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Polícia

Grupo com adolescentes transmitiu estupro ao vivo em Vila Velha; polícia investiga líderes

A Polícia Civil (PCES) investiga os integrantes que ocupavam posições de liderança em um grupo virtual que transmitiu, em tempo real, crimes de violência sexual e agressões contra uma


Polícia investiga integrantes de grupo que transmitiu violência contra adolescente em Vila Velha. Investigação reuniu provas contra suspeito A partir das informações recebidas e do trabalho de investi

A Polícia Civil (PCES) investiga os integrantes que ocupavam posições de liderança em um grupo virtual que transmitiu, em tempo real, crimes de violência sexual e agressões contra uma adolescente de 14 anos, em Vila Velha. Segundo a investigação, mais de 300 pessoas acompanharam a transmissão, e entre sete e nove integrantes exerciam funções de coordenação e comando.

O caso envolve um adolescente de 15 anos, suspeito de estuprar, torturar e ameaçar a ex-namorada, também adolescente. Conforme a polícia, os envolvidos participavam de grupos fechados de conversa em aplicativos voltados à violência. O jovem foi internado, e as investigações continuam para identificar os demais participantes.

Segundo o delegado Brenno Andrade, chefe da Divisão de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio (DRCCP) e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), a apuração começou após o recebimento de um relatório técnico do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“Nós recebemos um relatório técnico do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas, no dia 5 de outubro, dando conta de que houve a transmissão de uma live, em um aplicativo de rede social, em tempo real, de uma jovem sendo estuprada, torturada, automutilada e espancada”.

Além das agressões, a investigação identificou o compartilhamento de conteúdo de abuso e exploração sexual infantil.

O crime ocorreu na casa da vítima, durante a ausência dos pais. Segundo Andrade, o adolescente aproveitou que não havia responsáveis no imóvel para cometer as agressões e transmitir os atos pela internet.

“Na ocasião, o adolescente foi até o local quando ninguém estava em casa, cometeu os crimes e transmitiu tudo ao vivo, de forma on-line.”

Investigação reuniu provas contra suspeito

A partir das informações recebidas e do trabalho de investigação, policiais civis conseguiram identificar o suspeito e reunir elementos para solicitar a internação do adolescente e o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência dele, em 8 de outubro.

“Tudo foi possível após a coleta de provas por meio de um relatório de investigação, com dados concretos sobre onde a vítima reside, quem é a jovem e quem são os envolvidos. O trabalho foi realizado por policiais civis especializados em crimes cibernéticos. Pedimos a internação do menor, equivalente à prisão, e a busca e apreensão na casa dele, em 8 de outubro.”

Após o episódio, a adolescente também teria recebido ameaças de morte pelo Instagram. De acordo com o delegado, o suspeito afirmou à equipe policial que pensou em retornar à casa da vítima para matá-la.

“Depois de tudo o que ela passou e dos crimes transmitidos ao vivo, o adolescente voltou a fazer ameaças. Desta vez, por meio do Instagram, com ameaças de morte. Ele ainda confessou à nossa equipe que pensou em voltar à casa e matar a adolescente.”

Para Andrade, a atuação policial foi fundamental para evitar consequências ainda mais graves. “Foi um trabalho imprescindível para evitar uma tragédia maior.”

Suspeita de traição virtual teria motivado agressões

De acordo com a investigação, as agressões teriam sido motivadas pela suspeita de que a adolescente estivesse traindo virtualmente o namorado com outros integrantes do grupo.

“Ele disse que ficou sabendo que ela estaria traindo ele com dois integrantes da Panela, isso de forma virtual.”

O delegado explicou que os grupos conhecidos como “Panela” ou “chat fechado” reúnem crianças e adolescentes, com idades entre 10 e 17 anos, e têm uma estrutura hierárquica. Segundo ele, os participantes recebem tarefas e podem conquistar posições de maior prestígio dentro dessas comunidades.

“Os grupos conhecidos como ‘Panela’ reúnem crianças e adolescentes, com idades entre 10 e 17 anos, para tratar de temas relacionados à violência. Dentro desses grupos, os participantes recebem tarefas que podem aumentar seu status perante os demais. Não há uma explicação lógica para o que fazem, além da busca por status e do desejo de mostrar suas ações aos outros.”

Segundo Andrade, de sete a nove pessoas ocupavam posições de coordenação e comando no grupo durante a transmissão, que teve mais de 300 espectadores.

O delegado afirmou ainda que o público era formado por crianças e adolescentes, o que acende um alerta sobre a exposição de jovens a conteúdos violentos no ambiente virtual.

Adolescentes se conheceram em comunidade virtual

Conforme o delegado, a vítima e o suspeito se conheceram por meio da comunidade virtual. Como moravam perto um do outro, os dois passaram a se encontrar e iniciaram um relacionamento.

“Os integrantes desses grupos estão espalhados por diferentes estados do país, mas, no caso da vítima e do adolescente que cometeu os crimes, por coincidência, moravam perto. É raro, mas esse foi o caso deles.”

À polícia, a adolescente relatou que frequentava a comunidade, onde conheceu o menino. Depois de começarem a namorar, ocorreram as agressões. A suposta traição virtual foi apontada como motivação para o crime.

Andrade também mencionou dificuldades para obter informações sobre os integrantes, devido ao uso de diferentes plataformas digitais e de e-mails temporários.

“A operação foi chamada de ‘Nova rota’ justamente por essas novas plataformas e formatos que estão surgindo. Plataformas diferentes dificultam a obtenção dos dados.”

Delegado orienta pais a acompanhar uso de aplicativos

O delegado orientou pais e responsáveis a acompanhar a utilização de aplicativos e redes sociais pelos filhos, inclusive por meio das ferramentas de controle de tempo de uso disponíveis nos celulares.

“A sugestão é que os pais verifiquem, porque os jovens tentam esconder dentro do aparelho, mas não escondem o tempo de uso dentro do aplicativo. Nas configurações, olhem em qual aplicativo ficam mais tempo e controlem.”

Para Andrade, a supervisão pode ajudar a identificar situações de risco, tanto para jovens que podem ser vítimas quanto para aqueles que estejam sendo envolvidos em comunidades violentas.

“O acompanhamento dos jovens nas redes sociais minimiza o risco de serem vítimas ou estarem cooptados no ambiente virtual.”

O delegado também demonstrou preocupação com a naturalização de conteúdos agressivos e abusivos entre crianças e adolescentes, inclusive registros de tortura e morte de animais. Ele defendeu que famílias e escolas estejam atentas a possíveis sinais de alerta.

“Espanta a normalização, por parte dos jovens, de conteúdos agressivos e abusivos, muitas vezes com tortura e morte de animais. Pedimos que os pais e responsáveis, em casa, e, de forma secundária, a escola observem os sinais de forma elevada, para que a direção consiga endereçar e tratar da melhor forma possível. Frisando: mãe e pai em casa.”

Andrade também chamou a atenção para quem consome esse tipo de material, mesmo sem participar diretamente das agressões.

“Há preocupação com quem não participou ativamente, mas consumiu o conteúdo. Não se pode normalizar esse consumo. A polícia atua depois que o crime aconteceu para evitar que casos mais graves aconteçam, mas o fato principal é que mãe e pai devem acompanhar, dentro de casa, o que os filhos fazem.”

Ao comparar a navegação na internet à circulação em espaços públicos, o delegado afirmou que os responsáveis precisam reconhecer os riscos do ambiente virtual.

“O processo de digitalização chegou, e os jovens não foram orientados a andar nas ruas virtuais. Nós, os mais velhos, fomos orientados a não falar com pessoas nas ruas físicas, mas a internet é uma rua maior. Eles estão navegando, trancados no quarto. Os pais acham que estão seguros, evitando que sejam assaltados, mas, dentro do ambiente virtual, os crimes podem ser mais graves. O acompanhamento deve ser feito, e isso não tem sido feito nem o mínimo.”

A investigação segue para identificar os integrantes que ocupavam posições de liderança no grupo.

“A investigação segue para identificar as pessoas que estavam no comando, on-line, na hierarquia.”

ES HOJE

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