O atual governo Casagrande (PSB) possui 27 integrantes com status de secretário de Estado. Pelo menos 12 deles seguramente participarão das eleições gerais deste ano, disputando algum cargo parlamentar (deputado federal ou estadual). É o time do “Professor Casão” nas eleições legislativas, com jogadores e jogadoras dispostos a enfrentar as urnas para defender o legado do atual governo.
O próprio governador, aliás, também quer chegar ao Parlamento – ou, no caso dele, voltar. Pretende ser candidato a senador. Já o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), secretário de Desenvolvimento até fevereiro do ano passado, é o pré-candidato apoiado por Casagrande para sua sucessão.
Se o plano eleitoral prioritário do governador transcorrer sem percalços, ele próprio renunciará ao cargo no começo do mês de abril, para disputar um assento no Senado, passando então o comando do governo a Ricardo. Para poderem disputar as eleições, os secretários de Estado terão de entregar os cargos dentro do mesmo prazo: até o dia 5 de abril.
Neste caso, ao assumir o governo, Ricardo terá pelo menos 12 mudanças para fazer no primeiro escalão, substituindo de imediato os secretários de Estado que sairão para disputar as eleições. O sucessor de Casagrande terá de montar toda uma nova equipe, preenchendo os lugares vazios no secretariado. Isso sem contar as mudanças discricionárias que poderá fazer, se assim quiser. Ele terá a caneta. Ficará a seu critério.
Esse eventual governo de Ricardo será curto; praticamente um “mandato tampão”, concomitante com o processo eleitoral. Exatamente por isso, para ajudá-lo a se reeleger, Ricardo terá de formar um secretariado competente, que não deixe a peteca cair e já entre jogando bem.
A seguir, apresentamos, por ordem alfabética, a lista dos 12 secretários de Estado dispostos a encarar as urnas em 2026, com o cargo a ser disputado e a situação partidária de cada um. Seis deles são pré-candidatos a deputado federal; os outros seis, a estadual. A metade está filiada ao PSB. Nove são homens e três são mulheres.
Listamos também os membros de escalões menores do governo que seguramente serão candidatos.
Secretário de Ciência e Tecnologia
Será candidato a deputado estadual pelo PSB.
secretária de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social
Em sua primeira disputa eleitoral, será candidata a deputada estadual pelo Podemos, comandado no Estado pelo deputado federal Gilson Daniel. Filiou-se ao partido no fim do ano passado.
secretário de Agricultura
Já está resolvido a trocar o PSDB. Deve ir para um partido de centro-direita da base governista, mas ainda não se decidiu.
secretário de Meio Ambiente
Felipe Rigoni (União Brasil)
Será candidato a deputado federal. Para isso, pode mudar de partido, dentro da aliança governista. O Podemos é uma opção.
ex-prefeito de Colatina e secretário de Recuperação do Rio Doce
Será candidato a deputado estadual, possivelmente pelo MDB (ou por outro partido da base de Casagrande, como o Podemos).
Será candidata a deputada estadual pelo PSB.
Será candidato a deputado estadual pelo PT.
Será candidata a deputada federal pelo PSB. Entrou no partido no ano passado.
Rafael Pacheco (sem partido)
Após longa hesitação, está bastante inclinado a fazer sua estreia nas urnas. No fim do ano passado, foi instado por Casagrande a avaliar uma candidatura a deputado federal pelo grupo. À coluna, confirmou o interesse. Tem convite do PSB e, em dezembro, participou do encontro estadual do partido.
Será candidato a deputado federal pelo PSB. Em abril, retomará o mandato na Assembleia Legislativa.
Ex-prefeito de Cachoeiro e secretário de Turismo
Será candidato a deputado estadual pelo PSB.
Estreante nas urnas, será candidato a deputado federal pelo PSB. Em dezembro, filiou-se oficialmente ao partido de Casagrande.
Alessandro Broedel (Podemos), diretor-geral do Incaper: será candidato a deputado federal pelo Podemos.
Alexandre Quintino (PDT), ex-deputado estadual e subsecretário de Habitação, Regularização Fundiária e Desenvolvimento Social (ligada à Sedurb): será candidato a deputado estadual, provavelmente pelo PP (a não ser que o partido não fique na coligação eleitoral do governo).
André Fagundes (Podemos), ex-prefeito de Nova Venécia e diretor-geral do Hospital Estadual Roberto Arnizaut Silvares, em São Mateus: será candidato a deputado estadual pelo Podemos.
Antonio Carlos Cesquim (PSB), diretor-presidente da Ceasa: pode ser candidato a deputado estadual, mas somente se o PSB precisar muito. Ele mesmo disse à coluna que não será candidato.
Carlos Casteglione (PT), ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim e subsecretário de Relações Institucionais da Secretaria de Esportes: pode ser candidato a deputado estadual, segundo ele, “para atender a um chamado do partido”, mas prefere não disputar e, em vez disso, coordenar uma campanha do PT (Coser, Contarato, Helder etc.).
Douglas Caus (sem partido), comandante-geral da PMES: falando a esta coluna em 16 de novembro do ano passado, admitiu disposição em disputar pela primeira vez uma eleição, a deputado federal, por um partido de direita, se Casagrande e Ricardo o chamarem para discutir esse projeto.
Eustáquio de Freitas (PSB), diretor-geral do Departamento de Edificações e Rodovias (DER-ES): será candidato a deputado federal pelo PSB.
Fabrício Petri (PSB), ex-prefeito de Anchieta e assessor da Casa Civil: será candidato a deputado estadual por um partido da coalizão governista (em aberto).
Lorena Vasques (PSB), subsecretária estadual de Estudos, Negócios, Planejamento e Infraestrutura Turística (ligada à Setur): será candidata a deputado federal pelo PSB, substituindo na chapa Victor Coelho, que “desceu” para estadual.
Marcus Vicente (PP), subsecretário de Relações Institucionais da Casa Civil: será candidato a deputado federal por um partido da base governista, ainda indefinido.
Pablo Lira (PSB), diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN): pode ser candidato a deputado estadual pelo PSB. Segundo ele, está avaliando.
Philipe Lemos (Podemos), superintendente de relações institucionais da Cesan:filiado ao Podemos em dezembro de 2025, será novamente candidato a deputado federal, dessa vez pelo partido de Gilson Daniel.
Vinicius Simões (PSB), subsecretário de Suporte à Educação: se o PSB precisar, poderá ser candidato a estadual ou a federal.
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Fonte: ES 360