE