banner viana
assembleia legislativa
prefeitura de vila velha

“Impacto”: como Hartung avalia a entrada de Caiado no PSD

Com imenso entusiasmo e convicto de que o Brasil passa a ter uma possibilidade real de romper com o petismo e o bolsonarismo nas eleições de outubro. Assim o ex-governador Paulo Hartung en

Por Fabricio Rodrigues em 02/02/2026 às 12:30:46
Paulo Hartung e Gilberto Kassab jogam xadrez. Foto: reprodução do Instagram

Paulo Hartung e Gilberto Kassab jogam xadrez. Foto: reprodução do Instagram

Com imenso entusiasmo e convicto de que o Brasil passa a ter uma possibilidade real de romper com o petismo e o bolsonarismo nas eleições de outubro. Assim o ex-governador Paulo Hartung enxerga o fato mais importante da corrida presidencial neste início de ano eleitoral: a entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no Partido Social Democrático (PSD), no qual Hartung milita desde maio de 2025. “É um movimento extraordinário.”

Sem espaço no União Brasil para viabilizar sua candidatura à Presidência, Caiado anunciou a troca de sigla na semana passada, juntando-se a outros dois presidenciáveis já filiados ao PSD: os governadores do Paraná, Ratinho Júnior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Com o impactante movimento, o partido conduzido nacionalmente por Gilberto Kassab passa a ter não dois, mas três postulantes ao Palácio do Planalto (três governadores em fim de segundo mandato).

Os três têm mostrado desprendimento, cientes de que só um deles poderá seguir adiante e representar o PSD numa disputa que já tem, de um lado, a postulação de Lula (PT) à reeleição; do outro, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), ungido pelo pai e ex-presidente da República, preso na Papudinha.

Para Hartung, que diz ter vibrado com a notícia, o futuro candidato do PSD, a ser escolhido desse trio, vai muito além de representar o partido na disputa. Representa, pela primeira vez, uma chance real de apresentar ao eleitorado brasileiro uma “terceira canaleta” (aberta entre as duas que têm polarizado a política nacional).

“A cédula virá com opções das duas forças tradicionais que estão dominando a política brasileira: o PT e o antipetismo bolsonarista. Ao mesmo tempo, trará uma terceira opção, que vai ser um desses três governadores. Isso adensa uma posição na política brasileira. Hoje, tem duas canaletas que têm muita presença na política brasileira: os petistas de um lado e os antipetistas de outro lado. Tem duas canaletas visíveis. E, para onde você anda no Brasil, você encontra essas duas posições. Nessas duas canaletas, você tem as suas representações.”

Fisionomia”

Na avaliação de Hartung, o futuro candidato do PSD – seja ele Caiado, Ratinho Jr. ou Leite – oferecerá uma “fisionomia” ao eleitor carente de uma alternativa, uma legião de brasileiros que não se sente efetivamente representada nem pelo petismo no poder nem pelo extremo antipetismo que lhe faz oposição radical.

“Essas duas representações não dão conta dos diversos tons de cinza. E tem um sem mundo que não se sente representado nessa força política que governou o país anteriormente nem pela força que governa atualmente. Quando você decompõe uma dessas grandes pesquisas que foram feitas no Brasil, você vai ver que há um grupo de brasileiros que não se sente representado por nenhuma dessas duas posições. Quem governou o país anteriormente tem a sua cara, tem a sua fisionomia. Quem governa atualmente tem a fisionomia tradicional do presidente Lula. O que falta a esse mundo que não se sente representado nem de um lado nem do outro? Uma fisionomia. Porque a política é assim. Você precisa de uma fisionomia. O PSD, trazendo o Caiado agora com esses dois outros pretendentes à Presidência da República, caminha na direção de ser o portador dessa fisionomia. É isso. Por isso esse movimento impactou tanto. Nunca recebi tantas ligações e mensagens no meu celular.”

Dentro do jogo”

Lembrando a tentativa não tão bem-sucedida de emplacar uma terceira via com Simone Tebet (MDB) em 2022, Hartung acredita que, desta vez, o candidato que vier a ser escolhido pelo PSD partirá de uma base de 20% das intenções estimuladas de voto nas pesquisas eleitorais.

“A aspiração está aí, as pessoas querem… Na eleição de 2022, nós enfiamos a Simone ali. Muito embora tenha boa fala e tal, ela não conseguiu sair ali dos 4%, 4,5%. Essa turma que está entrando agora começa com um percentual alto. Na minha visão, na hora que o candidato for escolhido, essa turma entra com um patamar de 20%. Tem o Zema também aí que está participando dessas conversas. Você anota no seu boletim de ocorrência se o Hartung é doido ou se ele consegue pensar esse troço com alguma precisão: a hora que escolherem um, ele vai para um patamar próximo a 20%. Aí está dentro do jogo. E aí vai ser o seguinte: você vai ter uma disputa de quem vai para o segundo turno. Um grande empresário brasileiro me ligou e disse com entusiasmo: ‘Vocês botaram o ovo em pé’. E é verdade, sim. Tem uma chance”, opina Hartung, governador do Espírito Santo por três mandatos, de 2003 a 2010 e de 2015 a 2018.

Fogos de artifício”

Na visão do ex-governador, o movimento liderado pelo PSD pode, de certo modo, libertar o Brasil das duas forças políticas da qual o país tem sido refém (ou “prisioneiro”) nos últimos anos:

“Pode dar errado? Sim. Tudo pode dar errado na política. Se tem uma coisa que eu aprendi é que, por melhor que você articule, pode chegar lá e dar errado. Mas se criou uma possibilidade de a gente não ficar prisioneiro de duas posições políticas no Brasil, pelo menos no primeiro turno. De a gente ter uma competição no primeiro turno de quem vai para o segundo turno. Então, eu não gosto de soltar fogos de artifício, eu não gosto de barulho, mas, como brasileiro, estou vibrando com isso. Estou animadíssimo com isso. Esse é o motivo do meu entusiasmo.”

Qualificação do debate

Atual presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Hartung acredita que a candidatura do PSD poderá também qualificar o debate político-eleitoral no país, terrivelmente empobrecido, segundo ele, pelo advento das redes sociais.

“Se tem uma coisa que isso aqui fez no mundo [mostra o celular] foi empobrecer o debate público, o debate político. As redes sociais rebaixaram a qualidade do debate público. Agora vamos subir com a qualidade do debate público, independentemente de quem vai ganhar a eleição.”

Hartung rende grandes elogios a Gilberto Kassab. O ex-prefeito de São Paulo, atual secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, é o presidente nacional do PSD e principal articulador do movimento que hoje se expandiu para uma tríplice pré-candidatura presidencial.

“Estou ajudando a construir isso, modestamente. Quem é o líder disso? Kassab. Esse Kassab é, hoje, o que eu encontrei lá atrás, quando menino, junto com o saudoso Gerson Camata, que eu encontrei na figura do doutor Tancredo Neves. Kassab é isso. Um homem de bastidor, com grande capacidade de operar. Talvez seja o melhor operador de bastidor que nós tenhamos hoje no Brasil. Precisamos de gente que tem a rua, precisamos como nunca de gente que tem rede, mas precisamos também de gente que tem bastidor. E o Kassab está conseguindo construir isso aí. Não é à toa que o PSD está virando esse partido desse tamanho. E a minha contribuição ali é, devagarzinho, ir ajudando a colocar conteúdo programático no partido e assim por diante”, afirma o ex-governador, que, em entrevistas anteriores, já chamou Kassab de “coruja”: um animal político que enxerga longe e no escuro.

Critério de escolha

Caiado, Ratinho e Leite. Hartung responde como acha que o PSD deverá escolher qual dos três será o candidato do partido à Presidência.

“Eu acho que o critério já está formado: é olhar a evolução das pesquisas. Ao mesmo tempo, tem uma coisa que o Kassab faz muito bem, e ele tem uma rede Brasil afora: sentir o impacto de um nome e do outro, nas diversas regiões do país, que são muito distintas.”

Desprendimento

De todo modo, Hartung ressalta o desprendimento dos três presidenciáveis do PSD em relação à escolha do nome do grupo – algo incomum em um meio regido por vaidade, ambição e poder.

“De tudo que eu vivi nestes anos todos, desde que eu disputei a primeira eleição lá de deputado estadual, não é normal isso de as pessoas toparem ter exposição de três nomes e depois escolher um e todos vão convergir em torno daquele. Isso mostra como virou uma coisa absolutamente prioritária você ter outros posicionamentos políticos com tamanho na política brasileira, para poder melhorar de novo a qualidade do debate público.”

Questionado especificamente sobre isto, Hartung prefere não manifestar preferência por nenhum dos três possíveis candidatos do PSD:

“São três amigos, três parceiros. Eu acho que o que estiver melhor é o que o Brasil vai querer. Agora, é importante ver que os três estão topando isso. Isso é que é importante: aonde nós chegamos na política brasileira”.

O ex-governador descreve brevemente o perfil de cada um:

“O Caiado é um político tradicional, já disputou a Presidência da República [em 1989]. A primeira disputa presidencial, depois da ditadura militar, ele disputou. Teve uma trajetória de parlamentar irretocável e está terminando o segundo governo em Goiás, com um trabalho de muito boa qualidade. É uma aquisição muito importante para o partido. Eu trabalhei nessa direção junto com o Kassab. O Ratinho está terminando um ciclo espetacular no Paraná. E o Eduardo Leite é um fenômeno político. É o primeiro líder que consegue uma reeleição no Rio Grande do Sul, um estado que tem características culturais muito próprias. Os gaúchos não gostam de reeleição”.

The post “Impacto”: como Hartung avalia a entrada de Caiado no PSD appeared first on Sim Notícias.

Fonte: ES 360

Comunicar erro
728x90-2

Comentários

728x90-3