Planos de saúde individuais ou familiares representam 50,2% dos vínculos médico-hospitalares entre beneficiários com 80 anos ou mais, segundo dados de agosto de 2026 do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Os contratos coletivos empresariais concentram 29,3% dessa faixa etária.
Os dados integram a Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB) nº 122 e mostram que o perfil de contratação muda conforme a idade. Entre pessoas de 60 a 64 anos, os planos empresariais ainda reúnem 61,5% dos vínculos, percentual que cai para 50,6% na faixa de 65 a 69 anos.
Em agosto de 2026, os planos médico-hospitalares reuniam 8,8 milhões de beneficiários com 59 anos ou mais. O número representa crescimento de 3,1% em 12 meses, acima da alta de 1,3% registrada pelo mercado como um todo, que chegou a 53,2 milhões de beneficiários.
Segundo Flávio Cirilo, CEO da QualiSaúde, a cobertura empresarial tem papel relevante durante a vida profissional, mas que consumidores precisam conhecer as modalidades disponíveis para se prepararem para outras etapas da vida.
“Entender as modalidades de contratação, avaliar os custos e conhecer as condições de cada plano são medidas importantes para que as famílias possam tomar decisões mais conscientes e se organizar para o futuro”, afirmou Cirilo.
Para o advogado Eduardo Amorim, presidente da Comissão de Direito Médico da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES), o debate sobre saúde suplementar na terceira idade também envolve os direitos dos consumidores e as condições estabelecidas nos contratos.
“Informações sobre cobertura, reajustes e regras contratuais são essenciais para que o consumidor possa avaliar suas opções e buscar os canais adequados quando necessário”, destacou Amorim.
O levantamento também mostra que os planos coletivos empresariais predominam entre adultos em idade profissional. Na faixa de 20 a 49 anos, mais de 80% dos beneficiários estão nessa modalidade, com participação de 82,7% entre pessoas de 30 a 34 anos.
Entre crianças e adolescentes de até 18 anos, que somam 12 milhões de beneficiários e representam 22,5% dos vínculos médico-hospitalares, mais de 70% estão em planos empresariais. Nesse grupo, entre beneficiários com plano empresarial e titularidade identificada, 97,8% são dependentes.
Embora os planos individuais ou familiares tenham perdido beneficiários no conjunto do mercado, a participação dessa modalidade é proporcionalmente maior nas faixas etárias mais avançadas.
Segundo o IESS, os dados mostram a composição dos vínculos em cada grupo etário e não permitem concluir que os beneficiários migram diretamente de uma modalidade para outra ao envelhecer.
Folha Vitória